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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Nos Bastidores do Automobilismo Brasileiro (6)


 fragmentos do livro de Jan Balder e comentários do Amigos Velozes.

Quando eu estava perto dos dez anos, fui passar férias na minha cidade natal, Ribeirão Preto, na floricultura de um primo do meu pai. Um dia precisei ligar para alguem na cidade. Usei para tanto o telefone da casa, um daqueles de parede com a manivela do lado que girava um magneto que chamava a telefonista da central. Tomei um choque. Os números de Ribeirão eram de 3 dígitos. Dei o número que queria chamar e lá ela ligou os cabos e se deu a conversa.

Recentemente eu me encontrava próximo à fabrica onde um amigo meu é gerente e lhe liguei para marcamos um encontro. Não foi possível pois ele estava em Budapeste. Eu estava ligando do meu telefone celular, que hoje em dia é um minúsculo aparelho que pode ser carregado no bolso da camisa.

Entre um evento e outro há menos de meio século. O mundo parece ter virado de ponta-cabeça embora os carros continuem andando em cima de 4 rodas. No seu livro, Jan aborda brevemente um tema que tem um grande significado para o automobilismo e a indústria montadora local. As pistas como laboratório de testes.


As primeiras 24 Horas de Interlagos, em 1960, exigiram esforços redobrados da turma da Vemag. As pontas de eixo e as rodas foram reprojetadas com outro material - batizado de “especial” -, eram vendidas opcionalmente, e nunca mais um DKW ficou alijado devido a esse quesito nas corridas.

O Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA), presidido por Lúcio Meira na gestão Juscelino Kubitschek, estabeleceu metas e prazos para a nacionalização. Surgiram novas indústrias brasileiras de autopeças e ocorreu a expansão de algumas que já atendiam a reposição de peças no mercado paralelo dos carros importados. Estas passaram a produzir em maior escala, com engenharia aplicada, um grande desafio.


Nos dias atuais uma montadora pode fazer uso de sistemas de engenharia que limitam muito o uso de testes laboratoriais que tenham o objetivo de desenvolver uma determinada peça. Os sistemas computacionais de elementos finitos são altamente desenvolvidos e por conta deles é possivel prever grande parte do comportamento de um determinado ítem.

Os nossos primeiros automóveis produzidos aqui eram projetos europeus e precisavam ser adaptados às condições de uso local. As indústrias que abasteciam as montadoras de componentes dos seus carros, não estavam em condições de produzir tudo que era necessário, seja isso visto pelo lado da capacidade produtiva total, seja pelo lado da capacitação tecnológica. Estávamos fazendo aqui, coisas que eram fabricadas ha muito mais tempo na Europa. Lá o complexo da produção de automóveis estava equacionado.

Investir em laboratórios de teste sofisticados num mercado onde tudo está por surgir, inclusive estradas, era um custo impraticável. Além das suas pistas de teste, as fábricas puderam contar com as competições como ambiente de teste de resistencia dos seus carros. Afinal, lá eles seriam exigidos além dos limites propostos para uso comum e se superassem essa exigencia extrema, estariam aptos a rodar nas ruas com confiabilidade.

Em um entrevista recente que fiz com Jan há uma passagem em que ele comenta um ano de desenvolvimento do Escort em parceria com Chiquinho Lameirão. Aí já falávamos de década de 1980. Mais de vinte anos após o surgimento das primeiras montadoras, as nossas pistas eram local adequado para uma das etapas do desenvolvimento dos nossos carros.

Não é de estranhar que mecânicos e pilotos dessa época pioneira de fato conheçam mecanica de automóveis. Por um tempo êles estiveram nas pistas exatamente por causa disso.



3 comentários:

Aun disse...

Zé,

Desculpe o off topic.

Legal você ter comentado sobre a tecnologia aplicada em diversos produtos, mas os carro ainda estão sobre quatro rodas.Mesmo os elétricos se mantêm neste conceito.

Penso que o caminho para sair das quatro rodas seria o uso de forças magnéticas, porém seria necessário voltar 100 anos e rever alguns conceitos de Tesla.

Já pensou todo mundo flutuando?

Um abraço,

Rafael Aun

Zé Clemente disse...

Filmes de ficção mostram um cenário desse tipo onde os carros flutuam e pousam mais suave que helicóptero. É sonho velho de cientistas anular a gravidade. Os nazistas se meteram em desenvolvimentos de armas que utilizassem esse conceito. Nenhuma foi viável.
O grande problema é que anular a gravidade demanda energia. E aí eu acho que uma forma de se consumir menos energia seria mudar as rodas. O número de rodas e a sua constituição. E também o meio de rolagem. O asfalto e os pneus precisam gerar atrito para que haja segurança ao dirigir. Caso contrário seria como dirigir na neve.

Mas eu já pensei em mundo flutuando sim.

Abraço

Aun disse...

Por curiosidade, li alguma coisa sobre Nikola Tesla. Este inventor, no passado, parecia ter conseguido distribuir energia pela terra de forma livre (a energia A/C foi ele que descobriu), sem a necessidade dos usuários pagarem pela distribuição.

O processo era complexo e não havia sido bem experimentado. Precisava de dinheiro para mais testes, porém, seu projeto não ia de encontro com os interesses das grandes coorporações, que ainda desejam lucro.

Se houvesse uma mudança na forma de transmitir a energia, na terra por exemplo, poderia se pensar em rodovias magnéticas, dispensando o uso de rodas. O próprio combustível seria desnecessário.

Avançando a idéia, talvez fosse possível "navegar" por autoestradas nos oceanos, a velocidades mais altas do que estamos habituados.

Seria como guiar um hovercraft.
O curioso é que a tecnologia das lâmpadas incandecentes já existia (também por Tesla) há muitos anos e só hoje tem uma aplicação generalizada. o próprio conceito de transmissão de dados por ondas eletromagneticas existe sabe lá quando.

Acho que a solução para a "humanidade" sairiam dai. O problema é que deveriamos mudar também tudo o que temos hoje, do capitalismo ao gosto por corridas de automóveis.

Um abraço,

Rafael Aun