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segunda-feira, 28 de março de 2011

Apenas Felipe Massa repetiu essa incrível expectativa



Há duas décadas Ayrton Senna venceu o GP de Interlagos. Não apenas êle desejava vencer em casa mas também a torcida queria muito experimentar novamente a sensação de vibrar nas arquibancadas pela vitória de um brasileiro no seu país de origem. Isso significava para nós, supremacia. Ao contrário do futebol, a torcida pode ser vista pelo pilôto de dentro do carro mas não ouvida. Mas se podia sentir o clima na semana daquele GP quando o pilôto estava fora do seu carro. Havia uma expectativa muito grande pois Ayrton já deixara a Lotus pela McLaren e era bi-campeão por esta, a mesma equipe pela qual Emerson também foi campeão em 1974, o que se constituiu no primeiro título da equipe na F1. Um brasileiro vencedor e a McLaren eram um casamento perfeito. Uma vitória na casa do pilôto seria o máximo.

Como sempre em Interlagos a expectativa era de chuva. O nosso clima jamais foi muito confiável, principalmente neste circuito. As Williams eram muito velozes e seus dois pilôtos, Nigel Mansell e Ricardo Patrese não deixavam dúvidas em relação às suas capacidades. A McLaren não era favorita. No qualifying Ayrton marcou a pole nos instantes finais à frente de Mansell. Já era motivo de festejo e aumentava mais ainda a expectativa pela primeira vitória de Senna em Interlagos.

Na corrida Mansell teve um pneu furado e isso colocou o seu companheiro Patrese na segunda posição mas com uma considerável folga a favor de Ayrton. Estaria tudo em paz se a caixa de cambio da McLaren não fôsse perdendo as marchas uma a uma até que restassem a primeira e a sexta. Foi assim que Patrese se aproximou demais de Ayrton Senna e em condições de superar. As voltas finais foram dramáticas e Senna chegou na frente com sómente 3 segundos de vantagem.

Ayrton não tinha preparo físico suficiente para suportar tôdo o esforço e precisou ser atendido pela equipe médica na pista pois sentia muitas dores no ombro e no pescoço. No pódium teve dificuldade de levantar o troféu e na entrevista que deu após a corrida, o seu cansaço era visível.

O vídeo desse post mostra um pouco dessa corrida na forma de documentário. No mesmo ano Senna ganharia o terceiro e último título de campeão do mundo de F1. Venceu mais uma vez em Interlagos em 1994 e sómente em 2006 outro brasileiro faria o mesmo - Felipe Massa.

Fico hoje pensando se o interesse do brasileiro pela F1 vai sobreviver a mais outros anos sem vitórias como as de Ayrton. Temos ótimos pilôtos de F1 mas não temos mais corridas emocionantes, geradoras de grandes expectativas como esta ganha por um campeão. A última com essas características foi justamente a segunda vitória de Massa em Interlagos, num campeonato que ficou com Hamilton na última volta quando Timo Glock, que usava pneus slicks naquela hora, foi ultrapassado por Hamilton que usava os intermediários. Por um breve instante, Felipe Massa havia vencido a corrida e o campeonato.

Nós temos lembranças de vitórias espetaculares, sejam na F1 ou nos outros esportes, e isso só contribui para que esperemos sempre por outras de mesmo gênero. Infelizmente essa condição faz com que devotemos sempre menos valôr à atuação de outros pilôtos brasileiros.

GP da Austrália - vitória de Vettel é parte de um ciclo e não uma surpresa

Não assisti o GP da Austrália e isso não se deveu a falta de vontade mas a excesso de gripe. Assisti apenas a parte da classificação durante a qual eu não dormi. Vettel era o claro candidato à vitória depois de ter enfiado nada mais que 0,8s no segundo colocado na classificação, Lewis Hamilton. Para dar uma noção do que isso significou, essa é a diferença entre Hamilton e Petrov, o sexto colocado no grid. Como costumamos dizer, é chão.

Como se isso não batasse, o companheiro de Vettel, Mark Webber, pilotando o mesmo carro ficou na terceira colocação. Aqui fica explícita uma diferença inegável entre os dois pilotos. O atual campeão do mundo tem o melhor carro da categoria, está muito motivado e maduro o suficiente para tirar o proveito total do carro o tempo todo. Tanto é assim que venceu sem dificuldades a corrida de abertura do campeonato de 2011.

