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sábado, 25 de junho de 2016

Nos Bastidores do Automobilismo Brasileiro, V2 – Por Jan Balder



(esta vem a ser a ultima postagem do Amigos Velozes)

No ultimo dia 21/06, Jan Johannes Hendrik Balder, meu amigo Jan, ou Omelete, como é conhecido por todos os seus contemporaneos, lançou o segundo volume das suas memórias – Nos Bastidores do Automobilismo Brasileiro – Uma Era de Ouro. O evento deu-se na Pizzaria Cristal e contou com a presença de uma fila de amigos que vivenciaram o mesmo esporte de Jan, na mesma época.

Não fomos apenas a um lançamento mas tambem para parabenizar Jan Balder pelo seu aniversário. Como disse a ele antes de sair, “Parabéns pelo niver, Parabens pelo livro, Parabens por tudo”.

Há um ano este livro começou a se tornar realidade previsivel e resolvi esperar o seu surgimento para ser tema do encerramento do meu blog, coisa que explico em poucas palavras no final. E não poderia ter escolhido tema mais adequado, dado o notório valor do seu conteúdo.

Não se trata de uma mera continuidade mas de uma valorosa cronologia de lembranças de bastidores de um período em que o nosso automobilismo era o nosso 'segundo futebol', na minha forma de entender as coisas. Amanhã, quem quer que seja que se interesse em pesquisar a história do nosso automobilismo tem nesses dois livros não apenas referencias mas um conteúdo significativo, de grande valor para os efeitos de uma pesquisa.

O livro aborda o período de 1973 a 1982. Nessa época já tinhamos um campeão do mundo, Emerson Fittipaldi, e estavam 'no forno' aqui mesmo no Brasil pilotos que fariam o nome tanto aqui no nosso próprio território como lá fora tambem. Entre estes destaque-se Nelson Piquet que seguiu para a Europa para guiar monopostos, levando consigo na bagagem a experiencia de pilotar monopostos inteiramente ajustáveis, assim como a sua incrivel habilidade.

Em outras palavras, foi nos anos 1970 que o mercado europeu tomou conhecimento de um automobilismo brasileiro que era capaz de mandar para lá os nossos jovens velozes, sem que para isso tivessem que fazer escola do zero lá.

Foi nesse período que surgiram no Brasil a Formula Super Vê, a segunda edição da Fórmula Vê, a Divisão 4, a Opala Stock Car, sem contar a F2 Sulamericana onde brasileiros, pilotos e preparadores, disputaram com os melhores argentinos nas nossas pistas e nas deles. Sim, essa foi uma era de ouro, sem dúvida.

Jan Balder era piloto nessa época e passou a chefe da própria equipe, mais tarde comentarista de F1, e escritor. Apenas para justificar o termo bastidores do título, há uma passagem em que Jan conversa pela primeira vez com um conhecido kartista na época, numa padaria da Vila Madalena. O garoto veloz queria ouvir um pouco da experiencia de um piloto maduro e reconhecido. Foi assim que Jan e Ayrton Senna conversaram pela primeira vez.

Há muito mais e só posso recomendar a quem ler essa postagem que adquira o livro, o que pode ser feito atravéz do email de Jan Balder – jbalder@terra.com.br. Quem não leu o primeiro pode encomenda-lo tambem.

A capa, a imagem desse post, deixa clara a gratidão e saudade de Jan Balder pela sua esposa Tereza, que lamentavelmente nos deixou no ano passado, meio órfãos da sua reconhecida simpatia e amabilidade.

Faço disso o final das postagens deste blog pois não vejo uma justificativa para dar continuidade a algo que se atualiza apenas uma vez por ano. O blog me trouxe satisfações e amigos novos, já foi usado como referencia, já foi replicado e até giletado. Acho sinceramente que a missão está completa. E encerra-la com um temas desses considero uma forma muito gratificante.

Muito obrigado a todos os meus amigos que me acompanharam.
Muito obrigado a voce Jan Balder!

domingo, 26 de abril de 2015

Lúcio Pascual Gascòn - o Tchê



Se o dia de hoje é triste para o kartismo nacional, para mim é mais triste ainda. Em 3 semanas perdi 3 amigos. Primeiro o Paulo Costa, conforme notifiquei nesse post. Hoje pela manhã recebi o telefonema de uma amiga da minha mãe me notificando do falecimento do seu marido, Pedro Rocha, que trabalhou com o meu pai no final dos anos 1950 no Laboratórios Squibb. Compareci ao velório e após o sepultamento seguimos para a casa dele numa reunião de família afim de quebrar o clima triste durante um lanche e muitas conversas.

Foi quando recebi um telefonema do Jan Balder me informando que o Tchê havia falecido. A minha cabeça deu hoje uma volta imensa pelo passado. Foi como se eu tivesse revivido vários sentimentos da minha vida em prazo record.

Tchê é mais lembrado por ter sido a pessoa responsável pela preparação dos motores do Ayrton no kartismo nacional, mas trabalhou tambem com muitos outros campeões que brilharam tambem no automobilismo, como por exemplo, Emerson Fittipaldi.

Do Tchê, fora a amizade ótima, guardo uma lembrança como um tipo de fotografia de um momento que virou registro mental. Num sábado à tarde passei na sua anterior oficina na Av. Jangadeiro e havia treino da Stock nesse dia. Mesmo tendo o que fazer ele ficou conversando comigo no fundo da oficina por um tempão, ao som dos motores roncando no autódromo. O mais típico ambiente de ofcina para quem adora velocidade.

O Tchê era um cara especial. Falava de tudo, era um poço de lembranças do kartismo, e estava sempre pronto a explicar algo a alguem sobre motores, pista ou hitórias. Comecei a contar as suas hitstórias mas infelizmente isso se resumiu ao primeiro e único post, aqui neste link. Não tive condições de continuar a empreitada e perdi uma incrivel oportunidade de registrar um monte de coisas sobre a vida dele. Falar com ele era coisa que voce poderia fazer por horas sem se cansar, e ele também. Tinha o peculiar hábito de realçar determinados pontos da conversa com os olhos. Por isso escrevi certa vez que ele falava com os olhos sobre as suas passagens das quais guardava detalhes minuciosos.

Perdi um amigo, num final de semana incrivelmente triste. Tenho um a menos para conversar e me sinto um pouco mais afastado das coisas que eu valorizo na vida.

A foto do post é minha, na oficina do Tchê. O motor é o último motor que ele preparou para Ayrton Senna antes dele seguir para a sua carreira na Europa.
Como muito bem disse o Jan hoje, a fila está andando. Eu apenas gostaria que ela andasse bem mais devagar. Dessa vez foi quase a jato.

domingo, 5 de abril de 2015

Paulo Nunes da Costa (1954 - 2015)

Paulo Costa, Ariadna e o filho em 2006 (foto: Amika)
Recebi telefonema do Guilherme, filho do meu amigo Paulo Costa, dando conta do falecimento dele hoje à tarde. Ele estava internado na Beneficiencia Portuguesa desde Dezembro de 2014. Pude visita-lo nesse período e fiquei muito contente em poder dar algumas risadas no meio de conversas sobre muitos temas. Um que me chamou a atenção foi o seu desejo de comprar um baixo acústico para praticar algo que eu não sabia que ele fazia: tocar instrumentos de cordas.

Conheci o Paulão em 2006 num sábado no Kartódromo Granja Viana. Fomos os dois treinar e eu não imaginava que estaríamos no mesmo campeonato naquele ano, caso eu não tivesse quebrado uma costela pouco antes da primeira prova.

