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domingo, 11 de maio de 2014

Espanha - Mercedes, soberba, sequer precisa se preocupar com pneus.



Numa pista onde o desgaste dos pneus pode por fim a uma corrida ganha, a Mercedes deu uma lavada nos concorrentes a ponto de colocar uma volta sobre o 7o. colocado - Kimi Raikkonen da Ferrari - na última volta. Nem mesmo o desgaste intenso de pneus fez a equipe ter dificuldades para vencer. Outra vez Hamilton vence com o seu companheiro de equipe em segundo totalmente visível no espelhinho. Com um carro desses mesmo que De Cesaris estivesse no lugar de Hamilton ainda assim venceriam o campeonato, situação com a qual já se conta ainda na quinta etapa da temporada. É uma performance espetacular que o alemão Schumacher não está podendo ver. Justamente ele que ingressou na equipe como parte time de desenvolvimento.

Na largada Hamilton e Rosberg mantiveram as suas posições e Bottas ganhou a posição de Ricciardo, fechando a volta inicial respectivamente em 1o., 2o., 3o. e 4o. Fiquei na hora com a sensação de que a Williams poderia ter um dia de felicidade que afinal não se confirmou. Embora a Williams desse ano seja bem melhor que a do ano anterior ainda não é veloz o suficiente para almejar um pódio.

Um pouco mais atrás vinham Kimi, Alonso e Massa (6o., 7o. e 8o.), o que prometia ser uma disputa muito interessante. O decorrer da corrida mostrou que as ultrapassagens nessa pista são mesmo dificeis e nessa briga restaram apenas Kimi e Alonso no final. Posição de largada sempre fez diferença em qualquer corrida e isso poderia ser a razão de um péssimo final de semana para Vettel, que fechou a primeira volta em 14o., mas alem de ter alcançado o seu companheiro de equipe, mesmo não tendo o ultrapassado marcou tambem a volta mais rápida da prova. Será que Vettel 'acordou' para o campeonato ou a sua 'sorte' está voltando para dentro do cockpit? Caso a se conferir nas próximas corridas.

Na decima volta Maldonado ganhou mais um pontinho na carteira de habilitação porque na primeira mostrou que petro-dollares podem colocar alguem na pista mas não vão pilotar, isso vai ficar por conta do piloto. Foi punido com 5s por ter sido agressivo demais na disputa com Ericson.

Vettel inaugurou as trocas de pneus na volta 12, tendo feito antes disso a volta mais rápida marcando 1:31.876 pouco antes. Na sequencia vai ao box o seu companheiro Daniel Ricciardo ao mesmo tempo em que a Mercedes já disparava lá na frente. Depois vem Massa e dessa vez a Williams trabalhou muito bem na troca, enquanto Bottas seguia bem mais à frente dele.

Na volta 20 Rosberg marca a volta mais rápida com 1:31.6 e Hamilton responde em seguida com oito décimos a menos. A performance de Hamilton era tal que na volta 22 ultrapassou o primeiro retardatário na corrida. Mantendo-se esse ritmo era de se esperar que atrás dele terminasse um comboio de retardatários, o que afinal acabou acontecendo.

Mais atrás, Kimi continuava na frente de Alonso e acabou colocando Grosjean entre eles. Não parecia que Alonso pudesse superar Kimi com facilidade pois o finlandes mantinha um ritmo bem forte mesmo depois de uma breve aposentadoria da categoria, situação na qual não se espera um retorno competitivo. Acho sinceramente que Alonso tem em Kimi o que pode ser uma pedra no sapato no quesito performance.

Na segunda troca de Alonso, deu para entender que a Williams ainda precisa remar um pouco mais. Alonso saiu do box na frente de Massa e mesmo com os pneus frios e com Massa encostado nele, abriu do brasileiro sem dificuldades nessa mesma volta.. Lá na frente a Mercerdes andava tanto que, na metade da corrida Rosberg estava 29s à frente de Ricciardo. Seria perfeitamente possivel fazer um pit e sair à frente de Ricciardo nessas condições. Button tomou uma volta de Hamilton quando era o 13o. colocado e ainda tinha muita prova pela frente. A lavada sobre os adversários estava visível.

A Ferrari mostrou nessa corrida que não apenas a equipe pode definir o resultado, como tambem os carros são rigorosamente iguais. Kimi veio para a troca de pneus e, imagine, foi mais lento que as trocas de Alonso e voltou atrás do espanhol. Mas depois as coisas mudaram um pouco e Kimi, outra vez na frente, vendeu bem caro a ultrapassagem na pista.

Na volta 48 Alonso aparecia em 4o. com Vettel em 5o. Considerando-se as posições de largada, Vettel mostrou uma performance superior, coisa que foi confirmada no final da corrida. A essa altura os carros estavam mais leves (lembre-se que não há mais reabastecimentos) e quem tinha pneus iria andar rápido. Nessas condições Rosberg marcou 1:29,236. Na Mercedes tinha sobra de pneus, carro e pilôto. Mas isso não quer mais dizer que isso venha a ser privilégio deles. As Red Bull e as Ferrari vinham baixando seus tempos tambem. E aí a corrida passoua ter duas instancias bem definidas sendo, lá na frente a Mercedes numa disputa particular e mais atrás outras disputas entre Red Bull e Ferrari, de tal forma que o final da corrida tinha que ser apreciado em dois momentos separados.

Alonso foi novamente para os pits na volta 54 e isso explica então porque teve que disputar posição com Kimi na pista. Na saída Vettel se manteve à frente em 6o., seguido do espanhol. Bottas estava em 4o., uma bela performance diga-se de passagem, e à sua frente Daniel Ricciardo em ritmo bem consistente embora muito distante das Mercedes. Nessa situação Vettel marcou a volta mais rápida do dia - 1:28.918. Vettel precisava andar muito forte enquanto as Mercedes precisavam administrar a vantagem. Isso deixa claro que as Red Bull são um tipo de líderes de um segundo pelotão que veremos durante essa temporada toda.

Vettel ainda ultrapassou Alonso, Kimi e Bottas e terminou assim na 4a. colocação, tendo saído quase no final do grid. Ainda restavam mais duas disputas que mereceram ser acompanhadas curva a curva. Lá na frente Rosberg vinha chegando em Hamilton e na volta 60 encostou no companheiro. Esatava claramente mais rápido mas a disputa estava aberta no ambito das ordens da equipe. Restava ultrapassar, o que vem a ser a parte mais dificil de todas. Enquanto eles duelavam lá na frente, Alonso finalmente conseguiu ultrapassar Kimi na volta 64, apenas duas antes do fim. Por isso penso que Alonso tem no seu companheiro um concorrente dificil. Nessa hora com certeza o atraso na troca de pneus de Kimi Raikkonen fez a diferença. Alonso tinha mais pneus que Kimi mas precisou pilotar para ganhar a posição.