Acho que o resultado desse final de semana já coloca Vettel como candidato ao bi-campeonato. Mas, candidato não é necessáriamente favorito pois Lewis Hamilton terminou em segundo, muito atrás mas na frente de outros competidores fortes, e isso mostra que tem carro para brigar com êles e nem tanto assim com Vettel. De qualquer forma já ficou a noção de que esse campeonato pode tranquilamente se disputado entre Vettel e Hamilton.

A Ferrari não convenceu, não mostrou evolução na corrida e não fôsse a mão do espanhol poderia ter feito pior ainda. Ainda por cima houve a desclassificação da Sauber e assim a sétima e oitava posição passaram a ter outros donos. Mas a partir do momento em que a Sauber se enquadrar totalmente no regulamento, será que a sua performance cairá? É preciso aguardar para se chegar a uma conclusão.

Mas oque chamou mais atenção foi o primeiro pódium de Vitaly Petrov. Abrir a sua segunda temporada com um pódium com um carro que não é de ponta, é um fato a ser destacado. Aqui também isso depõe contra a Ferrari pois na última corrida do ano passado Fernando Alonso não conseguia superar Petrov e chegou ao desplante de reclamar da Renault que porque não lhe facilitou uma ultrapassagem. E agora com esse pódium da Renault a superioridade ficou visível. E pode ser que essa seja uma briga emocionante durante o capeonato, nada impede que seja.

Enfim, a supremacia de Vettel faz valer a velha receita de sempre - o cara certo, no melhor carro, na hora certa. Assim se faz um campeão e êle tem as qualificações necessárias para isso. Não vamos nos esquecer que começou outro campeonato mas essa não é a primeira atuação brilhante de Vettel e sim um momento da sua carreira em que essa atuação se segue a outras e também se antecede a outras que virão. É um ciclo e não uma surpresa.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Kart São Paulo 2011 - dividindo curvas com São Pedro

Logo de cara na prova de abertura, São Pedro entra na disputa

Estou aguardando a publicação do resultado da 2a. estapa do meu campeonato de kart amador, o Kart São Paulo, e no site verifiquei que estará disponível amanhã.

Espero que se lembrem de conferir uma pontuação para São Pedro, que resolveu disputar comigo a edição de 2011. Mas não em dupla, ele é adversário. E não fui eu quem convidou.

Na primeira corrida do ano, cheguei no kartódromo já esperando por uma chuva que afinal estava lá aguardando apenas a minha chegada. Era a prova de abertura e dias antes falecera o grande pilôto Luiz Pereira Bueno, pessôa que admirava muito e com quem tive bôas conversas em Interlagos, embora por um curto período. Na ocasião gravei um vídeo na compania do Giba Gallucci e do Werner Heying, no qual falamos de um dos maiores botas de tôda história do nosso automobilismo. O vídeo está neste link.

Na sequência veio a nossa corrida em pista totalmente molhada, para a qual me classifiquei em 11o. No meu grupo tem gente que pilota muito mais do que eu na chuva e eu achei que a minha posição no meio de 20, estava ótima. Largamos e eu esperei as rodadas que sempre acontecem e comecei a procurar o meu espaço. Mas não tardou para que eu também rodasse, coisa imperdoável numa corrida curta, e não consegui ir mais à frente do que poderia.

Ao final, me encontrava na décima posição, tendo antes ocupado a 9a. Na ultima volta entrei muito mal na subida do bacião e o Fábio Junqueira colou em mim. Na útlima curva fui ultrapassado e assim acabei do mesmo jeito que comecei, em 11o. Na primeira bateria deu o Mogar na frente e na segunda, a minha, o Fábio Komatsu. O ponto positivo da noite foi o colete que eu ganhei no sorteio. Ótimo, o meu já estava na hora de aposentar. Meu muito obrigado à organização, agora nas mãos do Nico Mármora.

Um dos melhores momentos de qualquer corrida é no
box após o término. Discute-se tudo que deveria ter sido
feito na pista e eventualmente não foi.

Na pontuação fiquei na 20a. colocação pois as tres primeiras corridas dividem o grupo em 2, e servem para estabelecer diferença de performance entre os participantes, que somaram 39 na primeira prova em duas baterias. Discordo um pouco do atual critério e mais tarde vou dar a minha opinião sobre esse tema.