Ainda me lembro que foi na reta oposta que vi um cara familiar na minha frente e o ultrapassei. Talvez a única vez que ultrapassei o Paulão na vida. Poucas semanas depois vejo no box o mesmo cara com o mesmo jeitão. Começou aí uma amizade num período em que a única coisa que eu podia fazer era observar as corridas, razão pela qual um dia resolvi lhe fazer sinalizações do box. Às custas do empenho dele, e com o incentivo de alguns sinais meus, ele terminou melhor, se não me engano em sétimo ou sexto. Ficou contente, claro, e me agradeceu.

Foi com ele que treinei algumas vezes e tambem com ele que fiz a ultima prova no anel externo no Endurance Noturno. Até gravamos na lanchonete do kartódromo certa vez depois de um treino, com a ilustre presença do Jan Balder. Um grande gente bôa, sempre sorridente e que gostava da vida tanto quanto todo cara que eu conheci que gosta de velocidade.

Na foto do post, em 2006, o Paulo aparece com a esposa e o filho menor. Vai fazer falta.

Vai com Deus amigão!

domingo, 22 de março de 2015

Please, could you explain it?

Vou tentar ser o mais breve possível, mas não posso deixar de colocar algumas considerações que entendo serem significativas. Na corrida da Austrália vimos um espetáculo digno de questionamentos diversos. O ultimo colocado, Button, foi um autentico azarado por não ter contado com a quebra de mais um dos carros do pelotão da frente, situação que faria o ultimo colocado marcar um ponto no campeonato. É visivelmente bizarro. Piquet faria troças aos montes de uma situação dessas, ainda mais tratando-se de uma McLaren.

Ao mesmo tempo os brasileiros festejaram um claro desempenho bem produtivo de Felipe Nasser, que por muito pouco não entrou no Q3 na classificação, na sua prova de estréia como titular. Finalizou em quinto. Parabéns, ele merece.

A Mercedes fez o papel previsivel e deu um genuino passeio na pista sem se incomodar com qualquer concorrencia e ainda tendo pista livre pela impressionante ausencia de retardatários. Há um abismo de performance entre eles o os outros. Parabens tambem ao Hamilton que sabe tirar o maximo do seu equipamento o tempo todo. Senão não poderia ser um campeão.

A exclusão do GP da Alemanha, anunciada nesta semana é notícia que surpreende no que diga respeito ao atrativo que a categoria pode oferecer. Neste ano, com calendário já publicado, não teremos uma prova que é parte da história da categoria desde o seu estabelecimento. É mais ou menos como a quarta-feira deixar de ser o dia da feijoada, guardadas as devidas diferenças. Uma situação “sem graça”.

Afinal, onde anda a graça da F1? Onde está o futuro da categoria do futuro? O que atrai,ou repele, o público?

Para fazer um paralelo, faço uso de velhas lembranças minhas.

Nos anos 1960 o mundo voltou as suas atenções para os vôos espaciais, com razões muito compreensíveis. Era uma coisa inédita, nunca realizada pelo homem naquelas condições. Três coisas básicas mantinham as nossas mentes ligadas aos acontecimentos nos dias de uma missão das Apollo:
- o lançamento, uma impressionante demonstração de poder e de ousadia.
- as imagens internas do vôo, onde se viam esquisitos painéis mais incompreensíveis que os de um avião.
- as imagens dos tripulantes de volta ao lar, sãos e salvos.

Não fazia muita, ou nenhuma, diferença se o APU de um Saturno V usava AVGAS ou Hidrazina. O que atraía era o espetáculo que envolvia muitas coisas além de uma tecnologia sofisticadíssima. Hoje, vôos semelhantes não causam sensação. Não há mais algo realmente surpreendente. Fora isso, hoje você pode ter o twitter de um astronauta na sua lista e sequer precisa ler uma pagina de jornal para ter as informações mais recentes. O mundo de hoje chega até você, não é mais você que vai até ele.

No mesmo período o nosso campeão Emerson pilotava um carro de engenharia de alto nível, mas com conceitos básicos perfeitamente dentro da nossa compreenção. Todos nós éramos capazes de andar com um carro com um volante, três pedais, uma alavanca de cambio e quatro rodas. Se um pneu estourasse, isso era tão visivel e compreensivel como nos nossos carros. Se um cambio quebrasse uma marcha era possível suspeitar disso antes do carro parar. Se ele parasse por falta de combustivel, ou o piloto pisou demais ou vasou. E assim por diante.

Enfim, a F1 era muito mais próxima da compreenção do ser humano comum, mesmo estando numa dimensão acima. No mundo, a parcela de pessoas que têm compreenção melhor de tecnologias sofisticadas é pequena. Milhões e milhões são médicos, advogados, jornalistas, escritores, artistas, atletas, cozinheiros, padeiros, pedreiros, todos com pouca, ou às vezes nenhuma, afinidade com tecnologias de alto nível. Pior ainda nos dias de hoje em que são controladas digitalmente, de forma sistemica.

Essas mesmas pessoas eram capazes (e ainda são) de dirigir automoveis como aqueles que descrevi acima. Gostaria de saber como uma categoria vai explicar a essas pessoas que um moto-gerador num momento impulsiona um dispositivo e em outro gera energia impulsionado? Como alguém deve interpretar corretamente que um carro com motor Ferrari ande na frente de uma Ferrari e bem próximo da outra à frente, sem com isso atribuir essa situação aos pilotos? Como deve ser entendido um evento em que o Alonso sai da pista, supostamente por uma rajada de vento, no mesmo local onde os outros passaram sem bater? Como você entenderia que ele poderia ter levado um choque e desacordado, lembrando-se de que não estamos falando da tensão de 110V da sua tomada e sim algo muito acima disso? Quando Felipe Massa diz que não foi ao pódio por conta de uma estratégia deficiente da equipe, você deve entender que a equipe dele foi mal ou o concorrente foi bem?

Como você vai valorizar um piloto nesse cenário dificilimo de julgar? Button foi o heroi azarado que carregou o carro nas costas, tal e qual um Davi? Hamilton é o cara dos caras porque tirou o maximo possível de um equipamento super eficiente, volta a volta, e então ele é a versão 2015 do Schumi? Nasser foi apenas um sortudo que competiu com outros dez onde deveriam estar vinte? Quando Alonso voltar (certamente voltará), qual explicação ele vai dar para um carro que ainda estará andando atrás? Qual explicação que a equipe vai dar para a explicação dele?

Essa babilônia de dificil interpretação da categoria é coisa que sem dúvida não atrai o público como já atraiu num passado em que você conseguia entender a dimensão da pilotagem de um carro que guardava semelhanças básicas com os nossos. Sabíamos que não tinhamos capacidade de pilotar um carro desses porque sabíamos que isso estava muito além da nossa capacidade de manejo. Hoje esses mesmos carros estão disponíveis para garotos que não têm nem licença para dirigir nas avenidas. Não é mais coisa para homens, na interpretação clássica do que significa ser homem. É coisa para alguém que sabe manejar algo que não temos saber nem compreenção suficientes, e que o próprio piloto ainda irá adquiri-la no mesmo momento em que já consegue fazer tempos que o autorizam a pilotar numa corrida.

Se você quiser pode encontrar no Google o procedimento de start de um foguete Saturno V – uma longa lista detalhada de procedimentos em sequencia. Não encontrará o mesmo a respeito de um F1. No entanto, essas coisas hoje têm valor apenas para algumas pessoas que se interessam em se aprofundar nesses temas por razões bem específicas. A maioria do público que apenas assiste esses eventos quer ver o espetáculo em si. Não vão empregar um único minuto das suas vidas para entender minúcias tecnológicas que são veiculadas com valorização acima do propósito principal do evento, como se estivessem enchendo páginas de texto que tiram o espaço de outros assuntos que talvez sejam apenas repetitivos hoje em dia.

Pior ainda quando o evento não consegue contar com todos os participantes, que possuem as tecnologias mais sofisticadas e confiáveis, e nem com todas as etapas em um esporte onde as cifras são giantescas mas alguns dos participantes estão inexplicavelmente falidos, a ponto de poderem estar numa corrida mas sem poderem participar dela.