E Hamilton faz de Kimi (7o. colocado) mais um retardatário na ultima volta da corrida, mesmo disputando posição com o seu companheiro de equipe que o seguia bem perto. Venceu Hamilton, seguido de Rosberg, Ricciardo, Vettel, Bottas, Alonso, Kimi, Grosjean, Perez e Hulkenberg. Na ordem são 2 Mercedes, 2 Red Bull, 1 Williams, 2 Ferrari, 1 Lotus e 2 Force-India. Estas são as equipes que vão patrocinar as disputas nessa temporada, sendo a Mercedes um caso destacado. Massa fez uma corrida para ser esquecida, terminando apenas em 13o. mas tem carro para se juntar a esse bolo.

A próxima etapa é em Monaco e as Mercedes devem se manter na frente. Será muito interessante ver o que as outras que citei agora poderão fazer. E com certeza elas disputarão duramente as suas posições. Temos o que ver pela frente, com certeza.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Senna. Vinte anos depois.......



Vinte anos depois que Senna faleceu ele ainda é um herói para o brasileiro e mesmo que tenhamos outro campeão nas pistas Senna continuará na distinção máxima. Essa admiração acima da média é hoje uma história pronta, fechada, que não mudará mais e que foi interrompida no auge da performance. Senna teve tal impacto na vida do brasileiro que, talvez seja o único brasileiro que despertou numa criança o desejo de ser como ele e não como Pelé.

Para um garoto que conta hoje com 20 anos e que ,portanto, veio ao mundo no mesmo ano em que Senna se foi, o pilôto é parte de um imaginário que pode ser compreendido pela existencia de uma imensa quantidade de matérias jornalísticas e filmes postados na internet. Para reforçar um pouco mais essa admiração que existe de forma muito visivel entre os mais jovens, há ainda os comentários do pai e as matérias de televisão com pessoas que conviveram com Ayrton Senna.

Mesmo após a sua morte e sete títulos de Schumacher na categoria, Senna permanece na condição de mito. De tal forma que até mesmo na Europa há pessoas que entendem que Senna era superior ao alemão Michael Schumacher. Nos ultimos dias Senna esteve tão evidente na mídia quanto as tensões na Ucrania. E a razão disso não é a mídia isoladamente que, de fato, se apropria da oportunidade que o tema oferece para mais publicações. A razão é, na prática, o próprio pilôto, o seu estilo profissional, as suas marcas e o seu estilo pessoal.

Em resumo, Senna é uma figura singular no meio, totalmente distinguível. A mídia, óbviamente, vai dar destaque aos que estão ou estiveram no tôpo. Alguem hoje, por exemplo, lembra de Scot Speed, um americano que chegou na F1 com muitas palavras mas não sabia escolher que pneus usar num GP?

Senna se destacou e permanece nessa condição em função dos seus próprios êxitos. De uma certa forma é possível dizer que Ayrton Senna ofuscou outros grandes nomes do nosso esporte. Para fazer uma comparação mais atual, Senna tem mais importancia no imaginário dos mais jovens do que o tenista Gustavo Kuerten, outro dos nossos nomes brilhantes do esporte, que um amigo meu disse ser o Senna da raquete no dia da histórica e surpreendente vitória em Roland Garros..

Para quem como eu está perto dos 60 anos, essa visão tem ingredientes a mais que reforçam a minha noção de que Senna é, e sempre será, visto como o mais destacado esportista brasileiro. Temos nomes no esporte que tiveram grande e merecido destaque nas suas épocas e foram citados com verdadeiras honras. Por exemplo, temos expoentes como Maria Ester Bueno, Adhemar Ferreira da Silva, Pelé, Mané Garrincha, Éder Jofre, Miguel de Oliveira, Oscar Schmidt, Emerson Fittipaldi, Nelson Piquet, Gustavo Borges, e mais um lista significativa capaz de mostrar que o Brasil tem mesmo do que se orgulhar no esporte. Senna é visto no tôpo da lista.

Para quem, como eu, se lembra do hino dos canarinhos quando eu tinha tão somente 7 anos de idade em 1962 e não entendia bem porque o brasileiro era o melhor de um mundo esquisito em que comunistas comiam criancinhas, o entendimento da admiração da qual Senna desfruta hoje entre os brasileiros, tem causas adicionais.

Em 1966 Pelé travou praticamente sozinho uma duríssima batalha com nossos adversários, sendo parte de um time bem desorganizado que voltou para casa de cabeça baixa e vaiado, mesmo sendo já duas vezes campeão no futebol. O Brasil melhor do mundo se tornou um dos piores e a sensação de decepção foi expressa literalmente na forma de tristeza e mandou a nossa autoestima para um dos níveis mais baixos até então.

Em 1970 me lembro muito bem da inversão dessa sensação de uma forma sem precedentes na nossa história até hoje. Estávamos curados da nossa suposta inferioridade. Dois anos depois Emerson Fittipaldi fez o que certa vez Nelson Piquet classificou como colocar o ôvo em pé. Ganhou um título que ninguem cogitaria, em terras alheias, sendo parte de um time que não era nosso, brigando com gente que nunca acreditaria num brasileiro para essa distinção, num esporte no qual não tinhamos uma várzea reveladora de talentos.

Emerson se tornou o máximo naquele dia em Monza. E no retorno ao Brasil desfilou nas ruas em carro do corpo de bombeiros, assim como a seleção dois anos antes, e com muita gente acenando para o novo representante da nossa superioridade. Assim, deu um surpreendente pontapé inicial num jogo que passamos a assitir todos os domingos pela manhã.

Ao mesmo tempo que o nosso maior futebol do mundo ficava gripado, tendo chegado depois à pneumonia, o automobilismo se tornou o nosso mais potente analgésico. Até 1994 o brasileiro teve motivos para continuar engolindo com menos dificuldade uma seleção de 'fim de grid', ao mesmo tempo que fazia festa com frequencia para vitórias em corridas e campeonatos. O automobilismo nesse período teve a capacidade de fazer o brasileiro ir mais cêdo para a cama no sábado e deixar para mais tarde a pelada de domingo, muito comum antigamente nas manhãs.

Senna chegou no tôpo dessa trajetória alimentando a ansiedade do torcedor num cenário de disputas que lembrava muito bem o nervosismo que o brasileiro sentia numa partida da seleção nos anos 1960. Ele deu continuidade a esse desejo de vitórias e bandeira brasileira visível para o planeta. Tivemos Emerson e Nelson e na falta deles tínhamos Senna. E para potencializar mais a admiração, entram no computo números recordistas não imaginados na época.

A interrupção trágica de uma trajetória que ainda tinha outros capítulos mais, imediatamente deixou no torcedor fanático a sensação de apito final. A festa acabara e restava esperar que alguem o substituisse pois ele mesmo já tinha feito esse papel com brilhantismo, e assim sendo outro brasileiro viria na sequencia. Nos anos que se seguiram o futebol curou-se da gripe prolongada, viramos os melhores do mundo outra vez, e hoje nos próprios estádios de futebol Senna é lembrado e ovacionado.

Mas nunca foi substituido à altura. E, por enquanto, nada aponta para a possibilidade de que venha a ser. Hoje quando se completam 20 anos da sua morte a Copa do Mundo terá início justamente no estádio do seu time. Se estivesse vivo, com toda ceteza estaria presente no estádio torcendo para a nossa seleção da mesma forma como fizemos no passado, fosse numa partida de futebol ou numa corrida de F1.