Na segunda prova, dia 16/03, eu esperava um tempo melhor mas São Pedro estava inscrito de novo. Como não tenho poder de veto fui obrigado e disputar curvas com ele novamente. E dessa vez foi pior porque garoava quando cheguei e depois parou e as baterias foram secando. Quem quer que seja que pilote, prefere muito mais a água propriamente do que esse sabãozinho que fica nessas condições.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Vácuo em monopostos - se não tem na F1, aqui tem

Primeira largada da Fórmula Vee Brazil em Interlagos no dia 12 de Março.

A câmera está a bordo do carro do Fernando Monis, que finalizou em segundo embora tivesse feito a primeira volta na ponta. Pelo que se vê nas mãos do pilôto, a tocada é segura e as correções confiáveis. Mas, interessante mesmo é notar que o vácuo fez o seu papel enquanto estiveram próximos.

(vídeo - Sandro Freitas)

quarta-feira, 16 de março de 2011

José Arauto De Angelis - soube só agora da perda do amigo de pista

José Arauto De Angelis, o primeiro à esquerda, na segunda etapa da Amika Senior, edição de 2007

É muito desagradável você perder um amigo que participou de alguma atividade com você. A sua ligação com essa pessôa foi firmada na amizade surgida no convívio em alguma situação, e isso se torna uma referência.

É a primeira vez que tenho notícia do falecimento de uma pessôa com quem dividi curvas no Kartódromo Granja Viana. Fiquei sabendo no último domingo, em nota no site Planet Kart,  que em 30 de Janeiro deste ano faleceu José Arauto De Angelis, que participou do campeonado Amika Senior de kart amador no ano de 2007.

Conheci De Angelis nos boxes, e como é comum nesse meio os amigos que riem nos boxes dividem curvas na pista às vezes de forma muito competitiva. E depois tudo se resume a comentários e eventuais gozações, que nada mais fazem do que aprofundar a amizade. Nas nossas conversas ele me disse que era o fundador da De Angelis Indústria e Comércio de Máquinas, empresa que entre outros produtos fabrica micro prensas excentricas, equipamento de bancada utilizado também na fabricação de chicotes de eletricidade.

De Angelis era apaixonado pelo kartismo e era o preparador do próprio kart, que dividia com o filho nas pistas. Era kartista desde os idos do início do kartismo brasileiro. Posso dizer que por ter dividido curvas com êle lado a lado, De Angelis era alguem que tinha uma noção muito bôa de pista. Por conta do peso, nao tinha como manter uma bôa performance em relação aos outros. Por isso tinha preferencia óbvia pelos karts 2 tempos.

Ele mesmo me disse que a sua saúde não era das melhores, mas que não deixaria de pilotar por causa disso. De fato, velocidade é um bichinho que te pega e não larga mais. De Angelis era um homem muito espiritualizado que tinha a caridade como valôr de vida. Era uma pessôa alegre, um bom papo, fazia amizades com muita facilidade. Pelo que entendi era muito dedicado à tudo que fazia. Combinamos que um dia visitaria a sua empresa, lhe liguei algumas vêzes mas a dita visita nunca se deu por conta dos compromissos da nossa vida atribulada. De Angelis faleceu de um ataque cardíco após um evento do SKB- Super Kart Brasil no kartodromo de Interlagos. Sentiu-se mal, foi socorrido mas não resistiu.

O blog Amigos Velozes lamenta profundamente a perda do amigo e se solidariza com a família. Que esteja em paz.

domingo, 13 de março de 2011

Barato, dócil, de montagem e manutenção simplificados.


Já fazia um bom tempo que não ía a Interlagos e não poderia ter faltado justamente neste final de semana. No mesmo dia em que foi justamente homenageado um dos maiores pilotos de tôda a nossa história - o que combinava com maestria a suavidade na pilotagem com o pé direito no fundo em curvas de alta, Luiz Pereira Bueno - uma antiga formula de automobilismo de competição retornou às nossas pistas. É um cenário de reedição de um passado romantico. Um passado no qual Luiz Pereira Bueno brilhou nas curvas do nosso mais importante autódromo, embora em outras categorias. Uma combinação feliz, eu diria, esta desse final de semana..

Posso dizer que uma grande quantidade de pilôtos que eu vi acelerando em categorias fortes no passado, eram amadores. E eram precisamente essas pessõas que formavam o nosso cenário. Hoje o automobilismo se tornou uma atividade de endinheirados pois tudo que existe nessa área está além das possibilidades de aquisição de muita gente.