Definitivamente o atrativo da F1 precisa ser esclarecido. Antes não era necessário.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Indy 300 - Decepção ou vergonha?



Num dos textos que li acunciando o cancelamento da Indy em Brasília, constava que a organização da categoria se sentia decepcionada com o repentino anuncio. Particularmente, acho que se trata de uma vergonha e não de uma decepção.

Vão longe os tempos em que o nosso bi-campeão Emerson ingressou no automobilismo americano, renasceu como piloto profissional, e brilhou mais uma vez numa categoria de ponta internacional. Naquela época, mesmo sabendo-se que os carros da Indy eram mais lentos que os F1, a categoria era uma atração para os brasileiros que experimentaram uma ansiedade particular por vitórias do campeão.

A categoria fez um público considerável no Brasil, e até a transmissão foi um diferencial pois, era uma alternativa para a monotonia da transmissão a F1. Os ovais passaram a ser assuntos dos comentários dos torcedores brasileiros e ainda antes de Emerson se aposentar a Indy teve uma etapa brasileira inserida no calendário. Era a primeira vez que a categoria vinha para as nossas terras, num famoso autódromo, do qual restam hoje apenas fotos.

O tempo passou e a prova do Rio não vingou e anos depois veio para São Paulo. Mais uma vez tivemos a esperança de termos um evento diferente. Uma prova em circuito de rua, o qual veio a ser o único do Brasil no qual o torcedor poderia chegar lá de metro. Infelizmente, logo na primeira prova ficamos com a impressão de que o amadorismo entrou em cena e por pouco o evento não deu um vexame, por conta da reta das arquibancadas do sambódromo cujo piso era incompatível com carros como aqueles.

Mais uma vez o evento não permeneceu e ficamos de novo sem uma etapa do Indy no calenádrio. Tudo parecia muito otimista com o anuncio da realização da primeira prova da categoria em Brasília. Houve um pouco de contestação no início mas afinal chegaram a um acordo e a Indy 300 entrou para o calendário da categoria como prova de abertura. Até que.....o Ministério Público entrou no cenário com um despacho contendo um grande número de considerações que finalizaram com a recomendação de que não se realizassem quaisquer licitações para reforma do autódromo.

Tudo bem, caso isso tivesse acontecido bem antes do contrato e não depois de tudo acertado e com aproximadamente 2/3 dos ingressos vendidos. Vamos nos lembrar que quem comprou um ingresso quer ver o evento pois foi isso mesmo que motivou a compra, e que americanos (sim eles compram tambem), encaram muito mal essas situações. Para nós ainda sobra um prejuízo adicional no próprio autodromo. Já começaram as obras que, repentinamente não terão continuidade pois as licitações foram suspensas, a apenas 30 dias da bandeira de largada. Não termos a prova, o autódromo vai ficar com cara de ruína e duvido, mas duvido muitissimo que a categoria volte para o Brasil mais uma vez.

Me custa entender qual a justificativa de se impedir o prosseguimento dos trabalhos quando os contratos já estavam assinados e restando apenas um mes para o evento. Me custa entender porque não apenas o próprio ministério não entrou no assunto muito antes, e tambem porque devemos aceitar sem questionamentos a perda de um evento desses num período do ano em que aumenta o fluxo de turistas estrangeiros. Tambem não sei porque isso tudo acontece no ano seguinte à realização da Copa do Mundo e um ano antes da realização das Olimpíadas.

Claro que há argumentos, mas claramente não há planejamento seŕio. Os americanos vão ler isso tudo como falta de seriedade. Eles fizeram a parte deles e há uma outra que é nossa. Eles aceitaram um compromisso e entendem que devemos cumprir os nossos. Pior ainda é terem escolhido o Helinho Castroneves para comunicar ao público a decisão. O papel dos pilotos é apenas pilotar. Decisões das catagorias deles, cabem aos dirigentes comunica-las.

Enfim, é o que eu chamaria de uma vergonhosa decepção. Uma que os americanos com certeza não vão querer viver outra vez. E viva a nossa costumeira mediocridade. E tambem não nos esqueçamos de acender de vez em quando algumas velas para o nosso maior defunto esportivo - a automobilismo nacional.

domingo, 23 de novembro de 2014

Hamilton - Primeiro negro na F1 é bi-campeão


Num cenário bastante favorável desde o início da corrida, Hamilton consquistou hoje o seu segundo título na F1 e o primeiro da Mercedes depois de Fangio. Fez história, além de uma bela corrida e muita festa. Não bastasse isso contou tambem com os cumprimentos do seu mais duro adversário nesta temporada, o seu companheiro de equipe Nico Rosberg.

Não foi o que se pode chamar de uma vitória brilhante pois a corrida foi se tornando aos poucos um passeio para ele. Na largada Rosberg perdeu a primeira posição para Hamilton e pouco tempo depois o carro começou a manifestar um decrescimo de performance tal que, Rosberg chegou a virar retardatário nas ultimas voltas. Portanto, a vitória de Hamilton não se deu na condição de disputa direta com o único que lhe poderia tirar o título.

Isso não lhe tira o merecimento tanto da vitória na corrida como da vitória no campeonato. Mereceu as duas e tambem deixou claro que mesmo tendo condições de aliviar o ritmo continuou fazendo a sua corrida na performance que lhe traria a vitória. Nas voltas finais viu Massa se aproximar bastante e mesmo que o brasileiro tivesse chegado a encostar, duvido que Hamilton não disputasse a posição apesar de já ser o campeão nesse momento.

O garoto mostrou que é um piloto muito eficiente, que sabe usar tudo o que o seu carro pode oferecer, e que sabe buscar o caminho da vitória. Embora a corrida de hoje não tenha lhe oferecido dificuldades, o campeonato não foi precisamente assim para ele, e nessa condições soube dar sempre o máximo de si tendo a meta de ser campeão bem nítida e administrada.

A Rosberg faltou sorte dessa vez, mas tambem pontos nas corridas anteriores. É uma pena que o seu carro lhe deixou na mão dessa vez. A largada ruim já pode ser lida como um indício de problemas que se agravaram depois. Caso não tivesse enfrentado os problemas com a sua máquina, ainda que perdesse o campeonato, o faria depois de uma disputa pela vitória em alta temperatura. O cenário que não teve tanta graça assim para Hamilton, foi de profunda decepção para Rosberg. Perder faz parte, mas é dificil demais perder sabendo-se que é capaz de ganhar.

Como dizia outro grande campeão da Mercedes, Fangio, corridas são corridas. Deu Hamilton porque era assim que deveria ser este ano e ponto final. O campeonato está definido e agora resta aguarda o início do próximo.

Para Massa a sensação pode ser comparada a uma de vitória. Decididamente a Williams dessa temporada não é páreo para a Mercedes, mas nessa corrida chegou muito perto da primeira colocação. Como o campoenato estava resumido aos dois da Mercedes, atrás deles havia uma segunda disputa. Massa, que começou o ano  mal, foi se recuperando e ficou na frente do que eu chamaria de segundo pelotão, andando forte e subiu ao pódio novamente, hoje em segundo lugar. Trouxe junto o seu companheiro Bottas, que largou mal e terminou um tanto distante de Felipe na prova.

A F1 teve hoje uma baixa no grid para o ano que vem. Tão logo a corrida terminou, na volta de desaceleração Button, que terminou em quinto, fez um zerinho, o que deixa claro que está mesmo de saída da McLaren e da categoria. Fica tambem muito mais óbvia assim, a possibilidade de ser Alonso o ocupante da sua vaga em 2015 na McLaren.