Embora a tragédia tenha interrompido uma carreira no auge da performance, e marcado a sua imagem para sempre nas lembranças de quem o viu pilotar, Senna será sempre reverenciado como o nosso maior pilôto de automobilismo, ainda que algum dia tenhamos mais outro campeão de F1. Assim como o futebol se recuperou e ganhou novamente, no automobilismo nada impede que isso venha a acontecer e com certeza Senna será para um pilôto brasileiro a referencia de superioridade, de combatividade. Quando veremos isso novamente é dificil imaginar. Pode ser que nunca aconteça enquanto estivermos vivos. Pode ser que a nova geração que está dando as caras hoje, comece outra etapa em que vai valer mais a pena acordar cêdo num domingo e cancelar a pelada do fim de semana. Tudo é possível.

domingo, 20 de abril de 2014

China- Hamilton vence em Xangai a bordo de um carro deste mesmo planeta



Quando Ayrton Senna, ainda na McLaren, referiu-se à Williams como o carro do outro planeta, não se esperava a possibilidade de dito bólido ser derrtotado pelos seus concorrentes aos quais dava poeria com facilidade. Mas a verdade é que a Williams da época foi projetada e fabricada aqui mesmo neste planetinha.

Hamilton marcou a pole mais de 1s à frente do seu companheiro de equipe. Largou mantendo a liderança e assim foi até o final. Fora isso considere-se que a classificação se deu em pista molhada e a corrida no sêco. Carro super eficiente pilotado com maestria por um campeão, os dois capazes de dar otimo rendimento em condições diversas. Os de trás não conseguiram alcançar tal performance, mas isso não é para sempre. Pode ser no máximo por esse ano.

Pilotando um carro terreno, este piloto que nada tem de ET, abriu tal vantagem aos seus concorrentes que na sua troca de pneus ainda saiu do box na liderança. Portanto a corrida aconteceu mesmo do segundo colocado para trás, enquanto Hamilton guiava sózinho na liderança mostrando uma invejavel capacidade de guiar rápido e preciso.

Para quem sucumbiu ao sono da madrugada, diria que vi (e ouvi) a parte da corrida que me deixou a clara noção de que seria uma prova sonolenta. Começou muito bem com um ótima largada de Felipe Massa e de Alonso, que antes da primeira curva se tocaram lado a lado num incidente típico de disputas e não intencional. Mesmo tendo Massa conseguido ganhar uma posição, Alonso levou a melhor pulando de 5o. para 3o.

Mais tarde Massa teria a sua corrida jogada às traças durante um dos piores pit stop da historia da F1, quando a Williams trocou os pneus do brasileiro num autentico procedimento de borracharia de bairro. Massa foi parar em último e mesmo com um carro confiável pôde remar no máximo até a 15a. colocação. Particularmente, eu julgava uma boa prova de Massa a manutenção da sua mesma posição de largada numa pista úmida, situação na qual a Williams não mostrou um bom desempenho. Com pista sêca ganhar posições seria um cenário muito provável e o pódio um final a se considerar. Que tenha mais sorte na próxima.

Alonso não mostrou que a ausencia de Domenicali seja motivo para a Ferrari ir ao pódio. Mostrou sim que o carro e a equipe não são páreo para a Mercedes mas que isso não significa festejar tristes nonos lugares, tal como se deu na prova do Bahrein. A Ferrari 'está a caminho' e deve ter a sua disputa durante o ano com a Red Bull, mais especificamente com Daniel Ricciardo que terminou nada menos do que 24s à frente do campeão Vettel, seu companheiro. A performance da Ferrari hoje mostra que terá chances concretas em pistas como Spa ou Monza.

Mesmo tendo ido ao pódio, Alonso, que ocupou a segunda colocação na corrida, viu passar sem muitas dificuldades a Mercedes de Nico Rosberg, o segundo colocado na prova. Nico é o piloto que tem nas mãos a chance de por fim às esperanças das outras equipes sempre que repetir a dobradinha de hoje. Acho dificil que venha a superar Hamilton mas acho possivel que consiga andar sempre perto do seu companheiro de equipe. Coisa que Vettel dá a impressão de que seja um tipo de sonho, ou até pesadelo, para ele. Vettel mesmo admitiu nessa semana que ele precisa dar resposta à performance do seu companheiro de equipe, claramente superior à dele.

Bottas acabou confirmando o que eu esperava, embora em condições de pista diferentes da classificação - terminou na mesma colocação na qual largou. A Williams não é um carro de ponta mas é claramente melhor que a versão anterior e ainda há todo um campeonato para evoluir e ser parte do campeonato que corre atrás das Mercedes. A equipe derrapou hoje mas isso com toda certeza já á passado e caso já discutido e acertado, visando as próximas etapas.

Por fim, que registre-se que desde que acompanho a F1 (desde os idos da minha adolescencia), o GP de hoje deixou uma ótima lembrança para mim. Nunca contei com a possibilidade de ser citado num 'abraço radiofonico' durante uma transmissão de F1, uma saudação muito amistosa de um dos meus melhores amigos - Jan Balder.

Grande abraço pra ti, Omelete!

Luciano do Valle - uma voz nunca se esquece


Luciano do Valle
(imagem: reprodução wikipedia)

No ano passado, após mais de quatro décadas sem ter notícias, falei com um antigo vizinho do meu período da infancia, por sinal uma época inesquecivel da minha vida. Tendo retomado o contato com a família pela internet, um dia liguei para ele e ouvi a mesma voz que ouvi na minha infancia. Parecia que estava frente a frente com ele.

Assim é a voz, é a mais genuina identificação do ser humano. Voce pode esquecer a pessoa, a fisionomia, muitas coisas, mas a voz fica gravada para sempre.

Ontem o jornalismo esportivo brasileiro perdeu uma voz que nunca será esquecida, muito especialmente pelos torcedores de futebol. Luciano do Valle faleceu vítima de infarto, a caminho de Uberlandia. Sentiu-se mal durante o vôo, foi atendido na chegada mas não resistiu.

Luciano foi o primeiro brasileiro a narrar na tv um GP de F1, tendo narrado a histórica vitória de Emerson Fittipaldi em Monza. Foi ele quem narrou uma vitória da qual guardo lembrança como a mais emocionante de todas no automobilismo - a primeira vitória de Emerson Fittipaldi na Indy. Tambem narrou as subsequentes do campeão no mesmo ano, o que lhe rendeu tambem o título da categoria. Sem contar as inúmeras outras narrações em outros esportes como o futebol, basquete ou boxe.

