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domingo, 6 de abril de 2014

Bahrein - um ruído claramente distinguível


Para quem reclamou um bocado do ruído dos atuais motores da F1, na prova de hoje vencida brilhantemente por Hamilton, sob o brilhante ataque do seu companheiro Nico nas voltas finais, é curioso notar que um dos destaques da corrida foi o ruído do safety-car.
Logo em seguida a mais uma demonstração de Maldonado de que não está à altura dos outros pilotos da categoria, o safety-car entrou na pista e, alem de ter atrapalhado a vida da Williams e tornado mais difícil a vitória de Hamilton, deu seu showzinho particular ao deixar evidente que um carro de turismo a pleno na pista tem o seu ruído claramente distinguível, à frente de duas dezenas de carros de F1. Até onde sei esta terá sido a única ocasião em que isso ocorreu de tal forma a ser bem notado na própria transmissão.
Só para não esquecer, Maldonado foi punido durante a prova e consta agora na 14a. colocação e tem punição determinada para o próximo GP. Deixo a dúvida no ar: ele deveria ter sido desclassificado ou isso é tão sómente uma barbeiragem de quem deve ser vaiado? Afinal ele mandou para fora da pista em situação de capotagem a Sauber de Gutierrez após te-la atingido bem no meio.
A Mercedes parece que vai correr um campeonato particular. Não vejo o que possa tirar a equipe da disputa pela vitória. Estão tão à frente dos outros que a disputa interna entre os pilôtos vai acabar beneficiando a própria equipe. Se ficar na frente o que estiver andando mais, mais ainda a equipe vai se distanciar dos outros. Caso Maldonado entre na cena, como hoje, essa vantagem desaparece momentaneamente e reaparece rápidamente. São os campeões do ano, não há mais dúvidas.
A corrida foi cheia de belas disputas mas uma quase-barbeiragem virou ponto alto fora das pistas. Em determinado momento Reginaldo Leme referiu-se ao pilôto da Williams como 'Bos...' e imediatamente, percebendo a derrapada corrigiu: 'Bottas'. Ao que se seguiu um breve silencio na transmissão quando eu ri um bocado aqui ao mesmo tempo que eles mesmos devem ter soltado gargalhadas na cabine de transmissão pois a ocorrencia foi realmente hilária.
Levando-se em consideração a posição em que Massa largou, mais a sua brilhante largada saltando para 3o. na primeira volta, mais o infortúnio que representou o safety-car nas ultimas voltas, diria que fez uma bôa prova terminando na frente do seu companheiro que largou 4 posições à frente. Mas fiquei com uma dúvida que apenas alguem do meio poderia resolver. A Force India tem mais chão que a Williams ou a Williams gasta mais pneus? Dificil dar uma resposta convincente para essa questão. Mas se for verdade a segunda possibilidade a Williams pode mostrar no restante do ano que ainda tem bastante a melhorar. Ainda assim não diria que é caso de desilusão. A equipe esteve na terceira posição hoje, à frente de outras que frequentavam no ano passado a dianteira da fila com frequencia.
Caso oposto da Ferrari onde Alonso parece ter comemorado o nono lugar de hoje. Caso para comemorar mesmo porque seria perfeitamente viável dizer que no quesito performance a Ferrari trocou de lugar com a Williams, o que vem a ser um tipo de ofensa grave para os torcedores italianos que acredito que venham a dizer coisas pouco amistosas a respeito da equipe nos proximos dias.
A McLaren por sua vez pode comemorar apenas estar inscrita. Já declararam um dia desses que foram prejudicados pelo atraso no desenvolvimento do carro. Será para eles um ano sabático.
Mas quem deve estar adorando esse novo panorama é Mark Webber. Entre as bôas disputas da corrida de hoje, a de Ricciardo e Vettel deve ter feito Webber respirar com ar de satisfação lá com a sua vizinhança de cangurús. Quem diria que o tetra-campeão passaria a andar lá atrás e disputando posição com um novato? E pior, perdendo. Ah, é bom lembrar que Ricciardo disse ao Barrichello que a pronuncia correta do nome dele é mesmo Ricardo. Com pronuncia correta ou não, a verdade é que o garoto acelera pra valer.
A próxima prova é na China e o clima lá não é tão amigável assim. Isso pode acabar sendo fator de influencia bem significativo no resultado. A McLaren ganha de novo, sem dúvida. Quem poderia chegar em seguida?

sábado, 5 de abril de 2014

Assim em Interlagos como no céu




Há vida após o automobilismo? Sem dúvida pois o automobilismo se foi e nós continuamos aqui reclamando justamente disso. Ao mesmo tempo lá no céu, pilôtos que já andaram no antigo circuito de Interlagos, hoje devem estar olhando cá para baixo com a mão no queixo com expressão de incredulidade. Não podemos pensar que o automobilismo que cultuamos quase como uma religião no passado sobreviva e se fortaleça no panorama atual do país. Seria demais querer fazer equivaler à situação do nosso automobilismo o significado da famosa frase religiosa 'Assim na Terra como no céu', carregada de esperanças.

O que resta de automobilismo no país se resume a poucas categorias, nenhuma delas formadora. A maior categoria do automobilismo atual é a ante-sala da aposentadoria, muito embora a simbologia dela resista ao tempo após décadas, a Stock Car. Fora isso nada há que se assemelhe ao passado. Por exemplo, não temos mais a prova que eu considero a mais importante da nossa história, a Mil Milhas Brasileiras, que no meu entender tem importancia histórica superior à F1.

E o que fazer com um autódromo num país onde não há automobilismo? No caso de Interlagos que é de propriedade do município pode-se pensar em locar para outros eventos. Vai longe (e muito) o tempo em que passei nas imediações de Interlagos, ou que tenha ido lá diretamente, e tenha visto um treino de carros ou motos num sábado. Era coisa comum. Hoje mudou tanta coisa que não é de se estranhar um evento como um show do Lollapalooza lá nas dependencias da nossa mais famosa pista.

O autódromo é um ônus para a prefeitura e é perfeitamente compreensível, e necessário, que ela tente repor um tanto dos seus gastos abrigando eventos no autodromo de outra natureza que não as competições automobilisticas. Num país onde sepultamos um autódromo como Jacarépaguá, é um milagre termos ainda em pé e em ótimas condições a nossa primeira pista fechada.