Falando-se de mudanças, Alonso terminou uma posição atrás de Vettel, que finalizou em oitavo. Gostaria de saber o que se passa na cabeça de Vettel, sabendo que será este carro que ele vai pilotar em 2015. Respondo que passam coisas que não sabemos pois ainda não ouvi falar de um campeão que tenha preferencia por andar em um carro bem menos efeiciente do que aquele que tem a disposição hoje. Enfim, é provável que a Ferrari seja outra em 2015. Ou não. Tudo é possível.

Congratulations Mr. Lewis Hamilton!

sábado, 11 de outubro de 2014

Kartismo paulistano - uma justa homenagem


No dia 1 de Outubro último, apenas a alguns dias de se completarem 40 anos do bi-campeonato de Emerson Fittipaldi na Formula 1, o kartismo paulistano foi homenageado na Camara Municipal de São Paulo. A sessão solene foi presidida pelo Vereador, e Deputado Federal eleito, Floriano Pesaro. Ele é o autor da lei 16053/2014 que inclui esse importante esporte formador no calendário oficial de eventos do município de São Paulo.

A iniciativa é muito justa, levando-se em consideração o que a modalidade representa para o esporte a motor do país. Nossos 3 campeões de F1 foram kartistas, assim como outros barsileiros importantes como Rubens Barrichello, Felipe Massa, Tony Kanaan, Helio Castroneves, Bia Figueiredo, só para citar alguns muito conhecidos. O kartismo foi, e ainda é, um celeiro de pilotos. E os irmãos Fittipaldi tambem têm uma participação muito especial no nosso kartismo.

Em Agosto de 1960, Wilson Fittipaldi Jr. disputou a primeira corrida oficial de karts do país no bairro Jardim Marajoara, ao mesmo tempo que o seu irmão Emerson assistiu tudo do lado de fora pois não tinha a idade mínima aceita para ingressar na prova. Um dos participantes dessa prova antológica foi Paulo Manoel Combacau, o Maneco, possuidor de uma memória fantástica dessa época, bem como uma lista de amigos de fazer inveja. Ele foi um dos homenageados na Camara Municipal, ao lado de Wilson Fittipaldi Jr., Lúcio Pascual Gascòn, o Tchê, Carol Figueiredo, Chico Lameirão, Mário de Carvalho, e muitos outros que tiveram participação ativa no kartismo, seja como piloto, seja como preparador.

O ano de 2014 não foi dos mais memoráveis para o kartismo pois perdemos dois nomes importantes desse esporte. Dionisio Pastore, incrivel piloto campeão que dividiu curvas com uma geração inesquecivel, e Rino Genovese, lendário preparador apaixonado pelo que fazia e sempre disposto a contar as suas histórias. Mas apesar disso terminamos o ano com a boa notícia da inclusão desse esporte na lista de eventos oficiais, o que significa garantia de calendário e iniciativas de melhora da infraestrutura do kartódromo de Interlagos, o nosso maior emblema nesse esporte.

A sessão contou com a presença do presidente da FASP, José Aloízio Cardozo Bastos, o vice Élcio de São Thiago, Wilson Martins Poit, presidente da SPTuris, João Miralle, administrador do autódromo e kartódromo de Interlagos, e José Eduardo Avila, promotor do Campeonato Paulista de Kart.
Outra presença importante foi o cineasta carioca Perdro Martins Rodrigues, que até o momento foi o único a ter a idéia de produzir um documentário sobre o kartismo. Durante a sessão de homenagens foi exibido o teaser do filme Kart História de Campeões, que conta com depoimentos de ícones da modalidade, bem como imagens da época.

Parabéns aos kartistas e preparadores que fizeram a história desse esporte no nosso município.
Parabéns ao Vereador Floriano Pesaro pelo interesse demonstrado por esse esporte.
Viva o nosso kartismo!

Abaixo, algumas fotos do evento.



domingo, 27 de julho de 2014

Hungria - Pista velha é que faz corrida bôa



Foi assim que Alessandra Alves, comentarista das transmissões da F1 na Band News, definiu antes mesmo da corrida o que realmente se deu na prática - uma corrida bôa, dessas que dá gosto assistir.
A começar pelo tempo a pista apareceu molhada mas sem chuva, uma condição que os pilôtos não gostam pois, se assim permanece, em poucas voltas forma-se um trilho sêco do qual os carros não podem sair pois encontram asfalto molhado em seguida. E foi justamente essa condição que movimentou a prova no início.
Na volta de apresentação Kyviat apagou o motor e teve que largar dos boxes, juntando-se a Lewis Hamilton que teve o carro incendiado ontem na classificação. Na primeira volta Rosberg manteve a primeira posição seguido por Bottas, Vettel e Alonso. Massa caiu para oitavo e Hamilton escapou logo no meio da volta incial. Não parecia um começo simples para ele. O rendimento das Mercedes como sempre era um destaque e mesmo nas condições da pista Rosberg abriu mais de 6s sobre Bottas até a 6a. volta, uma performance tipica das Mercedes nesse ano e que sinalizava mais um passeio da equipe. Até que.....

Ericson bate e entra o safety car na pista, ao mesmo tempo que inciam os pit stop's. Massa foi um dos que veio para os pit's imediatamente, o que lhe conferia uma vantagem em relação aos demais, Por incrivel que pareça durante a as voltas com safety car Grosjean bateu e isso mudou um pouco mais o panorama da corrida. A bandeira amarela na pista se prolongou e isso significou mudança de estratégia no uso dos pneus e combustivel. De fato, a corrida começou a se tornar boa, ao menos para quem não tinha batido.
Na relargada Ricciardo estava na ponta seguido por Button. Não durou muito e Button assumiu a liderança, enquanto Massa aparecia em terceiro. Finalmente Massa estava à frente do seu companheiro de equipe. Mas Button ainda precisava fazer o seu pit stop e assim Ricciardo assumiu a ponta novamente, deta vez seguido por Massa e Alonso.
E Sergio Perez coloca novamente o safety car na cena ao rodar e bater violentamente na reta dos boxes. Mais redução no consumo de combustivel e pneus. Definitivamente a prova ia se tornando imprevisivel. Ricciardo, Massa e Bottas seguem para mais um pit stop. Na relargada Alonso veio na ponta seguido por Vergne, que fazia uma bela prova, Rosberg e Vettel. Massa voltou em sétimo, uma posição atrás da sua posição de largada, ainda antes do meio da prova. O azar atribuido a Massa parecia ser apenas uma lembrança ruim.

A essa altura a pista estava completamente sêca e embora houvesse nuvens não caía uma gota de água. A escolha de pneus foi óbvia - slicks soft. Com a velocidade aumentando os riscos tambem aumentam e por muito pouco Vettel não provoca mais um safety car. Subiu na zebra na entrada da reta, rodou e raspou o muro com a roda traseira esquerda. Mas continuou na prova normalmente. Hamilton, que havia largado das catacumbas do grid estava agora em segundo lugar. e à frente de Rosberg que passou a andar num ritmo inferior ao seu habitual, aparecendo agora na 10a. colocação depois do seu pit stop. Ricciardo vai para a troca de pneus e Hamilton assume a ponta, com Alonso em segundo. Ricciardo volta na terceira colocação e atrás dele Felipe Massa.

Logo em seguida Alonso vai para o pit e depois dele Hamilton. Ricciardo assume a liderança e Massa vem em segundo. Mas Massa ainda deveria fazer ao menos mais um pit. Voltou na sexta colocação depois dessa troca mas atrás de Bottas. Enquanto os da frente usavam os soft's, Massa voltou a pista com o intermediario numa clara intenção de terminar a prova sem retornar aos boxes novamente. Restava saber o que se daria com Bottas que ainda deveria fazer mais uma troca.