Luciano do Valle tinha uma voz absolutamente distinta de todos os seus colegas e sabia emprega-la de maneira muito marcante. Sabia levantar a temperatura no momento da vitória iminente e narrar com bastante equilibrio uma derota consumada. Foi um grande profissional da voz e a sua voz jamais será esquecida pois uma voz nunca se esquece.

domingo, 6 de abril de 2014

Bahrein - um ruído claramente distinguível


Para quem reclamou um bocado do ruído dos atuais motores da F1, na prova de hoje vencida brilhantemente por Hamilton, sob o brilhante ataque do seu companheiro Nico nas voltas finais, é curioso notar que um dos destaques da corrida foi o ruído do safety-car.
Logo em seguida a mais uma demonstração de Maldonado de que não está à altura dos outros pilotos da categoria, o safety-car entrou na pista e, alem de ter atrapalhado a vida da Williams e tornado mais difícil a vitória de Hamilton, deu seu showzinho particular ao deixar evidente que um carro de turismo a pleno na pista tem o seu ruído claramente distinguível, à frente de duas dezenas de carros de F1. Até onde sei esta terá sido a única ocasião em que isso ocorreu de tal forma a ser bem notado na própria transmissão.
Só para não esquecer, Maldonado foi punido durante a prova e consta agora na 14a. colocação e tem punição determinada para o próximo GP. Deixo a dúvida no ar: ele deveria ter sido desclassificado ou isso é tão sómente uma barbeiragem de quem deve ser vaiado? Afinal ele mandou para fora da pista em situação de capotagem a Sauber de Gutierrez após te-la atingido bem no meio.
A Mercedes parece que vai correr um campeonato particular. Não vejo o que possa tirar a equipe da disputa pela vitória. Estão tão à frente dos outros que a disputa interna entre os pilôtos vai acabar beneficiando a própria equipe. Se ficar na frente o que estiver andando mais, mais ainda a equipe vai se distanciar dos outros. Caso Maldonado entre na cena, como hoje, essa vantagem desaparece momentaneamente e reaparece rápidamente. São os campeões do ano, não há mais dúvidas.
A corrida foi cheia de belas disputas mas uma quase-barbeiragem virou ponto alto fora das pistas. Em determinado momento Reginaldo Leme referiu-se ao pilôto da Williams como 'Bos...' e imediatamente, percebendo a derrapada corrigiu: 'Bottas'. Ao que se seguiu um breve silencio na transmissão quando eu ri um bocado aqui ao mesmo tempo que eles mesmos devem ter soltado gargalhadas na cabine de transmissão pois a ocorrencia foi realmente hilária.
Levando-se em consideração a posição em que Massa largou, mais a sua brilhante largada saltando para 3o. na primeira volta, mais o infortúnio que representou o safety-car nas ultimas voltas, diria que fez uma bôa prova terminando na frente do seu companheiro que largou 4 posições à frente. Mas fiquei com uma dúvida que apenas alguem do meio poderia resolver. A Force India tem mais chão que a Williams ou a Williams gasta mais pneus? Dificil dar uma resposta convincente para essa questão. Mas se for verdade a segunda possibilidade a Williams pode mostrar no restante do ano que ainda tem bastante a melhorar. Ainda assim não diria que é caso de desilusão. A equipe esteve na terceira posição hoje, à frente de outras que frequentavam no ano passado a dianteira da fila com frequencia.
Caso oposto da Ferrari onde Alonso parece ter comemorado o nono lugar de hoje. Caso para comemorar mesmo porque seria perfeitamente viável dizer que no quesito performance a Ferrari trocou de lugar com a Williams, o que vem a ser um tipo de ofensa grave para os torcedores italianos que acredito que venham a dizer coisas pouco amistosas a respeito da equipe nos proximos dias.
A McLaren por sua vez pode comemorar apenas estar inscrita. Já declararam um dia desses que foram prejudicados pelo atraso no desenvolvimento do carro. Será para eles um ano sabático.
Mas quem deve estar adorando esse novo panorama é Mark Webber. Entre as bôas disputas da corrida de hoje, a de Ricciardo e Vettel deve ter feito Webber respirar com ar de satisfação lá com a sua vizinhança de cangurús. Quem diria que o tetra-campeão passaria a andar lá atrás e disputando posição com um novato? E pior, perdendo. Ah, é bom lembrar que Ricciardo disse ao Barrichello que a pronuncia correta do nome dele é mesmo Ricardo. Com pronuncia correta ou não, a verdade é que o garoto acelera pra valer.
A próxima prova é na China e o clima lá não é tão amigável assim. Isso pode acabar sendo fator de influencia bem significativo no resultado. A McLaren ganha de novo, sem dúvida. Quem poderia chegar em seguida?

sábado, 5 de abril de 2014

Assim em Interlagos como no céu




Há vida após o automobilismo? Sem dúvida pois o automobilismo se foi e nós continuamos aqui reclamando justamente disso. Ao mesmo tempo lá no céu, pilôtos que já andaram no antigo circuito de Interlagos, hoje devem estar olhando cá para baixo com a mão no queixo com expressão de incredulidade. Não podemos pensar que o automobilismo que cultuamos quase como uma religião no passado sobreviva e se fortaleça no panorama atual do país. Seria demais querer fazer equivaler à situação do nosso automobilismo o significado da famosa frase religiosa 'Assim na Terra como no céu', carregada de esperanças.

O que resta de automobilismo no país se resume a poucas categorias, nenhuma delas formadora. A maior categoria do automobilismo atual é a ante-sala da aposentadoria, muito embora a simbologia dela resista ao tempo após décadas, a Stock Car. Fora isso nada há que se assemelhe ao passado. Por exemplo, não temos mais a prova que eu considero a mais importante da nossa história, a Mil Milhas Brasileiras, que no meu entender tem importancia histórica superior à F1.

E o que fazer com um autódromo num país onde não há automobilismo? No caso de Interlagos que é de propriedade do município pode-se pensar em locar para outros eventos. Vai longe (e muito) o tempo em que passei nas imediações de Interlagos, ou que tenha ido lá diretamente, e tenha visto um treino de carros ou motos num sábado. Era coisa comum. Hoje mudou tanta coisa que não é de se estranhar um evento como um show do Lollapalooza lá nas dependencias da nossa mais famosa pista.

O autódromo é um ônus para a prefeitura e é perfeitamente compreensível, e necessário, que ela tente repor um tanto dos seus gastos abrigando eventos no autodromo de outra natureza que não as competições automobilisticas. Num país onde sepultamos um autódromo como Jacarépaguá, é um milagre termos ainda em pé e em ótimas condições a nossa primeira pista fechada.

Mas ao mesmo tempo que vemos muitos eventos e quase nenhum automobilismo, quando caras da minha idade não podem mais ver uma coisa como Mil Milhas porque simplesmente não existe mais, voce fica tentando entender o que terá gerado uma situação dessas. E é perfeitamente possível afirmar que culpar federações apenas, não é uma explicação convincente. Há bem mais a ser considerado.

Independentemente do que seja me dá uma sensação de fim de feira passar perto do autódromo e ver uma multidão se encaminhando para um show e ver o autodromo vazio em dias de corridas. Fica a esquisita impressão de que as corridas são eventualmente permitidas num lugar destinado precisamente à este fim. E quando vejo público num evento e nenhum no outro no mesmo lugar, passo a entender que o próprio público não tem mais interesse pelo automobilismo. Após tantos anos de decadencia acho bem difícil esse interesse ser resgatado.