Mas ao mesmo tempo que vemos muitos eventos e quase nenhum automobilismo, quando caras da minha idade não podem mais ver uma coisa como Mil Milhas porque simplesmente não existe mais, voce fica tentando entender o que terá gerado uma situação dessas. E é perfeitamente possível afirmar que culpar federações apenas, não é uma explicação convincente. Há bem mais a ser considerado.

Independentemente do que seja me dá uma sensação de fim de feira passar perto do autódromo e ver uma multidão se encaminhando para um show e ver o autodromo vazio em dias de corridas. Fica a esquisita impressão de que as corridas são eventualmente permitidas num lugar destinado precisamente à este fim. E quando vejo público num evento e nenhum no outro no mesmo lugar, passo a entender que o próprio público não tem mais interesse pelo automobilismo. Após tantos anos de decadencia acho bem difícil esse interesse ser resgatado.

Não tenho nada contra o uso do autódromo para eventos que não sejam do tipo a que ele é destinado. Mas acho que passou demais da hora de surgir alguma iniciativa que coloque o automobilismo de volta ao asfalto, o que poderia no futuro por de volta o público nas arquibancadas. Acho que o tempo passou, que esse bonde já foi perdido e a linha interrompida.

Hoje foi dia de realizar um dos meus prazeres favoritos, uma visita ao Zé Minelli na sua fábrica. Como sempre, antes de vir embora paramos numa padaria próxima onde tomamos um café ao mesmo tempo que falamos do assunto 'do dia' - carros de corrida. Na fila do caixa me deparei com o painel da foto abaixo onde estão registrados os nossos ídolos do passado que fizeram as suas vidas aqui mesmo nessa pista. Diante das condições diria que é uma curiosa imagem.

E agora ao conectar na rede vejo que está se alastrando uma briga na categoria na qual fui chamado a fazer um desenho digital do chassi, na época da sua criação. A F Vee, a terceira edição da categoria de monopostos que já foi a mais barata do nosso automobilismo, está vivendo uma dissidencia que parece dar argumentos para interpelações no campo jurídico. Divide-se assim uma coisa que em duas partes torna-se fraca e tende a desaparecer a longo prazo. Uma quarta edição é impensável. Essa de hoje é a derradeira da história e caso não resista à acidez das disputas pessoais passará tambem para o plano das lembranças. E caso tal se suceda vamos colocar no seu lugar o que?

segunda-feira, 31 de março de 2014

Na pista veremos o que acontece

Sem dúvida a vitória de Lewis Hamilton rendeu menos holofotes do que a disputa entre os atuais pilôtos da Williams. Não foi apenas no Brasil que se comentou isso e um dos que deu a opinião foi Lauda que disse que faria o mesmo que Massa.

Estou de acordo com Massa. Entre outras coisas uma das comunicações da equipe falou em disputa aberta. Além disso fico aqui pensando se a mensagem ao Massa sobre os pneus do Bottas não teria o intuito de ver a reação dele apenas. Ou seja, voce está sendo avisado que o teu companheiro está com penus melhores bem atrás de voce. Voce consegue fugir dele nessas condições? Ou prefere deixar o cara brigar na sua frente?

Acho que a intenção foi justamente de medir as forças que existem dentro da equipe. Conseguir situar corretamente quem é quem. Ninguem fica na F1 por tanto tempo como Frank Williams se for um bobinho que não aprendeu nada do ego e da ardilosidade do ser humano. Se Frank Williams ainda está lá, vindo da sua antológica garagem, é porque sabe o que está fazendo. E tenho a impressão de que esse episódio não é nenhuma derrapada de gente que não entende de corrida e sim uma maneira de se medir a real temperatura dentro da equipe. Não vamos nos esquecer que Frank Williams já administrou uma guerra de nervos entre Mansel e Piquet.

Não penso que ele queira reviver esses tempos. Acho que na verdade não quer uma reedição dessa natureza e tambem não quer deixar para o público a duvidosa imagem que a Ferrari deixou em episódios semelhantes com Rubens e Massa. Penso que a Williams não aceitaria colocar-se assim no cenário. E como contratantes dos pilôtos, é claro que vai exigir que em situação de decisão o pilôto com menores chances vai ter que trabalhar pela equipe, o que significaria ceder a sua posição em determinadas circunstancias. Isso faz parte, porque sempre fez parte da F1 e de qualquer corrida em equipe.

Temos mais uma etapa logo mais e sem dúvida a abertura dos comentários na transmissão vai incluir esse tema, talvez o primeiro da lista. Na pista veremos o que acontece. Isso é que deverá mostrar que entendimento a equipe tem desse tipo de situação. Vejo disputas aquecidas pela frente.

domingo, 30 de março de 2014

Supresas malaias


A temporada de 2014 não promete ser emocionante e pode até a chegar a ser confusa. Mas deve gerar surpresas. Por exemplo quem poderia imaginar no ano passado a Lotus andando atrás da Caterham? Ou Felipe Massa em disputa aberta com o companheiro de equipe? Ou a RBR ir pro pódio novamente e ao mesmo tempo dar um fim na corrida do outro pilôto? Acredite, há mais pela frente. É essa a impressão que a F1 está deixando na segunda etapa do campeonato.

O que não saberia dizer, pois não possuo bola de cristal, é se os pilôtos vão sair satisfeitos com essas ditas surpresas. Um que com certeza está esbanjando insatisfação é Daniel Ricciardo. A equipe falhou numa hora imperdoável, pôs a corrida dele a perder, e ainda por cima foi punido mais uma vez. Se houver outra dessas surpresas para ele na proxima corrida, pode dizer adeus ao campeonato. E o pior é que tem carro para disputar lá na frente.

Outra surpresa, que fatalmente se daria algum dia, é a RBR não ser páreo para a Mercedes. O campeonato está bem mais favoravel ao Hamilton e Vettel vai ter que remar um bocado. Um cenário bem diferente do ano passado pois a Mercedes está mostrando uma consistencia imprescindivel no cenário atual.