Ricciardo vai para mais um pit e Alonso assume a ponta novamente, seguido por Hamilton e Rosberg. Ricciardo volta do seu ultimo pit em terceiro na volta 54. Aí a corrida começou a tomar o seu contorno final e quem estava na frente nessa hora tinha ao menos combustivel de sobra para usar. Foi nesse cenário que Hamilton fez o que o público quer ver - disputou posição com o companheiro de equipe contrariando as ordens da equipe para dar passagem a Rosberg. Fez o correto, é isso que dá brilho a categoria, e que nós já vimos em outras épocas da F1. Assim, com Rosberg tendo que fazer outro pit, não apenas não ultrapassou Hamilton com tambem perdeu um bom espaço em relação à este. Resumindo, Hamilton venceu a parada interna na marra.

Massa tinha um jogo de pneus que deveria administrar até a bandeirada de chegada, coisa que não é bem o que estamos habituados a ver nas suas participações. Bottas foi para o seu ultimo pit e Massa subiu para a quarta colocação. Outra questão interna sendo resolvida na pista, muito embora nesse caso não se trate de qualquer rivalidade. Massa se mantinha à frente de Bottas na prova, muito embora esteja bem atrás na pontuação.

Mas atrás de Massa vinha a Mercedes de Rosberg nas voltas finais e com pneus novos. Rosberg passou e Massa caiu para quinto. Ele não conseguiria segurar a performance da Mercedes. Lá na frente estavam os tres que iriam para o pódio. Alonso, um dos tres, saiu de frente e atravessou a chicane mas manteve a posição, o que gerou imediatamente questionamentos dos piltotos pelo rádio.

Já no final da prova as disputas estavam entre Alonso, Hamilton e Ricciardo, estando os tres a uma pequena distancia um do outro. Então o vencedor da prova resolveu trabalhar duro. Ricciardo passou Hamilton numa bela manobra, e em seguida passou Fernando Alonso. De terceiro pulou para líder e venceu a prova. Em seguida vieram Alonso, Hamilton, Rosberg, Massa, Kimi, Vetel e Bottas. Uma Red Bull, uma Ferrari e uma Mercedes num pódio onde as duas primeiras colocações vinham sendo da Mercedes.
Sim, realmente pista velha pode fazer corrida bôa.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

GP da Alemanha - festa alemã em casa sem a presença de brasileiros, outra vez.



Para quem é torcedor fanático de F1 e futebol o ultimo GP de F1 deixou uma sensação de que veríamos um brasileiro mostrar uma performance melhor que a nossa pobre seleção de futebol, que sequer disputou a final da Copa. Felipe Massa marcou o terceiro tempo no treino classificatório e estava assim com uma chance imperdível de subir ao pódio, ainda que isso de desse atrás do seu companheiro de equipe.

As esperanças viraram de cabeça para baixo na primeira curva da corrida, quando Felipe colidiu com Kevin Magnussen e capotou em consequencia disso. A organização da prova definiu o evento como típico incidente de corrida, o que de fato foi. Felipe não atirou o seu carro propositadamente sobre Magnussen e este não entrou com o carro na linha de tangencia do brasileiro com o intuito declarado de faze-lo voar pela Williams. Pilotos de F1 não fazem isso pois sabem das consequencias. A realidade é que os dois se encontraram num espaço muito pequeno, com a visão lateral comprometida, e na hora mais propença da corrida a esses acontecimentos.

Portanto, de fato ninguem é culpado de alguma coisa. Mas para Felipe o evento se soma a outros e não soma pontos para a equipe. Aí está a grande questão, a ausencia de pontuação na metade do campeonato não é coisa que agrade a Williams. Não bastasse isso, Bottas fez uma sensacional corrida terminando em segundo lugar, o que deixa claro que Felipe tinha carro para uma boa apresentação.

Azar? Falta de sorte? Falta de competencia? Acretido mais em falta de paciencia, tendo em vista a condição em que ele se encontra no campeonato. De uma forma resumida Felipe perdeu o direito de dar, ou tomar, mais pancadas até o final da temporada. Convenhamos que isso é uma condição que não faz parte habitualmente do mundo da F1. Felipe terá que se virar para conseguir acabar as corridas pontuando na melhor posição que puder. E vai começar a temporada de 2015 (o contrato é de 3 anos) em desvantagem no retrospecto comparado com Bottas. Desejo sorte ao Felipe. Está precisando mesmo.

A corrida em si chegou a ser sonolenta no início. Na relargada estavam à frente do comboio Rosberg, Bottas, Vettel, Alonso, Hulkenberg, nesta mesma ordem. Todos largaram com pneus supermacios e as trocas não deveriam demorar muito. Ricciardo perdeu posições na largada e com isso o seu companheiro Vettel permaneceu à frente dele na corrida até o final.

As coisas começaram a ser mais emocionantes quando se deu a melhor ultrapassagem da prova. Hamilton disputou posição ao mesmo tempo com Ricciardo e Kimi e levou os dois numa só curva. Hamilton fez uma corrida de recuperação pois largou na vigésima posição. Tendo carro para ultrapassar os concorrentes com facilidade foi ganhando posições uma atrás da outra, mesmo estando com penus médios.

Mais outra disputa deu um brilho na prova. Kimi, Alonso e Vettel vinham andando colados e o espanhol levou a melhor. Kimi, claramente não tentou recuperar a posição e fez o jogo de equipe que é muito comum ser visto na Ferrari.

Hamilton chegou na segunda posição na 17a. volta. Mostrou outra vez que a Mercedes é um carro muito acima dos outros, mesmo com a alterção imposta na equipe no equilibrio da suspenção nas frenagens. A Mercedes está muito acima dos concorrentes e deve manter-se nessa condição até o final da temporada.

No final da corrida um evento fez lembrar o trágico fim de Tom Pryce há muitos anos. Sutil rodou e o motor apagou. Como ele estava no lado de dentro da pista a direção de prova optou por não entrar com safety car. Por incrivel que pareça, depois de tantas mudanças visando segurança na categoria, em dado momento 3 fiscais de pista atravessaram a pista na correria e conseguiram tirar o carro da posição em que se encontrava. Qualquer coisa que desse errado nessa hora poderia se tornar tragédia. Felizmente deu tudo certo. Tiveram a sorte que falta ao Massa, essa é a verdade.

Rosberg faturou mais uma vitória seguido por Bottas, Hamilton, Vettel, Alonso e Ricciardo. No pódio um carro alemão, conduzido por um finlandes nascido na alemanha, numa prova na Alemanha. Podolski, que estava presente na prova deve ter dado outros tantos pulos de alegria por ver outra festa alemã num esporte de alto nível. Isso, apenas alguns dias depois de a Alemanha ter faturado o tetra nas nossas terras. Sim, os alemães merecem os louros pela competencia. Não há dúvidas.

domingo, 6 de julho de 2014

Silvastone - Festa inglesa no pódio: Hamilton vence e Williams chega ao pódio.



Silverstone, a pista inglesa que já foi apelidada por alguns de Silvastone por conta das performance de Ayrton Senna, foi o palco deste final de semana que fez os ingleses esquecerem a participação na Copa. Venceu um ingles e em segundo chega uma equipe nascida no tempo dos garagistas. Isso tudo num final de semana com uma atração bem ao estilo ingles - um desfile de carros clássicos da F1 pilotados por Emerson, Barrichello, John Surtees e outros mais. Uma festa inglesa de ponta a ponta.

Rosberg largou na pole e manteve a posição, ao mesmo tempo que Vettel que largou em segundo perdeu posições logo na primeira volta, indo parar em quinto. Na primeira curva tudo correu bem e se a volta tivesse terminado assim as chances da Williams poderiam ter sido até melhores.

No meio da primeira volta Kimi Raikkonen saiu da pista e perdeu o controle do carro no retorno. Bateu e atravessou a pista de forma perigosa. Massa viu um caminho obstruído e muito pouco espaço para uma reação. Freou, rodou e bateu a traseira no carro de Kimi. Bandeira vermelha na prova e fim de prova para Felipe Massa. Considerando-se os acontecimentos desde a sexta-feira na Williams, a equipe teve um inicio bem decepcionante.