Não tenho nada contra o uso do autódromo para eventos que não sejam do tipo a que ele é destinado. Mas acho que passou demais da hora de surgir alguma iniciativa que coloque o automobilismo de volta ao asfalto, o que poderia no futuro por de volta o público nas arquibancadas. Acho que o tempo passou, que esse bonde já foi perdido e a linha interrompida.

Hoje foi dia de realizar um dos meus prazeres favoritos, uma visita ao Zé Minelli na sua fábrica. Como sempre, antes de vir embora paramos numa padaria próxima onde tomamos um café ao mesmo tempo que falamos do assunto 'do dia' - carros de corrida. Na fila do caixa me deparei com o painel da foto abaixo onde estão registrados os nossos ídolos do passado que fizeram as suas vidas aqui mesmo nessa pista. Diante das condições diria que é uma curiosa imagem.

E agora ao conectar na rede vejo que está se alastrando uma briga na categoria na qual fui chamado a fazer um desenho digital do chassi, na época da sua criação. A F Vee, a terceira edição da categoria de monopostos que já foi a mais barata do nosso automobilismo, está vivendo uma dissidencia que parece dar argumentos para interpelações no campo jurídico. Divide-se assim uma coisa que em duas partes torna-se fraca e tende a desaparecer a longo prazo. Uma quarta edição é impensável. Essa de hoje é a derradeira da história e caso não resista à acidez das disputas pessoais passará tambem para o plano das lembranças. E caso tal se suceda vamos colocar no seu lugar o que?

segunda-feira, 31 de março de 2014

Na pista veremos o que acontece

Sem dúvida a vitória de Lewis Hamilton rendeu menos holofotes do que a disputa entre os atuais pilôtos da Williams. Não foi apenas no Brasil que se comentou isso e um dos que deu a opinião foi Lauda que disse que faria o mesmo que Massa.

Estou de acordo com Massa. Entre outras coisas uma das comunicações da equipe falou em disputa aberta. Além disso fico aqui pensando se a mensagem ao Massa sobre os pneus do Bottas não teria o intuito de ver a reação dele apenas. Ou seja, voce está sendo avisado que o teu companheiro está com penus melhores bem atrás de voce. Voce consegue fugir dele nessas condições? Ou prefere deixar o cara brigar na sua frente?

Acho que a intenção foi justamente de medir as forças que existem dentro da equipe. Conseguir situar corretamente quem é quem. Ninguem fica na F1 por tanto tempo como Frank Williams se for um bobinho que não aprendeu nada do ego e da ardilosidade do ser humano. Se Frank Williams ainda está lá, vindo da sua antológica garagem, é porque sabe o que está fazendo. E tenho a impressão de que esse episódio não é nenhuma derrapada de gente que não entende de corrida e sim uma maneira de se medir a real temperatura dentro da equipe. Não vamos nos esquecer que Frank Williams já administrou uma guerra de nervos entre Mansel e Piquet.

Não penso que ele queira reviver esses tempos. Acho que na verdade não quer uma reedição dessa natureza e tambem não quer deixar para o público a duvidosa imagem que a Ferrari deixou em episódios semelhantes com Rubens e Massa. Penso que a Williams não aceitaria colocar-se assim no cenário. E como contratantes dos pilôtos, é claro que vai exigir que em situação de decisão o pilôto com menores chances vai ter que trabalhar pela equipe, o que significaria ceder a sua posição em determinadas circunstancias. Isso faz parte, porque sempre fez parte da F1 e de qualquer corrida em equipe.

Temos mais uma etapa logo mais e sem dúvida a abertura dos comentários na transmissão vai incluir esse tema, talvez o primeiro da lista. Na pista veremos o que acontece. Isso é que deverá mostrar que entendimento a equipe tem desse tipo de situação. Vejo disputas aquecidas pela frente.

domingo, 30 de março de 2014

Supresas malaias


A temporada de 2014 não promete ser emocionante e pode até a chegar a ser confusa. Mas deve gerar surpresas. Por exemplo quem poderia imaginar no ano passado a Lotus andando atrás da Caterham? Ou Felipe Massa em disputa aberta com o companheiro de equipe? Ou a RBR ir pro pódio novamente e ao mesmo tempo dar um fim na corrida do outro pilôto? Acredite, há mais pela frente. É essa a impressão que a F1 está deixando na segunda etapa do campeonato.

O que não saberia dizer, pois não possuo bola de cristal, é se os pilôtos vão sair satisfeitos com essas ditas surpresas. Um que com certeza está esbanjando insatisfação é Daniel Ricciardo. A equipe falhou numa hora imperdoável, pôs a corrida dele a perder, e ainda por cima foi punido mais uma vez. Se houver outra dessas surpresas para ele na proxima corrida, pode dizer adeus ao campeonato. E o pior é que tem carro para disputar lá na frente.

Outra surpresa, que fatalmente se daria algum dia, é a RBR não ser páreo para a Mercedes. O campeonato está bem mais favoravel ao Hamilton e Vettel vai ter que remar um bocado. Um cenário bem diferente do ano passado pois a Mercedes está mostrando uma consistencia imprescindivel no cenário atual.

Outra coisa intrigante e meio chata para o meu gosto é a decisão que certas equipes deverão tomar de poupar os motores para a corrida seguinte. Isso é o mesmo que dizer que podem diminuir as ultrapassagens. No passado os pilôtos poupavam os seus carros para terminar a corrida quando não viam chances de ganhar mais uma posição. Mas não poupavam motores para a corrida seguinte. Hoje essa limitação da propulsão tem chance de limitar tambem algumas disputas.

Não foi o que se viu hoje com Massa. Fez uma corrida bôa pois partiu de uma colocação bem desfavorável no grid, terminou em sétimo e na volta do líder. E teve a oportunidade de permanecer à frente do seu companheiro, a partir da informação da equipe de que a disputa estava autorizada. Felipe agora pode pilotar para ganhar posições, coisa que na Ferrari era impensável. Aliviou merecidamente a alma, depois daquele episódio infeliz na Ferrari quando foi obrigado a dar passagem para Alonso.

Alonso por sua vez vai continuar correndo sozinho. Ao menos até agora Kimi Raikkonen não mostrou suficiente performance para andar junto com o companheiro. Mas eu nao me surpreenderia nada se em algum momento ele colasse no espanhol durante as corridas. Essa pode ser mais uma surpresa interessante. Resta aguardar. O espanhol mesmo disse que a Ferrari não é tão veloz como a Mercedes. E não acredito que seja tambem com a RBR. E aí para que vai servir algum escudeiro?

Para a próxima etapa tem uma surpresa para os brasileiros. Felipe Nasser vai pilotar a Williams nos treinos livres. Boa sorte ao garoto. Espero que noticiem aqui o que tiverem apurado dele.

Já que estou aqui, segue o resultado da etapa da Malasia.