Outra coisa intrigante e meio chata para o meu gosto é a decisão que certas equipes deverão tomar de poupar os motores para a corrida seguinte. Isso é o mesmo que dizer que podem diminuir as ultrapassagens. No passado os pilôtos poupavam os seus carros para terminar a corrida quando não viam chances de ganhar mais uma posição. Mas não poupavam motores para a corrida seguinte. Hoje essa limitação da propulsão tem chance de limitar tambem algumas disputas.

Não foi o que se viu hoje com Massa. Fez uma corrida bôa pois partiu de uma colocação bem desfavorável no grid, terminou em sétimo e na volta do líder. E teve a oportunidade de permanecer à frente do seu companheiro, a partir da informação da equipe de que a disputa estava autorizada. Felipe agora pode pilotar para ganhar posições, coisa que na Ferrari era impensável. Aliviou merecidamente a alma, depois daquele episódio infeliz na Ferrari quando foi obrigado a dar passagem para Alonso.

Alonso por sua vez vai continuar correndo sozinho. Ao menos até agora Kimi Raikkonen não mostrou suficiente performance para andar junto com o companheiro. Mas eu nao me surpreenderia nada se em algum momento ele colasse no espanhol durante as corridas. Essa pode ser mais uma surpresa interessante. Resta aguardar. O espanhol mesmo disse que a Ferrari não é tão veloz como a Mercedes. E não acredito que seja tambem com a RBR. E aí para que vai servir algum escudeiro?

Para a próxima etapa tem uma surpresa para os brasileiros. Felipe Nasser vai pilotar a Williams nos treinos livres. Boa sorte ao garoto. Espero que noticiem aqui o que tiverem apurado dele.

Já que estou aqui, segue o resultado da etapa da Malasia.

1º - Lewis Hamilton (ING/Mercedes), em 1h40min25s974
2º - Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 17s313
3º - Sebastian Vettel (ALE/Red Bull), a 24s534
4º - Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 35s992
5º - Nico Hülkenberg (ALE/Force India), a 47s199
6º - Jenson Button (ING/McLaren), a 1min23s691
7º - Felipe Massa (BRA/Williams), a 1min25s076
8º - Valtteri Bottas (FIN/Williams), a 1min25s537
9º - Kevin Magnussen (DIN/McLaren), a 1 volta
10º - Daniil Kvyat (RUS/Toro Rosso), a 1 volta
11º - Romain Grosjean (FRA/Lotus), a 1 volta
12º - Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), a 1 volta
13º - Kamui Kobayashi (JAP/Caterham), a 1 volta
14º - Marcus Ericsson (SUE/Caterham), a 2 voltas
15º - Max Chilton (ING/Marussia), a 2 voltas

Não completaram a prova:
Daniel Ricciardo (AUS/Red Bull)
Esteban Gutierrez (MEX/Sauber)
Adrian Sutil (ALE/Sauber)
Jean-Eric Vergne (FRA/Toro Rosso)
Jules Bianchi (FRA/Marussia)
Pastor Maldonado (VEN/Lotus)
Sergio Perez (MEX/Force India)

domingo, 16 de março de 2014

Campenato Mundial de Engenheiros


Quem sabe consigo dar continuidade ao meu humilde bloguinho que está simplesmente esquecido por mim e por quem já passou por aqui semanalmente, no passado. Formula 1 seria um bom tema para hoje. Afinal começou ontem a temporada de 2014 com uma mudança muito radical na concepção dos carros.

Vou me abster de falar de posições de chegada, voltas rápidas e quetais que já foram divulgados e tambem discutidos. Acho que o assunto que mais interessa é a questão da previsibilidade quando julgada em função das mudanças para essa temporada.

Em primeiro lugar é preciso ter em mente que essa nova engenharia da F1 veio para permanecer. E já abro um imprescindivel parentesis para contrariar o que li várias vezes a respeito de questões relacionadas à ecologia. Acho sinceramente que a soma dos fogões do quarteirão onde resido poluem mais no curso de uma temporada do que a própria F1 no mesmo período. E a razão no meu entender parece ser mais simples do que aparenta. A eficiencia desses motores (não apenas os atuais mais tambem os ultimos que os antecederam), e a qualidade do combustivel que de comum mesmo não tem nada, já colocam esses carros numa condição de rendimento na queima muito maior do que qualquer outra coisa semelhante no mundo. E estamos falando de um total de 22 carros e não de uma frota de táxis de New York.

A questão ecológica apregoada como intenção nas mudanças, no meu entender é meramente política, focada muito especialmente no marketing que a categoria precisa mostrar. Mas a verdade é que os custos estão por trás disso com muito mais peso do que a ecologia. Pelos números divulgados os motores têm pouco mais de 500 hp's e o ERS fornece mais 160. Motores menores turboalimentados, com limite de giro de 15000 rpm, com 2 cilindros a menos, tudo isso significa menos peças móveis junto com um menor nível de solicitação em relação aos do ano passado. É claro que isso não significa que esses motores não são exigidos, apenas entendo que as condições atuais devem levar a um menor nível de desgaste. O restante da potencia que eles não fornecem usa um equipamento de manutenção bem diferente de um equipamento mecanico. Não faço a menor idéia do custo de um super-capacitor e tampouco do seu desgaste, que tambem existe. Mas os geradores podem ter desgaste nos seus mancais, que podem ser substituidos numa operação de manutenção muito mais simples do que num mecanismo mais complexo do que um motor à explosão. Tambem, peças mecanicas estão sujeitas a um desgaste contínuo a partir do momento em que começam a funcionar, ao passo que geradores e motores elétricos podem passar a temporada inteira com os seus componentes principais mostrando a mesma performance.

Acho que isso tudo foi idealizado com o objetivo de diminuir o número aceito de substituições afim de baixar os custos, tendo como base uma redução de desgaste.

Um outro ponto que considero muito característico dessa temporada é o que eu chamaria de Campenato Mundial de Engenheiros. Nunca a F1 teve tanta influencia da participação dos engenheitos como agora. Vettel, no meu entender é o exemplo mais flagrante disso. O seu companheiro subiu ao pódio na primeira prova, com um carro que deixou uma péssima impressão na pré-temporada, ao mesmo tempo que o próprio Vettel, antes imbatível, sequer terminou a prova e abandonou prematuramente. Ricciardo, por mais bom piloto que seja não é melhor que Vettel, não tem kilometragem para tanto. A diferença está nos carros, mais particularmente na engenharia. Algo que não funciona num, no outro funciona conforme planejado. Situação inédita na Red Bull.