Como a batida de Kimi danificou o guard rail, a prova só reiniciou depois de reparada devidamente a proteção. Na relargada, que em 2015 será parada nessas condições, Rosberg continuava na frente seguido por Button, Magnussen e Hamilton. Bottas que tinha largado em 17o. estava agora na 9a. colocação e vinha forte passando os seus concorrentes com clara facilidade. Mais uma volta e Bottas aparece em 7o., uma recuperação fantástica.

Como as Mercedes são os carros mais eficientes desta temporada não foi surpresa ver Hamilton se aproximar de Rosberg e formar mais uma vez a linha de frente que tem resultado em dobradinhas da equipe. Vettel inaugurou os pits na 10a. volta, o que sugere a estrategia de 3 paradas, uma vez que a corrida tinha 52 voltas. Com as trocas se iniciando Bottas subiu para terceiro enquanto as Mercedes disparavam na frente.

Rosberg fez o seu primeiro pit na volta 17 e Hamilton na 24, mantendo as posições de primeiro e segundo como vinham até então. Até que, Rosberg tem problemas no cambia e abandona a prova. A situação inesperada deixou Hamilton em primeiro com uma enorme vantagem. Com 40s de sobra para o segundo colocado, Hamilton foi para o seu ultimo pit e retornou em primeiro para vencer a prova. Em segundo chegou Bottas, em terceiro Ricciardo, em quarto Button, Vettel em quinto e Alonso em sexto.

Como tem sido comum nessa temporada as corridas merecem ser observadas mais da terceira posição para trás. Foi na briga pela quinta colocação que Vettel e Alonso travaram uma longa e dificil batalha, com direito a reclamações mútuas que se deviam muito mais aos egos de dois campeões do que a manobras indevidas. A dura disputa foi vencida por Vettel numa ultrapassagem suada. Tambem por este lance a corrida valeu ser acompanhada do começo ao fim. Tomara que a F1 possa mostrar mais disputas como essa. É por elas que ligamos a tv.

domingo, 22 de junho de 2014

Austria - Rosberg vence novamente. Atrás dele Hamilton e duas Williams vendo tudo.



Foi assim que terminou o GP da Austria de hoje. As Williams perderam a vantagem conseguida na classificação e outra vez a Mercedes fez dobradinha. Porem, dessa vez foram seguidos de perto pela Williams, que mostrou que neste ano é uma equipe bem superior à do ano passado.

Na mesma pista onde Rubens Barrichello foi um dos atores de um final dos mais melancolicos da categoria, as esperanças do torcedor brasileiro de F1 começaram em alta e acabaram em críticas. Felipe Massa largou na pole position mas terminou apenas em quarto. As Mercedes mostraram mais uma vez que são a equipe mais dificil de superar e isso deve seguir assim até o final da temporada. Portanto, não vejo demérito para a Williams ter perdido a liderança no curso da corrida.

Já a torcida brasileira não poupou criticas a Felipe Massa. O que se esperava de Massa era finalizar à frente de Bottas mas as críticas da torcida não levam em consideração que na Ferrari o desempenho dele era bem pior. Hoje mesmo durante a transmissão houve quem sugerisse a substituição de Massa por Felipe Nasser.

Com sol e pista mais quente, e com mínima previsão de chuva, a largada deu-se sem acidentes e Massa manteve a ponta, enquanto Rosberg ganhou a posição de Bottas que a recuperou ainda na mesma volta. Hamilton fez uma largada fenomenal e veio lá de trás para ocupar a quarta posição já na primeira volta. Na volta seguinte Vettel outra vez atestou o ano de azar ao praticamente parar o carro na pista. O que pareceu ter sido um problema eletronico, deixou de se manifestar e Vettel retornou ao ritmo normal mas sem quaisquer chances. E mais tarde ainda abandonou a corrida.

As trocas de pneus começaram na volta onze, pouco mais de 10% da corrida toda. Na volta 15 Massa foi ao box pela primeira vez, ainda na liderança. E a partir daí começaram os seus problemas na corrida. Segio Perez passou a ser o líder seguido por Nico Rosberg. A pit de Massa foi visivelmente mais lento do que o do seu companheiro Nico que entrou para a primeira troca na sequencia.

Na volta Massa ficou em 5o. sendo ultrapassado por Hamilton quando se encontraram na saída dos boxes. Nesta temporada ser ultrapassado por uma Mercedes significa não conseguir retomar a posição, coisa que se confirmou para Massa até o final da prova. Perez só veio para o seu primeiro pit na volta 29. Estava na liderança tendo largado na 16a. colocação. Uma performance notável, muito embora não tivesse carro para andar à frente das Mercedes, condição que pelo visto se estende à todo o restante do grid.

Vettel abandonou na volta 36 depois de uma corrida totalmente azarada com direito até a toque e quebra do bico dianteiro. Rosberg seguia na frente com Bottas em 2o. seguido por Hamilton e Massa. Quando Rosberg foi para o seu pit Bottas ocupou momentaneamente a liderança, a qual passou a ser de Massa quando Rosberg foi para o pit. Na volta 42 Alonso se tornou o lider durante o pit stop de Massa que retornou à pista apenas na 5a. colocação. Restavam aí mais de 20 voltas para terminar a corrida a os penus e a estratégia iriam prevalecer nas definições. É bom lembrar aqui que o fluxo de combustivel é um fator limitante e isso pode ter ditado a performance das equipes na primeira metade da prova.

Bottas apareceu em 3o. após o seu ultimo pit e Massa em 5o. com Perez na frente dele. Massa tinha dificuldade de se aproximar de Perez e isso iria se tornar um problema maior ainda quando Perez fizesse o seu ultimo pit. Dessa forma Massa ficaria na pista a uma tal distancia do seu companheiro que não poderia, pelas regras, usar o DRS.

Após o retorno de Perez à pista a corrida terminou como se configurava nesse momento, com Rosberg na liderança, Hamilton em 2o., Bottas em 3o. e Massa em 4o.

Duas coisas me parecem importantes serem citadas. No Canada a Mercedes teve problemas com os freios e nos instantes finais da corrida perdeu a possibilidade de vitória. Hamilton abandonou sem freios e Nico se segurava na pista com o que restava de condições dos seus freios. Hoje Hamilton recebeu um aviso pelo rádio de que os seus freios estavam trabalhando no limite. E nessa corrida, mais uma vez a Mercedes finalizou vendo nos seus retrovisores os concorrentes. Por isso penso que os freios das Mercedes podem acabar sendo vistos como um ponto fraco. Coisa que a equipe solucionaria no correr do campeonato, caso haja mesmo um deficiencia nesse item.

Outro ponto significativo foi a entrada da Williams na disputa das posições mais à frente. Se estivessemos falando da McLaren ou das duas Red Bull, seria previsivel. Mas a Williams não começou nesse campeonato mostrando condições para estar na frente das grandes. E esteve ela própria nessa prova. Acho que aqui vale o que coloquei num post anterior sobre observar as disputas a partir da terceira posição em cada prova. Aí está a briga que vai dar a cara final do campeonato. Ninguem pensa na Mercedes perdendo a liderança e assim as outras disputas ganham espaço em quaisquer analises. Desse ponto de vista eu diria que a Williams deu um concreto passo à frente nesse final de semana. Nada impede que ela continue assim. Ao contrário da Ferrari que terminou com Alonso em 5o. e Raikkonen em 10., uma típica formação da Ferrari em final de corrida nos ultimos anos. Não há duvidas de que hoje Felipe está num lugar melhor.

domingo, 8 de junho de 2014

Canada - Ricciardo vence pela primeira vez, de forma surpreendente



Se atualmente ninguem mais lembra de Mark Webber, Daniel Ricciardo não apenas apareceu como quem o substituiu com vantagens como tambem tem se mantido continuamente à frente do seu companheiro Vettel. E de sobra, num ano de pouca sorte de Vettel a estrela de Ricciardo parece brilhar mais que a do alemão.