A Formula Vee Brazil tem a proposta de atrair justamente esse público, menos privilegiado financeiramente falando, para as pistas. E já se saiu bem se considerarmos que embora apenas 7 carros tenham largado, há encomenda de nada menos que 27 outros. O grid vai aumentar nas próximas etapas.

Ao invéz de me enveredar em longas considerações e comparações, vou colocar aqui uma descrição geral, como tentativa de dimensionar de forma aproximada a categoria, e no final do post algumas fotos.

A proposta da categoria é dar oportunidade ao apaixonado de corridas de monopostos, ingressar em uma competição formada por esses carros, de forma totalmente amadora, a baixo custo e com muita simplicidade de montagem e manutenção.

Básicamente a categoria recria o ambiente do garagista amador que cuida sózinho do seu carro, ou com o auxilio de mecanico particular, e vai assim uma vêz por mês no autódromo relizar um sonho que hoje cabe apenas a bolsos muito cheios.

O chassi é tubular, desenvolvido a partir de provas práticas, o que custou vários descartes de tubos soldados até que se chegasse ao pacote final. Nele são incluídos os tradicionais itens de segurança como extintor, cintos de segurança homologados, arcos de proteção conforme os padrões vigentes na atualidade.

A carenagem é de fibra de vidro de design padrão e não é permitida a sua modificação. A caixa de direção foi construída específicamente para este projeto com uma redução adequada à uma pilotagem em alta velocidade, sem deixar de considerar o conforto do pilôto.

A mecânica é VW 1600 à alcool, com câmbio da mesma procedência sem uso de relação de marchas ou diferencial fora daqueles que eram utilizados nos carros de linha. O motor não emprega a ventoinha original mas admite-se o uso de uma elétrica para refrigerar nos momentos em que o carro estiver parado por longo período com o motor ligado.

O comando de válvulas sugerido é o da Kombi alcool e não é permitido o uso de comando de performance mais alta. A taxa de compressão é livre porém os cabeçotes não podem ser retrabalhados para alto desempenho de fluxo. Inclua-se aqui, óbviamente, os ajustes habituais para um motor que vai rodar em pista de competição, como balanceamento e ajustes de folgas internas. O volante deve ser o original sem alívio de pêso. A caburação é a Solex 32 que equipava esses motores e nela são permitidas apenas as alterações de giclagem.

Os penus são Pirelli P7, obrigatórios para tôdos os carros. Tôdo o conjunto pesa pouco mais de 400 kgs e tem uma potência de aproximadamente 80 hp´s. Já que se trata de uma mecânica práticamente sem nenhum preparo especial, era de se esperar que a velocidade em reta não fôsse alta demais, e portanto dentro dos domínios de um pilôto amador, iniciante ou não.

Mas isso de forma alguma significa desempenho ruim. Basta dizer que a estréia de 7 carros zero quilômetro, que nunca fizeram um shakedown, se deu numa condição de pista ruim e com os pilôtos cansados pela espera e ansiedade do momento almejado. E os dois primeiros da prova de estréia andaram o tempo tôdo se vendo após cada uma das curvas, embora Nenê Finotti viesse abrindo lentamente entre uma volta e outra.

Já que o carro de Nenê tinha um motor zero quilômetro e o de Fernando Monis, que vinha logo atrás, trazia um relativamente desgastado, entende-se que o pacote é precisamente o mesmo nos dois casos, com apenas alguma pouca diferença de performance dos motores.

A melhor volta de Nenê foi de 02:20.296 e a melhor de Monis foi de 02:21.166. Para o pacote em questão e nas condições em que estrearam eu penso que é bem aceitável. Pude fazer ontem mesmo uma comparação com outros carros de peso e potencia diferentes, e cheguei à conclusão de que o pequeno fórmula pode mostrar um bom desempenho em curvas.

Nesse aspecto Nenê foi claro ao afirmar que o carro é dócil, de bom manejo e neutro no comportamento em curvas. Mesma afirmação de Eduardo Monis. Fiquei com a clara impressão que basta algumas melhorias na afinação desses carros e uma prova em pista totalmente sêca mostrará com certeza tempos mais atraentes. Para uma categoria que jamais foi para a pista nem ao menos para uma classificação, eu acho que é um desempenho bem aceitável para o pacote proposto. As melhoras virão nas próximas etapas, que devem contar com mais carros no grid. E assim o clima de disputa será inevitávemente inaugurado. Entendo que há um equilíbro muito satisfatório entre custo de aquisição e de participação, e o desempenho proporcionado. Fora é claro, a oportunidade imperdível de se pilotar um desses na pista mais importante da história do nosso automobilismo. Seguem abaixo algumas fotos.