Outra demonstração da influencia da engenharia é a Lotus, que no ano passado teve um bom papel, junto com falta de fundos, e hoje foi para nos fundos do grid sem terminar. Está tão ruim que lembra a Hispania onde Bruno Senna iniciou.

Os freios são outro ítem que pode gerar supresas desagradáveis. Foram precisamente eles que contribuiram altamente para que Kobayashi estampasse na traseira de Felipe Massa, dando fim ao visível entusiasmo do brasileiro logo na primeira curva do GP. O único ponto que poderia ser mencionado como proveitoso disso foi a declaração de Massa depois do evento. Ele pode falar na equipe pela qual pilota hoje. Essa reação dele entendo como positiva. Tomara que consiga tirar bom partido das suas declarações.

Pane seca? Talvez em lugares como SPA, mas não apostaria nisso em pistas como Interlagos. O problema não é a possibilidade de panes secas mas o que custa a eliminação dessa dita possibilidade. Os carros carregam agora um pouco mais de peso e bem menos combustivel, e ainda não iventaram algo que invalidasse a famosa relação peso x potencia. Otimizaram os motores mas isso não significa que passaram a andar a poder apenas do odor da 'benzina'.

Em resumo, a F1 dessa temporada é formada por carros de um grau tecnológico nunca antes atingido e aparentemente muito mais críticos do ponto de vista operacional, em condição de exigencia total. E, claramente os engenheiros são as pessoas que podem fazer esses carros darem tudo ou pura e simplesmente pararem no meio do caminho.

Uma ultima consideração, esta um tanto no estilo advogado do diabo. No lugar de Weber entrou Ricciardo, os dois australianos. A Red Bull declarou que iria pedir ajuda à filial Toro Rosso no desenvolvimento do carro. Será que é válido pensar que a Red Bull do Ricciardo andou com uma 'solução' Toro Rosso não entregue ao carro do Vettel?

Acrescentando:
Agora mesmo quando postei esse texto, li no site da categoria que Ricciardo foi desclassificado.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Dionisio Pastore (1957 - 2014)


Dionisio Pastore
(imagem do perfil do Facebook do piloto)


Um dia desses, durante o carnaval eu folheava um livro de receitas publicado pelo Sesi e li na lista de integrantes da instituição o nome de Osvaldo Pastore. Pensei imediatamente em perguntar ao Dionisio Pastore, via Facebbok, quem seria essa pessoa. Nem podia imaginar que um dos nossos maiores kartistas já tinha ido dessa para outra.

Dionisio Pastore faleceu no dia 27 de Fevereiro ultimo, vitimado pelo coração que todos os pilotos sentem bater muito forte quando aceleram as suas máquinas.

Tenho estado um tanto desligado de tudo por conta das atribulações dos ultimos meses e só hoje li na internet a triste notícia.

Embora com muito atraso, deixo aqui um registro do acontecido como mínima forma de homenagem a um dos nossos campeões do kart que encontrou nas pistas gente da melhor geração do nosso kartismo, não apenas aqui no Brasil mas fora tambem.

Fique com Deus campeão!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Schumacher - paz de espírito a quem mais necessita.

(fonte: http://news.bbcimg.co.uk)



Me deixem em paz, é realmente o que eu diria se tivesse sendo assediado tal como os familiares do Schumi estão. A imprensa se interessa apenas pela publicação de notícias e no caso de uma personalidade mundialmente pública essas notícias interessam muito mais que as outras pois a audiencia vai para a estratosfera.

Sobre certos temas prefiro aguardar o tempo necessário para que o calor das primeiras publicações seja substituído por informações que montem um panorama crível. Além disso é preciso lembrar que opinião sobre qualquer tema pode desagradar a muitos mas o exagero sobre fatos cujas informações às vezes são nada mais do que comentários no estilo 'alguem disse que', desagrada à todos e põe a credibilidade em cheque. É o caso do que se noticiou sobre Schumi nos últimos dias.

A imprensa quer que sejam dados prognósticos impossíveis, então recorrem a opiniões de outros que não estão envolvidos diretamente, para darem os seus próprios prognósticos. Tentam por todos meios possíveis obter essas informações atravéz de pessoas que sabem apenas o que lhes é direito saber pelo tipo de relacionamento que têm com o paciente. E estas mesmas pessoas podem no máximo repetir o que ouviram mas não podem julgar por não serem do meio.

A um determinado momento isso se torna pressão psicológica pois fica explícito que a imprensa quer notícias mesmo que isso signifique dizer que o paciente deu um suspiro mais profundo às 3:26:30 da última madrugada. E isso será posto na primeira página como manchete do dia. Chamo a isso mediocridade.
Na matéria da BBC está claro que o que foi dito no início desse acidente não tinha o menor fundamento. Disseram que ele estava a mais de 100 km/h. Se assim fosse a imprensa teria noticiado o funeral de Schumacher e não o tratamento.

Aqui no Brasil as coisas seguiram o tradicional rumo da sensação, da comoção. Transformaram notícia em opinião dizendo que Schumi era um cara que não conseguia ficar parado e por isso necessitava de coisas que lhe desafiasseme o colocassem em risco. No entanto foi dito mais tarde que ele saiu da pista afim de ir ao encontro de uma criança, filho de amigo seu. E aqui nessa matéira se deixa claro que ele realmente saiu da trajetória mas que é um exímio esquiador. Acho que isso é material mais que suficiente para concluir-se que ele nunca foi alguem que tivesse o ímpeto de destruir a própria vida. Louco é quem pensa que ele estivesse em busca de uma pedra na neve fofa afim de tomar um tombo.

Por fim, quero deixar a minha opinião sobre a família dele. Sei bem o que significa ver um familiar agonizando em tratamento médico. Apenas para constar, quando a minha mãe, recentemente falecida, estava nos seus ultimos dias na UTI, uma psicóloga veio fazer uma entrevista comigo com o objetivo de apurar quais poderiam ser as minhas reações diante do fim anunciado pelos médicos. Eles sabem bem o quanto isso custa à família. E a família do Schumi é tão família quanto a minha, não há diferença sob esse aspecto. E sofrem com os acontecimentos, independentemente dele, marido e pai, ter 7 títulos de F1, 70 títulos, ou nenhum. E mais que isso, os familiares se sentem na condição de passageiros totalmente impotentes, da mesma forma como me senti.