Sensacional é o adjetivo mais bem aplicado à corrida de hoje. Foi a melhor corrida do ano e dos ultimos tempos da F1. Para quem pensa que a ausencia do som dos V8 tirou o brilho da categoria, é bom lembrar que não é apenas com barulho que se faz grandes corridas. E quem se lembra da era dos turbos na F1 sabe que foi período de disputas intensas, precisamente o que se viu hoje e que tanto se espera ver numa corrida.

Na largada, mais uma vez o safety car entrou na pista na primeira volta depois de uma colisão entre Bianchi e justamente o seu companheiro de equipe Max Chilton. Melhor para Guetierrez que largou do box e assim iniciou a corrida junto com os outros carros em movimento. A essa altura Massa ocupava a 5a. posição tendo Bottas à sua frente. Na ponta vinha Rosberg seguido de Vettel e Hamilton.

Somente na oitava volta o safety car saiu da pista. Na volta seguinte Hamilton ultrapassa Vettel e as duas Mercedes passam a ocupar a posição habitual. Nesse inicio de prova as Mercedes não abriam dos concorrentes como de costume. Na volta 14 Ricciardo foi o primeiro a trocar pneus voltando para a pista com os macios, os amarelos. Na volta 18 foi a vez de Rosberg e na seguinte a de Hamilton. A partir daí as Mercedes começaram a abrir espaço para os concorrentes da forma como habitualmente se dá.

Sergio Perez, que apesar da brilhante corrida terminou num acidente com Massa, foi o ultimo a ir ao box para a troca na volta 34, uma volta antes de se completar metade da prova. O novo jogo de pneus deveria suportar o restante da prova. Bottas e Massa já tinham realizado o seu primeiro pit e mais uma vez Massa perdeu tempo na troca por um atraso na roda dianteira esquerda. Na volta 36 veio Bottas para o segundo pit ao mesmo tempo que Massa seguiu em frente. Uma situação bastante diversa entre os pilotos já que Massa decidiu retardar ao maximo o segundo pit.

Para quem esperava mais uma vitoria da Mercedes pareceu estranho Rosberg ir novamente para a troca de pneus na volta 44. Massa estava na terceira colocação nessa hora e Rosberg voltou para a pista em quarto. A situação ficou bem mais favorável para Massa e a equipe pediu para que prosseguisse com o mesmo jogo o quanto pudesse. Foi o que fez Massa liderar a corrida na volta 46 quando Hamilton foi para mais um pit stop.

As coisas ficaram mais emocionantes para o brasileiro e para a Williams quando Hamilton abandonou a corrida na volta seguinte com problema nos freios traseiros. Para a Mercedes restava Rosberg na ponta, coisa que sugeria claramente uma vitória. Massa voltou aos boxes para a ultima troca e o que estava se tornando mais visivel nessa fase da prova era uma diminuição do rendimento da Mercedes. Foi a primeira vez no ano em que a Mercedes foi seguida de perto pela concorrencia e o problema nos freios de Hamilton pareceu ser um ponto fraco do carro, coisa que qualquer carro tem.

Na frente estava Rosberg seguido de perto por Perez, que vinha fazendo uma corrida sensacional, seguido de Ricciardo e Vettel. Massa vinha atrás de Bottas, que na volta 57 errou e Massa passou a ser então o quinto colocado. Ainda havia voltas suficientes para Massa tentar um pódio.

Como ninguem é perfeito, na penultima volta Rosberg tambem erra e Ricciardo que vinha colado não teve dificuldade para tomar a ponta. Isso por si só já tornou a prova surpreendente. Mas ninguem esperava que na ultima volta Massa e Perez se encontrassem na curva e saíssem os dois deixando pedaços na barreira de pneus e encerrando as chances de pontuação.

Segundo li a FIA considerou Perez culpado. Não me parece caso de culpar ninguem. Uma disputa na ultima volta em condições tão próximas como aquelas é situação em que arrisca-se o que for possível. Nem sempre os riscos geram ganhos. Nesse caso gerou perdas e me parece que tudo fica nesse plano, o da disputa apetada. Os ganhos ficaram para o público que assistiu uma corrida dessas que não acontecem sempre.

domingo, 25 de maio de 2014

Indy 500 - Ryan Hunter-Reay vence na ultima volta.


Final de semana com dose dupla de automobilismo, em condições semelhantes. Se em Monaco a primeira metade da corrida foi sonolenta e o final muito ansioso, na Indy 500 foi mais ainda. A primeira metade da prova correu sem nenhuma surpresa na pista, sinalizando a possibilidade de ser uma prova sem yellow flag, coisa muito dificil de se dar, ainda mais na Indy 500.

Para os brasileiros a primeira decepção foi um trabalho bem abaixo do nível da equipe de Tony Kanaan. No pit stop o carro simplesmente não pegou e Tony, o campeão dessa mesma prova no ano passado, amargou 17 voltas parado no box vendo as suas chances simplesmente serem extintas, ao mesmo tempo que retornaria à prova na tentativa de somar pontos.

Na frente os mais rápidos mantinham as suas posições volta a volta, alteradas apenas pelos pits. Depois de mais de meia prova realizada um acidente, na volta 150, deu origem à primeira bandeira amarela. Nos comentários, Felipe Giaffone disse que é habito pensar que uma bendeira amrela chama outra. Nesse caso não chamou outra, mas outras mais, incluindo uma vermelha a poucas voltas do final.

Aí a sorte de Helinho Castroneves começou a ser definida. As chances de vencer pela quarta vez eram muito claras. Mas quem está disputando vitória precisa contar com a possibilidade de uma relargada e nem sempre isso é bem vindo a poucas voltas do final. Na ultima relargada, restando apenas 6 voltas para o fim Hunter-Reay estava na frente seguido bem de perto por Helio Castroneves e Marco Andretti. Na prática os tres tinham chances de disputar a primeira posição e começou aí uma disputa muito acirrada.

Caso tal situação tivesse se configurado a dez voltas ou mais do fim, a possibilidade de brigar pela ponta seria mais favoravel para Helinho. Dificil seria abrir espaço para o concorrente. A poucas voltas da quadriculada o vácuo faz o seu papel nas ultrapassagens, ida e volta. Quem tem o vento na cara não consegue abrir de quem está colado atrás. E assim foi que as ultimas voltas se tornaram as mais eomcionantes numa disputa muito apertada entre Castroneves e Hunter-Reay. Bem que Marco Andretti tentou se aproximar mas não conseguiu. Se tivesse ultrapassado Helinho teria o vácuo de Hunter-Reay à sua frente. Mesmo estando na liderança, Helinho foi ultrapassado por fora por Hunter-Reay na ultima volta.

Festa para o americano e lágrimas para o brasileiro dentro do cockpit, a uma distancia de simples 0.06s. Por conta de um espaço tão ínfimo Helio não conseguiu dessa vez a respeitável marca de 4 vitórias na prova. Mas afirma que vai chegar lá.

Tony Kanaan, que teve a corrida inteiramente comprometida pela equipe, acabou abandonando nas ultimas voltas. A prova teve a participação de Juan Pablo Montoya e Jacques Villleneuve, que temrinaram em 5o. e 14o. respectivamente. A única mulher a participar da prova foi a britanica Pippa Mann, que ficou com a 24a. colocação. Segue abaixo o resultado.