A posição do radiador de óleo é livre, mas não se usa cárte sêco.
Carburação original de 32mm, recalibrada.
Tampas de válvulas aletadas, fixadas nos prisioneiros.
Eixo traseiro posicionado por tirantes



Formula Vee Brazil - o primeiro pódium da categoria

O muito bem decorado carro vencedor da primeira etapa
conduzido por Nenê Finotti


No total foram aproximadamente 2 anos entre as primeiras discussões sobre o tema e a hora da bandeira de largada. Posso afirmar, por ter acompanhado, que foi uma batalha longa e dura desde as discussões iniciais que moldaram a idéia básica, passando pela dificil etapa de dar os primeiros passos para o surgimento do carro em si, até o momento em que os primeiros integrantes foram finalmente ao autódromo trajando os seus macacões e capacetes.

Então, ontem, 12 de Março de 2011, a categoria deu o seu primeiro passo concreto para existir na prática. Era necessária uma apresentação na pista, não nos moldes faraônicos de uma F1, mas pura e simplesmente andando na pista de competições. Esse é o momento em que definitivamente passa a existir uma categoria esportiva. A partir daqui todos os envolvidos estarão discutindo o que fazer para a próxima etapa, seja nos seus carros própriamente, seja na organização do evento. Já há a expectativa do prosseguimento, e isso é muito importante.

O cenário não poderia ser mais inquietante e gerador de expectativas. Sábado pela manhã havia uma fina e recorrente garôa. É claro que tôdos preferem pilotar no sêco, mas diferentemente do que pensaram em agregar à F1, aqui chove de verdade e não de mentirinha.

A prova estava marcada para o final da tarde após as 16:00. Mas devido a uma série de atrasos, a prova de 30 minutos foi finalizada aproximadamente às 18:10, com as luzes do autódromo já acêsas.

Essa demora causou uma expectativa e um certo cansaço psicológico pois tôdos chegaram lá antes das 9:00 da manhã. E ninguem estaria disposto a desistir de nada e nem tirar ao menos uma soneca. O box 17 foi-se enchendo aos poucos e os comentários e perguntas foram se avolumando.
O box 17 acabou se tornando concorrido, havia muita expectativa e curiosidade

Formula Vee Brazil - amadorismo e garagistas na pista - Again!!!!



A fórmula de sucesso nas pistas de automobilismo mundo afora esteve no passado baseada em garagistas. O bilionário e todo poderoso da F1, Bernie Ecclestone, também foi garagista. Ron Dennis foi mecanico no mesmo formato de competição. E assim por diante, a lista é imensa. Hoje em dia a idéia do garagista soa quase ridícula. Porém é preciso enfatizar que há uma diferença muito grande entre pagar todos os custos de uma estrutura de equipe e esperar apenas que transportem o carro para a pista e assim basta virar a chave, e se envolver de fio a pavio com todas as etapas da preparação e competição, sendo voce mesmo o ultimo reponsável por tudo e eventualmente o faz tudo da sua própria equipe. Aí o aprendizado gerado é incomparávelmente maior.

Ontem, 12 de Março de 2011, mais uma vez volta ao autódromo de Interlagos um formato de competição automobilística que no passado ajudou a forjar campeões como Emerson Fittipaldi. Foi dada a largada para uma iniciativa louvável que eu acompanho há vários meses. Deu-se a primeira prova da Formula Vee Brazil, uma proposta na qual eu sempre acreditei desde o início e por razões muito cabíveis.

Os cabeças da categoria, Joaquim Lopes Filho, o Mestre Joca, e Roberto Zullino, campeão da Classic, se desdobraram para concretizar o surgimento da única categoria de monopostos do país na atualidade, estruturada de forma integralmente amadora.