Aí pergunto, se alguem como a Corina Schumacher suportaria sem se incomodar, a idéia de virar noticiário, ser seguida dia e noite, e ser solicitada a dar declarações que ela própria não tem como pois seria pura e simples repetição do que ouve, que pos sinal não se altera. Ela tem um marido acidentado em estado bem crítico no hospital e espera que ele saia dessa para que possa retomar a sua vida e as suas responsabilidades familiares. É bom lembrar que a Corina tem como maior responsabilidade a sua própria família, e isso é óbviamente mais importante que conteúdo de manchetes, muito embora ela, a acessora do Schumi e os médicos tenham perfeita consciencia dos seus papéis em relação ao público.

Ao invéz de noticiarem uma velocidade fictícia no acidente, acho que a manchete principal deveria ser 'Boa sorte Schumi, estamos torcendo por você'. Sem dúvida a reação da família seria agradecer ao invéz de solicitar respeito à privacidade. Privacidade à qual a família tem todo direito e deve buscar quaisquer meios, incluindo os que desagradem aos outros, afim de mante-la.

Este blog deseja à família Schumacher que este episódio se torne nada mais que uma passagem na vida do campeão.

domingo, 24 de novembro de 2013

Festa de fim

É isso que Interlagos representa no atual calendário, uma sensacional festa de final da temporada. Não vamos comparar isso à Monaco que é uma festa de bilionarios e celebridades. Mas em relação ao esporte em si, a de hoje corrida foi uma verdadeira celebração.

A começar pelo fato de que o mais provável no GP do Brasil é termos duas corridas. Tal como foi neste final de semana, o treino de sábado rendeu surpresas que dificultaram o estabelecimento de uma estratégia e hoje a corrida se deu em condições para as quais as equipes foram obrigadas a definir estratégias na hora. Sei não mas arrisco a dizer que se São Pedro não é brasileiro, tem uma grande simpatia pelo nosso autódromo. Afinal ele aparece como a versão natural e muito provável da idéia de Bernie de jogar água nas pistas.

Aqui tem de tudo. Pode ser sol escaldante, chuva, chuvinha, temporal. Pode cair um dilúvio num dia e no outro fritar ovos no asfalto. Pode chover no meio da corrida ou no inicio ou no fim. Nada aqui é previsivel com segurança. E isso dá um brilho à parte ao espetáculo, especialmente quando se fala de uma corrida que encerra a temporada.

Até mesmo Massa que teve a sua participação prejudicada por uma punição, não deixou festejar em frente à torcida fazendo zerinhos. Vettel, que venceu mais uma, pra variar, tinha tambem motivos para encher o asfalto de zeros.

Mas quem roubou a cena toda foi Mark Webber que após a bandeirada rompeu totalmente o protocolo e patrocinou a cena que vai ficar na memória por muitos anos. Tirou o capacete pouco antes de chegar nos boxes e curtiu um ventinho na cara que, acredito lhe tenha sido mais saboroso que o champagne servido habitualmente nos pódios. Fez festa particular, à sua moda, no melhor estilo 'hoje a felicidade é minha'.

Se Interlagos não for um templo, tal como dizem muitos amigos meus, com certeza é um salão de festas com direito à muita diversão e comemoração. Se essa pista faltasse no calendário da F1, não tenho dúvidas de que iriam pedir para voltar.

Interlagos é único!

sábado, 23 de novembro de 2013

Vettel, o cara dos caras

Sebastian Vettel no GP do Brasil de 2013.


Mesmo na condição de tetracampeão, tendo conquistado mais um campeonato por antecipação, o alemãozinho veloz não poupou nada e cravou mais uma pole em Interlagos. Nada menos do que 0,6s à frente de Nico Rosberg, o segundo do grid, e um segundo inteiro à frente do seu companheiro Weber, que ficou com o quarto tempo. Isso tudo sob chuva.

Para quem viu as poles de Ayrton Senna, Vettel o lembrou no estilo arrasador marcando o melhor tempo lá no finalzinho do treino, da mesma forma que muitas vezes Ayrton fez e arrancou aplausos dos torcedores.

Não é possivel apontar um favorito para 2014 mas Vettel seria a minha aposta. É claro que o carro que ele conduz com clara maestria é o melhor do grid, atualmente. Mas para manter essa superioridade indiscutivel num treino classificatório na chuva é preciso ser um ótimo piloto pois é preciso pilotar na ponta dos dedos sem uma única distração. Conseguir isso já é bem difícil, e ser o mais rápido assim, mais dificil ainda.

Mas ele marca pontos tambem fora do cockpit. A foto do post foi cedida pelo amigo José Manuel Ferraz, e segundo foi dito o próprio tetracampeão foi quem deu o clique, na sexta-feira. Além de veloz e imbatível é simpático e livre de quaisquer orgulhos desnecessários. Isso é o que o torcedor de um esporte mais gosta nos seus ídolos. Poder se aproximar deles, que julgamos pessoas muito acima das nossas capacidades, mas que se portam como seres humanos comuns que dão espaço para a admiração e retribuem o ato sem rodeios.

Pelo que me parece, entre os caras Vettel é o cara.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Massa na Williams - mais alívio e muito estímulo

No mesmo final de semana em que anunciou a sua saída da Ferrari, Felipe Massa disse estar aliviado. A declaração soou menos importante do que a incerteza a respeito do seu futuro na categoria. De Bernie Ecclestone veio outra declaração que deixou um pouco mais de limão azêdo na imagem do pilôto. Disse Bernie que Massa é um cara azarado.

Diria que, para o azar de Bernie, não apenas Massa achou seu novo caminho para permanecer na categoria, como também inverteu um jogo. Agora é Maldonado quem vai precisar de sorte pois tem o dinheiro mas não tem a garantia de que este será aceito na Lotus, tanto que ainda não confirmou a entrada na equipe. Em curto prazo o que pareceu ser fim de carreira se tornou um recomeço estimulante para Massa. Acabou o azar e aumentou o alívio pelo fim da pressão e incerteza na Ferrari, e isso tudo certamente se carateriza como um estímulo muito merecido e bem vindo.