1 - Ryan Hunter-Reay (EUA)
2 - Helio Castroneves (BRA) - 0.0600
3 - Marco Andretti (EUA) - 0.3171
4 - Carlos Muñoz (COL) - 0.7795
5 - Juan Pablo Montoya (COL) - 1.3233
6 - Kurt Busch (EUA) - 2.2666
7 - Sebastien Bourdais (FRA) - 2.6576
8 - Will Power (AUS) - 2.8507
9 - Sage Karam (EUA) - 3.2848
10 - J.R. Hildebrand (EUA) - 3.4704
11 - Oriol Servia (ESP) - 4.1077
12 - Simon Pagenaud (FRA) - 4.5677
13 - Alex Tagliani (CAN) - 7.6179
14 - Jacques Villleneuve (CAN) - 8.1770
15 - Sebastian Saavedra (COL) - 8.5936
16 - James Davison (AUS) - 9.1043
17 - Carlos Huertas (COL) - 12.1541
18 - Ryan Briscoe (AUS) - 13.3143
19 - Takuma Sato (JAP) - 13.7950
20 - Jack Hawksworth (GBR) - 13.8391
21 - Mikhail Aleshin (RUS) - +2 voltas
22 - Justin Wilson (GBR) - +2 voltas
23 - Martin Plowman (GBR) - +4 voltas
24 - Pippa Mann (GBR) - +7 voltas
25 - Townsend Bell (EUA) - +10 voltas
26 - Tony Kanaan (BRA) - +23 voltas
27 - Ed Carpenter (EUA) - +25 voltas
28 - James Hinchicliffe (CAN) - +25 voltas
29 - Scott Dixon (NZL) - +33 voltas
30 - Josef Newgarden (EUA) - +44 voltas
31 - Charlie Kimball (EUA) - +51 voltas
32 - Buddy Lazier (EUA) - +113 voltas
33 - Graham Rahal (EUA) - +156 voltas

Monaco - "You are amazing" (Nico Rosberg)



"Voces são incríveis", foi a frase usada por Nico Rosberg no rádio para comemorar com a equipe a vitória no GP de Monaco hoje. Fez barba, bigode e cabelo na prova mais tradicional da categoria, onde milionários estacionam seus iates na baía e assistem à corrida em cima do heliponto do barco. Monaco é uma festa na categoria e não tem as caracteristicas tradicionais de uma pista de automobilismo, mas conta pontos no campeonato e é muito importante não apenas classificar bem mas tambem não se envolver em acidentes. O safety-car é uma constante nas provas em Monaco e neste fim de semana não foi diferente.

Na volta de apresentação Pastor Maldonado não conseguiu largar e voltou para o box, onde ficou sem ter participado da prova. Isso já fez Massa herdar uma posição antes da largada. Na primeira volta Rosberg manteve a ponta seguido de Hamilton, Vettel, Kimi, Ricciardo e Alonso. Ja na primeira volta Perez bateu na Mirabeau o que resultou na entrada do safety-car pela primeira vez. Assim Massa herdou mais uma posição e fechou a volta em decimo terceiro.

Com a corrida reiniciada Vettel foi o primeiro a ter problemas de potencia e abandonou a corrida prematuramente após uma parada no box. Ao todo 8 carros saíram da corrida.

Na volta 25 as coisas começaram a mudar de verdade com a entrada novamente do safety-car. Ao mesmo tempo que os da frente optaram por ir aos box trocarem pneus, Massa continuou com o mesmo jogo. Na relargada Kimi se toca com uma Marussia e volta ao box novamente. Massa aparece em quinto lugar na prova e à frente do seu companheiro Bottas.

Daí em diante a monotonia foi uma constante e só no final a corrida se tornou mais tensa, muito por conta do estado dos penus. Na volta 42 Rosberg era o líder, seguido de Hamilton e Ricciardo, formação que acabou sendo o pódio da prova. Na sequencia vinham Alonso e Massa. Somente na volta 46 Massa foi para o box e saiu de lá com pneus macios e em condição de terminar a prova sem nova troca.

No seu retorno dos pits Massa apareceu em 11o., tendo à sua frente Kimi em 10o. e Bottas em 9o. O que foi interpretado como azar de Massa na classificação virou sorte para ele e azar para Bottas que perdeu o motor na Lowes e saiu da corrida. Mais tarde Gutierrez roda e bate na Rascasse, ponto onde não há guincho, e foi o ultimo a abandonar a prova. Na frente as posições continuavam as mesmas com as duas Mercedes na frente abrindo sempre mais dos seus concorrentes, num desempenho sem comentários. Logo atrás vinham Ricciardo, Alonso e Hulkenberg.

A essa altura os pneus eram uma dúvida e restava esperar as ultimas voltas para ver o comportamento das Mercedes, assim como de Ricciardo que vinha perto de Hamilton. Na volta 73 uma ultrapassagem mostrou o que é provavel que se torne comum nas corridas que restam no campeonato - Kimi tomou uma volta de Rosberg, ocupando na hora a 8a. colocação. Definitivamente não foi o final de semana desejado por Kimi que acabou se enroscando na Lowes com Manussen e acabou indo para os boxes. Assim Massa passou a ocupar a 7a. colocação, a mesma na qual finalizou a prova.

Nas voltas finais houve uma intensa perseguição de Ricciardo a Hamilton ao mesmo tempo que Rosberg continuava na liderança sem ser ameaçado. Cruzou a chegada em primeiro, repetindo o resultado do ano passado. Mostrou uma performance sem ressalvas, pilotando a prova toda com o seu companheiro visivel no espelho. Passou a ser o líder do campeonato e inaugurou de fato uma disputa interna que promete ser muito acirrada.

A Mercedes mostra com esse resultado ser um carro capaz de se adaptar bem a condições variadas e dificilmente deve ter problemas nesse aspecto em qualquer das outras pistas do calendário. A Ferrari seria a minha aposta para vice-campeã do ano, já que nem sempre o azar de Vettel deixa a Red Bull contar com ele até o final da prova.

E por fim coloco uma questão. Faz um longo tempo que se fala que Massa não consegue lidar muito bem com os pneus. No meu entender foi ele quem fez isso melhor na corrida de hoje. Será que ele realmente não sabe lidar com pneus? Será que o desempenho de hoje não tem a mão do Rob Smedley?

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Sir Jack Brabham, uma lenda inigualável - (1926 - 2014)



Jack Brabham (foto: Wikipedia)

O mundo da F1 perdeu hoje uma lenda inigualável. Faleceu hoje o australiano Jack Brabham aos 88 anos. Segundo a nota divulgada pela família, faleceu em casa de causas naturais.

Jack Brabham, que ingressou na F1 no ano em que nasci, foi uma referencia na categoria. Fora ter sido tri-campeão na categoria mais sofisticada do automobilismo mundial, faturou o seu terceiro título a bordo de um carro próprio. Isso não é coisa para poucos, é apenas para ele, já que ninguem mais repetiu dita façanha e nem repetirá pois a F1 atual é um outro mundo comparado com o dele.

Na sua época, quando pilotou pela Cooper, as coisas corriam pelas mãos das pessoas, dentro e fora dos carros. A ousadia e determinação, e tambem a genialidade, eram as ferramentas mais utilizadas no projeto de um carro de F1. Era um grande conhecedor de mecânica e ao pilotar o seu próprio carro combinou uma grande capacidade de pilotar rápido com um profundo saber da máquina que conduzia. Isso é uma formula de sucesso do tempo em que pilôtos eram caras que habitualmente estavam sujos pois se envolviam com tudo que dizia respeito aos ajustes e desenvolvimento dos carros.

O mundo de hoje não verá mais pilôtos que tenham tal nível de envolvimento com as suas máquinas e assim Jack Brabham vai permanecer na história desse esporte como alguem cuja trajetória jamais será repetida no mesmo formato. Tiveram a honra de serem pilôtos da Brabham, mas nas mãos de Bernie Ecclestone, Wilson Fittipaldi Jr. e Nelson Piquet. Por sinal dois brasileiros apaixonados pela mecânica e que tambem meteram as suas mãos na graxa.