1º - Lewis Hamilton (ING/Mercedes), em 1h40min25s974
2º - Nico Rosberg (ALE/Mercedes), a 17s313
3º - Sebastian Vettel (ALE/Red Bull), a 24s534
4º - Fernando Alonso (ESP/Ferrari), a 35s992
5º - Nico Hülkenberg (ALE/Force India), a 47s199
6º - Jenson Button (ING/McLaren), a 1min23s691
7º - Felipe Massa (BRA/Williams), a 1min25s076
8º - Valtteri Bottas (FIN/Williams), a 1min25s537
9º - Kevin Magnussen (DIN/McLaren), a 1 volta
10º - Daniil Kvyat (RUS/Toro Rosso), a 1 volta
11º - Romain Grosjean (FRA/Lotus), a 1 volta
12º - Kimi Raikkonen (FIN/Ferrari), a 1 volta
13º - Kamui Kobayashi (JAP/Caterham), a 1 volta
14º - Marcus Ericsson (SUE/Caterham), a 2 voltas
15º - Max Chilton (ING/Marussia), a 2 voltas

Não completaram a prova:
Daniel Ricciardo (AUS/Red Bull)
Esteban Gutierrez (MEX/Sauber)
Adrian Sutil (ALE/Sauber)
Jean-Eric Vergne (FRA/Toro Rosso)
Jules Bianchi (FRA/Marussia)
Pastor Maldonado (VEN/Lotus)
Sergio Perez (MEX/Force India)

domingo, 16 de março de 2014

Campenato Mundial de Engenheiros


Quem sabe consigo dar continuidade ao meu humilde bloguinho que está simplesmente esquecido por mim e por quem já passou por aqui semanalmente, no passado. Formula 1 seria um bom tema para hoje. Afinal começou ontem a temporada de 2014 com uma mudança muito radical na concepção dos carros.

Vou me abster de falar de posições de chegada, voltas rápidas e quetais que já foram divulgados e tambem discutidos. Acho que o assunto que mais interessa é a questão da previsibilidade quando julgada em função das mudanças para essa temporada.

Em primeiro lugar é preciso ter em mente que essa nova engenharia da F1 veio para permanecer. E já abro um imprescindivel parentesis para contrariar o que li várias vezes a respeito de questões relacionadas à ecologia. Acho sinceramente que a soma dos fogões do quarteirão onde resido poluem mais no curso de uma temporada do que a própria F1 no mesmo período. E a razão no meu entender parece ser mais simples do que aparenta. A eficiencia desses motores (não apenas os atuais mais tambem os ultimos que os antecederam), e a qualidade do combustivel que de comum mesmo não tem nada, já colocam esses carros numa condição de rendimento na queima muito maior do que qualquer outra coisa semelhante no mundo. E estamos falando de um total de 22 carros e não de uma frota de táxis de New York.

A questão ecológica apregoada como intenção nas mudanças, no meu entender é meramente política, focada muito especialmente no marketing que a categoria precisa mostrar. Mas a verdade é que os custos estão por trás disso com muito mais peso do que a ecologia. Pelos números divulgados os motores têm pouco mais de 500 hp's e o ERS fornece mais 160. Motores menores turboalimentados, com limite de giro de 15000 rpm, com 2 cilindros a menos, tudo isso significa menos peças móveis junto com um menor nível de solicitação em relação aos do ano passado. É claro que isso não significa que esses motores não são exigidos, apenas entendo que as condições atuais devem levar a um menor nível de desgaste. O restante da potencia que eles não fornecem usa um equipamento de manutenção bem diferente de um equipamento mecanico. Não faço a menor idéia do custo de um super-capacitor e tampouco do seu desgaste, que tambem existe. Mas os geradores podem ter desgaste nos seus mancais, que podem ser substituidos numa operação de manutenção muito mais simples do que num mecanismo mais complexo do que um motor à explosão. Tambem, peças mecanicas estão sujeitas a um desgaste contínuo a partir do momento em que começam a funcionar, ao passo que geradores e motores elétricos podem passar a temporada inteira com os seus componentes principais mostrando a mesma performance.

Acho que isso tudo foi idealizado com o objetivo de diminuir o número aceito de substituições afim de baixar os custos, tendo como base uma redução de desgaste.

Um outro ponto que considero muito característico dessa temporada é o que eu chamaria de Campenato Mundial de Engenheiros. Nunca a F1 teve tanta influencia da participação dos engenheitos como agora. Vettel, no meu entender é o exemplo mais flagrante disso. O seu companheiro subiu ao pódio na primeira prova, com um carro que deixou uma péssima impressão na pré-temporada, ao mesmo tempo que o próprio Vettel, antes imbatível, sequer terminou a prova e abandonou prematuramente. Ricciardo, por mais bom piloto que seja não é melhor que Vettel, não tem kilometragem para tanto. A diferença está nos carros, mais particularmente na engenharia. Algo que não funciona num, no outro funciona conforme planejado. Situação inédita na Red Bull.

Outra demonstração da influencia da engenharia é a Lotus, que no ano passado teve um bom papel, junto com falta de fundos, e hoje foi para nos fundos do grid sem terminar. Está tão ruim que lembra a Hispania onde Bruno Senna iniciou.

Os freios são outro ítem que pode gerar supresas desagradáveis. Foram precisamente eles que contribuiram altamente para que Kobayashi estampasse na traseira de Felipe Massa, dando fim ao visível entusiasmo do brasileiro logo na primeira curva do GP. O único ponto que poderia ser mencionado como proveitoso disso foi a declaração de Massa depois do evento. Ele pode falar na equipe pela qual pilota hoje. Essa reação dele entendo como positiva. Tomara que consiga tirar bom partido das suas declarações.

Pane seca? Talvez em lugares como SPA, mas não apostaria nisso em pistas como Interlagos. O problema não é a possibilidade de panes secas mas o que custa a eliminação dessa dita possibilidade. Os carros carregam agora um pouco mais de peso e bem menos combustivel, e ainda não iventaram algo que invalidasse a famosa relação peso x potencia. Otimizaram os motores mas isso não significa que passaram a andar a poder apenas do odor da 'benzina'.

Em resumo, a F1 dessa temporada é formada por carros de um grau tecnológico nunca antes atingido e aparentemente muito mais críticos do ponto de vista operacional, em condição de exigencia total. E, claramente os engenheiros são as pessoas que podem fazer esses carros darem tudo ou pura e simplesmente pararem no meio do caminho.

Uma ultima consideração, esta um tanto no estilo advogado do diabo. No lugar de Weber entrou Ricciardo, os dois australianos. A Red Bull declarou que iria pedir ajuda à filial Toro Rosso no desenvolvimento do carro. Será que é válido pensar que a Red Bull do Ricciardo andou com uma 'solução' Toro Rosso não entregue ao carro do Vettel?

Acrescentando:
Agora mesmo quando postei esse texto, li no site da categoria que Ricciardo foi desclassificado.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Dionisio Pastore (1957 - 2014)


Dionisio Pastore
(imagem do perfil do Facebook do piloto)


Um dia desses, durante o carnaval eu folheava um livro de receitas publicado pelo Sesi e li na lista de integrantes da instituição o nome de Osvaldo Pastore. Pensei imediatamente em perguntar ao Dionisio Pastore, via Facebbok, quem seria essa pessoa. Nem podia imaginar que um dos nossos maiores kartistas já tinha ido dessa para outra.