Se as ansiedades já são coisa do passado, o que interessa agora é o que vem pela frente. Um dia desses quando se anunciou a negociação de Maldonado com a Lotus e, por conta disso, um caminho aberto para Massa, fiz um questinamento a respeito desses dois. Quem será mais pilôto, Massa ou Maldonado? Quem terá o melhor carro em 2014, Williams ou Lotus?

A respeito dos pilôtos fico com Massa, e a respeito dos carros fico com a Williams, muito embora essa questão em particular deva ser comprovada na pista na próxima temporada. Acho que se Maldonado conseguir permanecer na categoria, corre o sério risco de precisar da sorte na mesma medida do azar que Bernie atribuiu a Massa.

A Williams é uma equipe com uma tradição de vitórias com grandes feras da pilotagem, e a ultima da categoria que iniciou nas mãos de um garagista que ainda está no comando. Fora isso há as questões internas que em determinados momentos são guardadas como segredos. A temporada de 2013 foi tão desastrosa para a equipe que nada impede que tenham literalmente desistido do projeto do atual bólido já no inicio da temporada e concentrado os maiores esforços no próximo carro que deverá atender regras que dão fim ao favoritismo. Ninguem hoje pode dizer quem terá o melhor carro em 2014 e não há nada que impeça que a Williams volte a ser frequente visitante dos pódiuns. Não será surpresa ver no ano que vem equipes de meio de pelotão disputando com outras que foram mais rápidas nesse ano.

E a Williams não pára na renovação dos pilôtos. A equipe promete o anuncio de mais novidades, uma delas a possivel contratação de Rob Smedley, engenheiro de Massa na Ferrari.

Tudo no plano das suposições por enquanto, mas dentro das reais possibilidades. E com um ingrediente a mais que pode arrancar alguns sarcásticos sorrisos dos torcedores brasileiros - um possivel momento de disputa na pista entre Massa e Alonso. Será que numa cena dessas o engenheiro do espanhol diria pelo rádio 'Massa is faster than you' ?

Parabéns Massa.

E bôa sorte.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

20 anos depois de Senna continuamos com a tv ligada. E continuaremos.



Hoje completam-se 20 anos que Ayrton Senna ganhou a sua última corrida na F1. Venceu a última prova do calendário em Adelaide na Austrália pela McLaren. Atrás dele terminaram as duas Williams, com Prost em segundo e o seu futuro companheiro de equipe em 1994, Damon Hill, em terceiro. O companheiro de Senna, Mika Hakkinen, terminou em quarto, apenas poucos centésimos atrás de Michael Schumacher.

Vinte anos depois desse episódio estamos diante da possibilidade de não termos um brasileiro na F1 em 2014, muito embora Massa mereça, e muito, uma chance para prosseguir em outra equipe. Dois cenários que contrastam de forma impressionante.

A verdade é que o brasileiro ainda não perdeu o interesse pela categoria e nem perderia se tivéssemos um ano sem um brasileiro. Passaram-se 20 anos sem vitórias em sequencia e continuamos plugados na telinha. Criticamos o show tecnológico atual mas não desligamos a tv nem mudamos de canal. Criticamos o Galvão, até mesmo com faixas nada elegantes nas arquibancadas, mas continuamos assistindo. Criticamos o Massa mas agora torcemos para ele permanecer.

Só para relembrar, Emerson Fittipaldi foi muito ciriticado pela ausencia de vitórias na sua equipe e me lembro bem que muita gente disse que ele amarelou quando deixou o cockpit. Mas foi festejado como herói na Indy pelas mesmas pessoas que alguma vez o criticaram.

Aconteça o que acontecer, o nosso interesse pela F1 já está muito sedimentado e não deixaremos de acompanhar as corridas. Senna não é o único responsável por isso mas sem dúvida foi ele quem deixou viva na mente do brasileiro a expectativa de vitórias a serem festejadas e comentadas o dia todo. Não se deve esquecer que o nosso futebol já passou por situação similar depois de ter alcançado uma, até hoje muito importante, distinção. Voltamos a ver o nosso futebol no topo. Podemos esperar o mesmo na F1?

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O nosso automobilismo - E agora Brasil?

Recentemente, após o anuncio do final do contrato de Massa com a Ferrari, li em algum site na internet uma matéria com o título 'E agora Massa?'


Nessa semana, pouco tempo depois, foi publicada uma declaração da Sauber sobre o interesse em Rubens Barrichello, que substituiria Nico Hulkenberg. Nesse caso tem-se como já definida a saída de Nico mas não necessariamente a sua contratação pela Lotus na vaga de Kimi.


Antes disso tudo o chefão Bernie disse a Felipe Nasr que precisa de um brasileiro na F1. E tambem, recentemente, emendou a declaração dizendo que a mídia tem participação decisiva no surgimento de pilotos candidatos à pilotar um F1.


Aqui há uma incerteza sobre Massa, uma especulação sobre Rubens, uma esperança sobre Nasr, uma expectativa de um chefão baseada nas poucas possibilidades vindas de um país específico. Acho que cabe uma dúvida mais significativa em relação ao automobilismo no Brasil - E agora Brasil? Onde está o nosso celeiro de pilotos?


Basta uma pesquisa basica na internet para ver que o Brasil já mandou uma fila consideravel de pilotos para as pistas européias. Mas esse fluxo já acabou ha muito tempo. Massa é o ultimo brasileiro em atividade na F1 que começou no nosso kartismo e disputou aqui mesmo um campeonato de monopostos antes de seguir para a europa. Uma das recentes expectativas brasileiras, Bruno Senna, fez a sua carreira toda fora do Brasil. Isso não quer dizer que uma carreira lá fora é melhor ou pior que aqui, técnicamente falando. Quer dizer que o número de candidatos diminui de acordo com o aumento das dificuldades. Uma coisa é fazer a carreira toda lá fora e outra fazer o básico aqui mesmo. São poucos os que podem viver na europa apostando numa carreira que demanda um investimento de milhões. Dessa forma os únicos pilotos que seriamos capazes de formar seriam caras com bolsos abarrotados. E pior que isso, desconhecidos aqui porque aqui simplesmente não há automobilismo. Oras, o que motivaria uma empresa a investir na carreira de uma pessoa da qual temos noticias apenas pela internet?