Interlagos - mesmo com chuva, mesmo em pé o dia inteiro, eu gosto muito


Depois de mais de um semestre sem por os pés no autódromo José Carlos Pace, retornei ontem a um dos lugares onde mais gosto de ir em sampa. E encontrei muita gente lá, que não via há meses. Lista grande que seria dificil compor de memória. É um ambiente que eu adoro, tenho muitos amigos lá e tanto as visões como os sons me fazem perceber que estou no lugar e momento em que gostaria de estar e que me dá satisfação. Então, vou lembrar com poucas imagens o sentimento de bem estar, num lugar onde fiquei em pé o dia inteiro e mesmo assim não me senti desconfortável pois o conforto mental foi bem maior.

sábado, 12 de março de 2011

Luiz Pereira Bueno - cerimonia de homenagem na Curva 1 de Interlagos

O Mark I, que foi pilotado por Luiz Pereira Bueno, no local onde ele deu autênticos shows de pilotagem - a desafiadora Curva 1
À direita da foto ao lado do guarda chuva preto, uma das pessoas que mais apoio deu a Luiz, seu grande amigo Chiquinho Lameirão 

Hoje foi dia de cerimonia e lembranças em Interlagos. E não poderia haver lugar mais bem escolhido do que a Curva 1, palco de impressionantes performances do grande Luiz Pereira Bueno, falecido muito recentemente.

Infelizmente eu cheguei muito tarde no local e a cerimonia já havia transcorrido. Foi armada uma tenda na qual deu-se o cerimonial própriamente dito com as palavras de um padre cujo nome lamentávelmente não me lembrei de perguntar.

Estavam presentes muitos amigos de Luizinho e na programação do cerimonial foi incluído um áudio do grande pilôto contando algumas passagens suas no automobilismo. Suas cinzas foram lançadas no asfalto onde ele brilhou por muitos anos, e os três carros que esternizaram a sua imagem no Brasil estavam expostos na pista conforme as fotos desse post.

Entre muitos presentes estava um dos seus amigos que em nenhum momento deixou de fazer algo por êle, mesmo ainda antes de manifestar enfermidade, Francisco Lameirão, o Chiquinho. É uma pena que eu tenha chegado muito tarde e portanto não tenha colhido mais informações. Mas que fique registrado aqui no Amigos Velozes essa homenagem a uma pessôa que fez uma legião de amigos e admiradores ao longo da sua vida.

Mark II, carro que acumulou vitórias nos melhores tempos do nosso automobilismo


Porsche 908, o veloz bólido com o qual Luiz impressionou ao contornar as curvas 1 e 2 em altíssima velocidade

O local onde se deram as homenagens, no lado interno da Curva 1

A Curva 2, ponto de velocidade muito alta que antecede o retão de 900 metros

imagens: Amigos Velozes

sexta-feira, 11 de março de 2011

Procura-se piloto de F1 com curso e prática comprovada em acrobacias aéreas




Emerson Fittipaldi nunca escondeu o seu desagrado com os carros asa, argumentando que você não conseguia perceber bem as reações do carro e caso as minisaias deixassem de fazer o seu papel em algum momento, você virava passageiro sem saber e em velocidade muito alta.

Um dia desses, vendo imagens de antigos carros da F1 no Facebook, vi uma foto de uma Surtees que me chamou a atenção na hora. Todo o design do carro é muito fluído, sem frescuras, penduricalhos, volteios, depressões e coisas assim. Você olha na foto e identifica um carro de corridas monoposto, no caso um F1.

Também a decoração era muito bem balanceada. Carenagem com o branco predominando e as inscrições em verde, destacando-se muito no conjunto. Além disso a mecânica ficava exposta, como era comum naquela época.

Hoje os carros da F1 não são própriamente maravilhas da tecnologia, mas aberrações competitivas de altíssima performance. São design´s esquisitos onde o efeito aerodinâmico dita a estética, prevendo espaço conveniente para incrições que mais parecem marca de roupagem do que anúncio de patrocinadores. Os números que antigamente qualquer caolho daltonico com 8 graus de miopia enchergava, hoje precisam ser procurados no Photoshop.

Enfim, essa F1 de hoje não atende, na minha forma de pensar, um dos intuitos mais básicos da organização de um evento de competição automobilística. Fazer o público identificar os carros por sinais, entre êles os números, de tal forma que a associação com os patrocinadores se torne automática.

Conheci muita gente que foi ao autódromo porque sabia que ía ver o Maverick da Hollywood. Amigos meus que viram Nelson Piquet na F Super Vê se lembram que ele era patrocinado pela Gledson. E assim por diante. Ah, me lembrei agora que na Opala Stock Car, 22 era o número do Paulão. E quem não se lembra do Banco Nacional na época do Senna ou da Bardahl na época do Emerson?