Dionisio Pastore faleceu no dia 27 de Fevereiro ultimo, vitimado pelo coração que todos os pilotos sentem bater muito forte quando aceleram as suas máquinas.

Tenho estado um tanto desligado de tudo por conta das atribulações dos ultimos meses e só hoje li na internet a triste notícia.

Embora com muito atraso, deixo aqui um registro do acontecido como mínima forma de homenagem a um dos nossos campeões do kart que encontrou nas pistas gente da melhor geração do nosso kartismo, não apenas aqui no Brasil mas fora tambem.

Fique com Deus campeão!

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Schumacher - paz de espírito a quem mais necessita.

(fonte: http://news.bbcimg.co.uk)



Me deixem em paz, é realmente o que eu diria se tivesse sendo assediado tal como os familiares do Schumi estão. A imprensa se interessa apenas pela publicação de notícias e no caso de uma personalidade mundialmente pública essas notícias interessam muito mais que as outras pois a audiencia vai para a estratosfera.

Sobre certos temas prefiro aguardar o tempo necessário para que o calor das primeiras publicações seja substituído por informações que montem um panorama crível. Além disso é preciso lembrar que opinião sobre qualquer tema pode desagradar a muitos mas o exagero sobre fatos cujas informações às vezes são nada mais do que comentários no estilo 'alguem disse que', desagrada à todos e põe a credibilidade em cheque. É o caso do que se noticiou sobre Schumi nos últimos dias.

A imprensa quer que sejam dados prognósticos impossíveis, então recorrem a opiniões de outros que não estão envolvidos diretamente, para darem os seus próprios prognósticos. Tentam por todos meios possíveis obter essas informações atravéz de pessoas que sabem apenas o que lhes é direito saber pelo tipo de relacionamento que têm com o paciente. E estas mesmas pessoas podem no máximo repetir o que ouviram mas não podem julgar por não serem do meio.

A um determinado momento isso se torna pressão psicológica pois fica explícito que a imprensa quer notícias mesmo que isso signifique dizer que o paciente deu um suspiro mais profundo às 3:26:30 da última madrugada. E isso será posto na primeira página como manchete do dia. Chamo a isso mediocridade.
Na matéria da BBC está claro que o que foi dito no início desse acidente não tinha o menor fundamento. Disseram que ele estava a mais de 100 km/h. Se assim fosse a imprensa teria noticiado o funeral de Schumacher e não o tratamento.

Aqui no Brasil as coisas seguiram o tradicional rumo da sensação, da comoção. Transformaram notícia em opinião dizendo que Schumi era um cara que não conseguia ficar parado e por isso necessitava de coisas que lhe desafiasseme o colocassem em risco. No entanto foi dito mais tarde que ele saiu da pista afim de ir ao encontro de uma criança, filho de amigo seu. E aqui nessa matéira se deixa claro que ele realmente saiu da trajetória mas que é um exímio esquiador. Acho que isso é material mais que suficiente para concluir-se que ele nunca foi alguem que tivesse o ímpeto de destruir a própria vida. Louco é quem pensa que ele estivesse em busca de uma pedra na neve fofa afim de tomar um tombo.

Por fim, quero deixar a minha opinião sobre a família dele. Sei bem o que significa ver um familiar agonizando em tratamento médico. Apenas para constar, quando a minha mãe, recentemente falecida, estava nos seus ultimos dias na UTI, uma psicóloga veio fazer uma entrevista comigo com o objetivo de apurar quais poderiam ser as minhas reações diante do fim anunciado pelos médicos. Eles sabem bem o quanto isso custa à família. E a família do Schumi é tão família quanto a minha, não há diferença sob esse aspecto. E sofrem com os acontecimentos, independentemente dele, marido e pai, ter 7 títulos de F1, 70 títulos, ou nenhum. E mais que isso, os familiares se sentem na condição de passageiros totalmente impotentes, da mesma forma como me senti.

Aí pergunto, se alguem como a Corina Schumacher suportaria sem se incomodar, a idéia de virar noticiário, ser seguida dia e noite, e ser solicitada a dar declarações que ela própria não tem como pois seria pura e simples repetição do que ouve, que pos sinal não se altera. Ela tem um marido acidentado em estado bem crítico no hospital e espera que ele saia dessa para que possa retomar a sua vida e as suas responsabilidades familiares. É bom lembrar que a Corina tem como maior responsabilidade a sua própria família, e isso é óbviamente mais importante que conteúdo de manchetes, muito embora ela, a acessora do Schumi e os médicos tenham perfeita consciencia dos seus papéis em relação ao público.

Ao invéz de noticiarem uma velocidade fictícia no acidente, acho que a manchete principal deveria ser 'Boa sorte Schumi, estamos torcendo por você'. Sem dúvida a reação da família seria agradecer ao invéz de solicitar respeito à privacidade. Privacidade à qual a família tem todo direito e deve buscar quaisquer meios, incluindo os que desagradem aos outros, afim de mante-la.

Este blog deseja à família Schumacher que este episódio se torne nada mais que uma passagem na vida do campeão.

domingo, 24 de novembro de 2013

Festa de fim

É isso que Interlagos representa no atual calendário, uma sensacional festa de final da temporada. Não vamos comparar isso à Monaco que é uma festa de bilionarios e celebridades. Mas em relação ao esporte em si, a de hoje corrida foi uma verdadeira celebração.

A começar pelo fato de que o mais provável no GP do Brasil é termos duas corridas. Tal como foi neste final de semana, o treino de sábado rendeu surpresas que dificultaram o estabelecimento de uma estratégia e hoje a corrida se deu em condições para as quais as equipes foram obrigadas a definir estratégias na hora. Sei não mas arrisco a dizer que se São Pedro não é brasileiro, tem uma grande simpatia pelo nosso autódromo. Afinal ele aparece como a versão natural e muito provável da idéia de Bernie de jogar água nas pistas.

Aqui tem de tudo. Pode ser sol escaldante, chuva, chuvinha, temporal. Pode cair um dilúvio num dia e no outro fritar ovos no asfalto. Pode chover no meio da corrida ou no inicio ou no fim. Nada aqui é previsivel com segurança. E isso dá um brilho à parte ao espetáculo, especialmente quando se fala de uma corrida que encerra a temporada.

Até mesmo Massa que teve a sua participação prejudicada por uma punição, não deixou festejar em frente à torcida fazendo zerinhos. Vettel, que venceu mais uma, pra variar, tinha tambem motivos para encher o asfalto de zeros.

Mas quem roubou a cena toda foi Mark Webber que após a bandeirada rompeu totalmente o protocolo e patrocinou a cena que vai ficar na memória por muitos anos. Tirou o capacete pouco antes de chegar nos boxes e curtiu um ventinho na cara que, acredito lhe tenha sido mais saboroso que o champagne servido habitualmente nos pódios. Fez festa particular, à sua moda, no melhor estilo 'hoje a felicidade é minha'.