O cenário atual referente à paricipação do Brasil na F1 é um sintoma do fundo de poço ao qual chegou o nosso automobilismo. Um jovem em inicio de carreira na GP2, não seria forte candidato a um assendo de F1 antes de um periodo como piloto de testes. Um piloto ainda em atividade, e já experiente na categoria, aceita uma equipe que lhe dê chances e não uma que o mande para os fundos do grid. Na eventualidade de nenhum desses dois conseguirem um lugar em 2014, a opção que resta é um veterano fora de atividade ha dois anos.


Está bem claro que não estamos gerando opções. Em épocas passadas havia sempre alguem (mais de hum) na fila. Hoje, a rigor não há ninguem. E quanto tempo levaria para isso mudar nesse esporte? Quanto relamente é responsavel a mídia pelo surgimento de novos candidatos? Basta mesmo mídia para que surjam carros na pista formando os historicos grids da nossa antológica F-Ford?


Acho que falta bem mais que isso. Acho que se em 2014 tivermos um brasileiro na F1, nada garante que ele esteja lá em 2015 ou 2016. Estamos num processo descendente que agora está mostrando os efeitos mais claramente - não temos renovação. A inversão dessa situação demandaria anos de mudanças. Seria preciso ressurgir o automobilismo formador, do zero, e se manter ativo por tempo suficiente para que fizesse surgirem os frutos desejados. Não é tão simples assim. Não basta só mídia.


Enquanto isso Tony Kanaan que esteve frente a uma possivel saída da Indy com destino à Nascar, acertou com a Ganassi e assim segue em frente na sua carreira num país que respira automobilismo ha décadas.


E agora Brasil? Ainda é possivel fazer alguma coisa? Ou estaremos destinados à desonrosa condição de medíocres naquilo que já mostramos sermos tão bons quanto os melhores? A segunda hipótese, infelizmente, é a mais plausível.

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Lei 15.780/2013 - Automobilismo Paulista passa a ser evento oficial do município.

Sessão solene na Câmara dos Vereadores de São Paulo no dia 13 de Agosto de 2013
conduzida pelo Vereador Floriano Pesaro

Na última terça-feira, 13/08/2013, teve lugar na Câmara dos Vereadores de São Paulo, sessão solene afim de homenagear o automobilismo paulista. O evento deu-se em função da aprovação da lei 15.780/2013 que inclui na lei 14.485/2007 as etapas do campeonato paulista de automobilismo na lista de eventos oficiais do município de São Paulo.

A sessão teve inicíio às 20:00 horas, com a presença de personalidades do automobilismo, e incluiu na mesa o vereador Mário Covas Neto, piloto de competições que já se retirou das pistas, muito embora seja ainda apaixonado pelo esporte.

A sessão foi conduzida pelo vereador Floriano Pesaro, autor do projeto de lei. Discurssaram vários nomes com ligação ativa no nosso automobilismo, inclusive Roberto Da Silva Zullino, mentor e diretor técnico da F-Vee Brazil. Este em particular, protagonizou um ótimo momento de bom humor ao declarar que a F-Vee é sua filha e por consequencia não possue defeitos.

Para quem interpreta essas ações como meramente políticas é bom lembrar-se de alguns pontos muito importantes que valorizam o novo status do nosso automobilismo, de evento oficial.

Na sua palavra, o vereador Mário Covas Neto lembrou dos custos de manutenção do Autodromo José Carlos Pace e das despesas geradas em função da realização da etapa brasileira da Formula 1.

O autodromo é de propriedade do município e tem um custo de manutenção elevado. Pilotos da velha guarda são testemunhas de um tempo em que desviavam de buracos no meio da pista, condição hoje substituida por um asfalto mais similar a um tapete. Não bastando os custos de manutenção, é a Prefeitura quem arca com as despesas de reforma previstas no contrato com a Formula 1, coisa que inclui tambem os serviços associados ao evento, como por exemplo a presença da CET na semana da prova.

O vereador lembrou que isso significa despesa apenas para o município, e o retorno é obtido  somente de forma indireta. Posto isto, considero que na verdade a inclusão das etapas do paulista de automobilismo no calendário oficial do município, tem o valor de retribuição ao esporte e ao munícipe, uma vez que dito calendário tem lugar no nosso mais importante autodromo, custeado inteiramente pela prefeitura, e com uma infraestrutura e manutenção que até então visaram uma única prova anual de um calendário internacional de uma categoria igualmente internacional. Nada mais justo que divulgar e dar apoio à realização de um evento esportivo numa praça do município, que tem a sua estrutura guiada prioritariamente a atender uma prova específica, no mesmo local onde ocorrem outras regionais.

O nosso automobilismo já projetou no país e no mundo muitos nomes importantes e, sem nenhum demérito aos outros estados, figuramos como o mais importante neste cenário. Tanto que aqui mesmo se deu a mais tradicional prova de endurance brasileira, a Mil Milhas, e tambem foi aqui que ingressou a Formula 1, onde ainda a prova é realizada. O automobilismo paulista fez muito por merecer a homenagem.

Não tenho conhecimento de homenagem similar na historia desse esporte, e tambem é a primeira vez que ouço dizer que uma categoria foi homenageada, no caso a Divisão 3. Esta, se tornou já uma lenda do esporte e hoje ainda há uma legião de fanáticos que desejam vê-la de volta às pistas. Nas competições de carros de turismo, a Divisão 3 deixou lembranças muito caraterizadas pelos grids onde fuscas, que com muita sorte passavam dos 120 na descida, nas pistas chegavam a impressionantes 215 km/h no final da antiga reta de 900 metros.

Seguem algumas fotos do evento.
(Outras fotos e mais detalhes podem ser encontrados no blog Histórias Que Vivemos, e no Grupo Divisão 3 no Facebook)


Carros de competição expostos na entrada do prédio da Câmara dos Vereadores


Jan Balder - lenda viva do nosso automobilismo, vencedor moral em dupla com Emerson Fittipaldi
das Mil Milhas Brasileiras de 1966, autor do memoravel livro
Nos Bastidores do Automobilismo Brasileiro

Alfredo Guaraná Menezes - veloz piloto de monopostos, que protagonizou grandes
disputas na Super Vê, entre outros com Marcos Troncon.

Bird Clemente - lenda do automobilismo na fase que ficou conhecida como
'nova geração', muito lembrado pela sua particular habilidade de
controlar o carro nas saídas de traseira

Patrícia Pace - filha de José Carlos Pace, uma das nossas grandes promessas na F1,
recebendo homenagem em nome do pai

Anísio Campos - o Barbosa, como é conhecido pelos amigos, é um dos nossos grandes
artistas plásticos, e designer de carroçarias que deixou a sua assinatura no Carcará
veículo recordista do kilometro lançado na categoria 1 Litro, na década de 1960.

Arturo Fernandes - bi-campeão da Divisão 3

Pedro Vitor De Lamare - hábil pilôto muito lembrado pela condução do seu
Opala Divisão 3, um veículo que exigia muita habilidade do pilôto

Roberto da Silva Zullino - mentor e diretor técnico da F-Vee Brazil,
categoria de muito sucesso que já registra a presença de dois pilôtos
egressos do kartismo

Rui Amaral Lemos Jr. - pilôto da Divisão 3, recebeu a sua homenagem e tambem
a homenagem à Categoria Dicisão 3

Nilson Clemente - figura pouco lembrada pelos mais jovens, é irmão de Bird Clemente e seu
contemporâneo nas pistas

Paulo De Melo Gomes - um dos maiores nomes da Stock Car, deu show nas pistas quando
pilotava na chuva. Razão pela qual o seu numeral 22 era citado como
'dois patinhos na lagôa'. Aqui sendo convidado a mostrar a sua performance,
entrevistando Arturo Fernandes

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Pietro Fittipaldi – buscando o record do avô?

Emerson e o neto Pietro


(imagem: reprodução Folhapress)

Quem da minha geração não vibrou muito com as vitótias de Emerson Fittipaldi que na sua época tornou-se o mais jovem campeão da maior categoria de automobilismo do mundo, a F1? Quem não torceu para vitórias do seu sobrinho Christian?

Nós e os mais jovens estamos prestes a viver a típica expectativa que surge quando um Fittipaldi larga numa prova da F1. Com apenas 17 anos de idade Pietro Fittipaldi, neto do nosso eternamente celebrado bi-campeão Emerson, apontou a sua carreira para o caminho que o leva à F1. Carlos Slim é o homem que dá o imprescindivel apoio à carreira de Pietro nas etapas antecedentes da F1.

Na matéria do UOL - Fittipaldi celebra ajuda de homem mais rico do mundo para ver neto na F-1 – Emerson Fittipaldi lembra que a trajetória é dificil e que Pietro ainda necessita se adaptar completamente aos monopostos. O garoto apareceu precocemente como campeão da Limited Late Model, uma das divisões da Nascar.

Vamos nos lembrar que estar recebendo o apoio que necessita para atingir o dificil objetivo de ser piloto da F1 não significa que estaremos vendo o jovem Pietro no pódio. Chegar na categoria é muito dificil, como o próprio avô lembra, e ganhar corridas mais dificil ainda. Mas com tão pouca idade e tanto caminho a seguir à sua frente, nada impede que Pietro consiga ingressar na categoria ainda bem jovem, ainda mais considerando-se ser neto de um ex-piloto de grande destaque no meio, condição que sem dúvida vai beneficiar Pietro em diversos sentidos, inclusive o esportivo. Na mente de um jovem desses a ideia de repetir o feito do avô deve estar estampada como uma fotografia. E tempo para isso há. Quem sabe algum dia o Brasil tenha mais uma vez o mais jovem campeão de F1 da história. A história dos Fittipaldis é uma mescla de sucesso e esperanças. Pietro é herdeiro disso e com certeza vai dar tudo de si para ser tão admirado como o seu avô.

Go ahead Pietro.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Dupla perda nas pistas – Zamponi e Vanessa Daya




Foi apenas uma questão de horas para que o cenario das competições de velocidade do Brasil multiplicasse o sentimento de tristeza. A semana começou bem mal, e no próximo sábado quando acontece mais uma etapa do Paulista de Velocidade, com certeza haverá citações a respeito.

Na segunda-feira fomos surpreendidos pelo falecimento de Marcus Zamponi, o Zampa, jornalista da velha guarda que passou pela March F1 nos anos 1970, Auto Esporte, Racing, entre outras. Fora uma grande quantidade de textos elogiados, Zampa deixou tambem uma fila de amigos. Falei com esse personagem do jornalismo automotivo apenas uma vez, e faz tanto tempo que nem me lembro quando. No blog do Flavio Gomes uma postagem noticiando a passagem do amigo deixa clara a grande falta que fará no meio.


Nem bem o Zampa subiu para o andar de cima e outro acontecimento tornou o inicio da semana ainda mais triste. A piloto de motovelocidade Vanessa Daya faleceu nessa madrugada no Hospital de Base de Brasília, após as consequencias de um tombo no Domingo no Autodromo Nelson Piquet, na categoria Superbike.

Ontem no perfil do Facebook dela, as mensagens de condolencias foram momentaneamente substituidas por uma esperança quando foi noticiada a confirmação de sinais neurologicos após um exame no final da tarde. Mas a esperança acabou na madrugada dessa quarta-feira. Tinha tão somente 31 anos e como todos os fanaticos da velocidade, com certeza era alguém que vivia intensamente a adrenalina das pistas. Para estas pessoas a vida acontece assim. Para elas a velocidade é vida tambem. Alguem que já vivenciou um acontecimento desses dentro do autodromo, sabe o impacto que causa, sentido como um silencio dificil de descrever. Abaixo uma matéria do Correio Braziliense noticiando o fim de Vanessa.


Tudo isso no ano em que tambem partiu desta para outra o Barão Wilson Fittipaldi, após mais de 9 decadas muito bem vividas. E tambem, para quem não se lembra, neste mesmo ano completaram-se 50 anos da morte de uma das nossas grandes promessas dos anos 1960, Christian Heins. Defintivamente 2013 não será ano de grandes lembranças nas nossas pistas.