Se Interlagos não for um templo, tal como dizem muitos amigos meus, com certeza é um salão de festas com direito à muita diversão e comemoração. Se essa pista faltasse no calendário da F1, não tenho dúvidas de que iriam pedir para voltar.

Interlagos é único!

sábado, 23 de novembro de 2013

Vettel, o cara dos caras

Sebastian Vettel no GP do Brasil de 2013.


Mesmo na condição de tetracampeão, tendo conquistado mais um campeonato por antecipação, o alemãozinho veloz não poupou nada e cravou mais uma pole em Interlagos. Nada menos do que 0,6s à frente de Nico Rosberg, o segundo do grid, e um segundo inteiro à frente do seu companheiro Weber, que ficou com o quarto tempo. Isso tudo sob chuva.

Para quem viu as poles de Ayrton Senna, Vettel o lembrou no estilo arrasador marcando o melhor tempo lá no finalzinho do treino, da mesma forma que muitas vezes Ayrton fez e arrancou aplausos dos torcedores.

Não é possivel apontar um favorito para 2014 mas Vettel seria a minha aposta. É claro que o carro que ele conduz com clara maestria é o melhor do grid, atualmente. Mas para manter essa superioridade indiscutivel num treino classificatório na chuva é preciso ser um ótimo piloto pois é preciso pilotar na ponta dos dedos sem uma única distração. Conseguir isso já é bem difícil, e ser o mais rápido assim, mais dificil ainda.

Mas ele marca pontos tambem fora do cockpit. A foto do post foi cedida pelo amigo José Manuel Ferraz, e segundo foi dito o próprio tetracampeão foi quem deu o clique, na sexta-feira. Além de veloz e imbatível é simpático e livre de quaisquer orgulhos desnecessários. Isso é o que o torcedor de um esporte mais gosta nos seus ídolos. Poder se aproximar deles, que julgamos pessoas muito acima das nossas capacidades, mas que se portam como seres humanos comuns que dão espaço para a admiração e retribuem o ato sem rodeios.

Pelo que me parece, entre os caras Vettel é o cara.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Massa na Williams - mais alívio e muito estímulo

No mesmo final de semana em que anunciou a sua saída da Ferrari, Felipe Massa disse estar aliviado. A declaração soou menos importante do que a incerteza a respeito do seu futuro na categoria. De Bernie Ecclestone veio outra declaração que deixou um pouco mais de limão azêdo na imagem do pilôto. Disse Bernie que Massa é um cara azarado.

Diria que, para o azar de Bernie, não apenas Massa achou seu novo caminho para permanecer na categoria, como também inverteu um jogo. Agora é Maldonado quem vai precisar de sorte pois tem o dinheiro mas não tem a garantia de que este será aceito na Lotus, tanto que ainda não confirmou a entrada na equipe. Em curto prazo o que pareceu ser fim de carreira se tornou um recomeço estimulante para Massa. Acabou o azar e aumentou o alívio pelo fim da pressão e incerteza na Ferrari, e isso tudo certamente se carateriza como um estímulo muito merecido e bem vindo.

Se as ansiedades já são coisa do passado, o que interessa agora é o que vem pela frente. Um dia desses quando se anunciou a negociação de Maldonado com a Lotus e, por conta disso, um caminho aberto para Massa, fiz um questinamento a respeito desses dois. Quem será mais pilôto, Massa ou Maldonado? Quem terá o melhor carro em 2014, Williams ou Lotus?

A respeito dos pilôtos fico com Massa, e a respeito dos carros fico com a Williams, muito embora essa questão em particular deva ser comprovada na pista na próxima temporada. Acho que se Maldonado conseguir permanecer na categoria, corre o sério risco de precisar da sorte na mesma medida do azar que Bernie atribuiu a Massa.

A Williams é uma equipe com uma tradição de vitórias com grandes feras da pilotagem, e a ultima da categoria que iniciou nas mãos de um garagista que ainda está no comando. Fora isso há as questões internas que em determinados momentos são guardadas como segredos. A temporada de 2013 foi tão desastrosa para a equipe que nada impede que tenham literalmente desistido do projeto do atual bólido já no inicio da temporada e concentrado os maiores esforços no próximo carro que deverá atender regras que dão fim ao favoritismo. Ninguem hoje pode dizer quem terá o melhor carro em 2014 e não há nada que impeça que a Williams volte a ser frequente visitante dos pódiuns. Não será surpresa ver no ano que vem equipes de meio de pelotão disputando com outras que foram mais rápidas nesse ano.

E a Williams não pára na renovação dos pilôtos. A equipe promete o anuncio de mais novidades, uma delas a possivel contratação de Rob Smedley, engenheiro de Massa na Ferrari.

Tudo no plano das suposições por enquanto, mas dentro das reais possibilidades. E com um ingrediente a mais que pode arrancar alguns sarcásticos sorrisos dos torcedores brasileiros - um possivel momento de disputa na pista entre Massa e Alonso. Será que numa cena dessas o engenheiro do espanhol diria pelo rádio 'Massa is faster than you' ?

Parabéns Massa.

E bôa sorte.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

20 anos depois de Senna continuamos com a tv ligada. E continuaremos.



Hoje completam-se 20 anos que Ayrton Senna ganhou a sua última corrida na F1. Venceu a última prova do calendário em Adelaide na Austrália pela McLaren. Atrás dele terminaram as duas Williams, com Prost em segundo e o seu futuro companheiro de equipe em 1994, Damon Hill, em terceiro. O companheiro de Senna, Mika Hakkinen, terminou em quarto, apenas poucos centésimos atrás de Michael Schumacher.

Vinte anos depois desse episódio estamos diante da possibilidade de não termos um brasileiro na F1 em 2014, muito embora Massa mereça, e muito, uma chance para prosseguir em outra equipe. Dois cenários que contrastam de forma impressionante.

A verdade é que o brasileiro ainda não perdeu o interesse pela categoria e nem perderia se tivéssemos um ano sem um brasileiro. Passaram-se 20 anos sem vitórias em sequencia e continuamos plugados na telinha. Criticamos o show tecnológico atual mas não desligamos a tv nem mudamos de canal. Criticamos o Galvão, até mesmo com faixas nada elegantes nas arquibancadas, mas continuamos assistindo. Criticamos o Massa mas agora torcemos para ele permanecer.

Só para relembrar, Emerson Fittipaldi foi muito ciriticado pela ausencia de vitórias na sua equipe e me lembro bem que muita gente disse que ele amarelou quando deixou o cockpit. Mas foi festejado como herói na Indy pelas mesmas pessoas que alguma vez o criticaram.

Aconteça o que acontecer, o nosso interesse pela F1 já está muito sedimentado e não deixaremos de acompanhar as corridas. Senna não é o único responsável por isso mas sem dúvida foi ele quem deixou viva na mente do brasileiro a expectativa de vitórias a serem festejadas e comentadas o dia todo. Não se deve esquecer que o nosso futebol já passou por situação similar depois de ter alcançado uma, até hoje muito importante, distinção. Voltamos a ver o nosso futebol no topo. Podemos esperar o mesmo na F1?