Recentemente mais uma das idéias exóticas de Bernie Ecclestone fechou o currículum de imaginação biliardária. Ele cogitou de inventar um sistema que afinal se manifestaria num simples botão Start Rain / Stop Rain. Claro que empregaria zilhões no desenvolvimento de uma chuva artificial que enlameasse a pista tôda enquanto os espectadores ficariam sequinhos na arquibancada. Alguém diria: “Puxa, ele pensou em nós na hora de fazer chover!”.

O vídeo desse post mostra mais uma das loucuras que não combinam bem com o conceito de pilotagem no seu modo mais clássico. Asas traseiras que se movem convenientemente e assim alteram o arrasto aerodinâmico, o que por sua vez cria um diferencial entre dois carros que resulta em aproximação e eventual ultrapassagem.

Claro, há de ser controlada pelo pilôto durante a pilotagem. No meu humilde e meio empoeirado entender, isso é coisa de quem tem dinheiro em excesso e usa o dito cujo para pensar. Sim, dinheiro não pensa mas faz pensar. E quanto mais dinheiro maior a besteira a ser pensada.

Está certo Rubens e mais outros pilotos que questionam o novo recurso e apontam a possibilidade de uma escapada violenta e imprevista. E para dizer que está certo, até um asno como eu consegue sustentar que a atenção do pilôto deve estar voltada para o comportamento do carro, sempre esperando sintomáticamente que algo possa sair errado e ele tenha que tomar atitude instantânea. Isso é muito diferente de provocar mudanças em ítens que alteram a performance de forma imediata, e então o momento, a duração e a intensidade dessa mudança vão determinar se tudo foi bem feito ou se resultou em um desastre maior do que a perda de posição na corrida.

Eu acho que está mais do que na hora de a F1 definir um novo pacote onde o pilôto tenha o compromisso de pilotar uma engenharia e um setup conhecido e fixos até que isso seja alterado no box e/ou no regulamento. Se isso não acontecer é muito provável que algum dia alguem demita um pilôto porque ele não sabe acionar uma asa da mesma forma que um aviador. Isso poderia perfeitamente levar à aberração de se admitir na equipe apenas pilôtos que tenham no seu curriculum um curso de acrobacias aéreas.

Pilôtos de qualquer tipo de carro de competição pilotam, sempre pilotaram, e sempre pilotarão quatro pneus. Isso enquanto não aparecer algum estúpido que invente rodas multifacetadas de materiais compósitos de ultra super hiper tecnologia. Pra mim, pilotagem deveria ser só no braço. E isso quer dizer pilotar o volante em si, como sempre foi.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Peixotinho - a filha lembra a saudade do seu herói veloz

Sempre tive a noção de que os motociclistas são pessôas que vêem a vida sob uma ótica particular e são pródigos em dar demonstrações muito pessoais de que gostam de viver. Ao menos era assim quando eu era jovem. Era isso que eu percebia nos jovens da minha geração que tinham uma vida em que a velocidade era ditada por êles próprios nos momentos em que achavam que isso era conveniente. Coisa muito diferente da atualidade em que a maioria anseia por coisas mais lentas para compensar o stress da vida moderna que apenas nos consome.

Viver é uma coisa que tem a implicação de envelhecer acompanhada de satisfações que apenas o tempo transcorrido pode nos dar. Assim sendo há determinadas situações que só podem surgir depois de transcorrido o tempo. Portanto, envelhecer está longe de ser a coisa mais dramática das nossas vidas.

E isso ficou mais uma vez evidente hoje ao ler um comentário num dos meus posts. Em novembro de 2010 publiquei um post com o relato de Jan Balder sobre o fim de Antonio Castro Prado, o Pradinho (neste link aqui). E no final do post mencionei o piloto de moto José de Oliveira Peixoto que faleceu num acidente na entrada do box de Interlagos, ainda muito jovem.

Para a minha surpresa e satisfação, a filha desse piloto que adorava a vida como tantos outros motociclistas que conheci nessa época, teve notícia do meu post e deixou lá o seu comentário, que resolvi reproduzir num post à parte dedicado ao seu pai veloz. Peixoto foi uma pessôa que me marcou pela sua personalidade e ficou na minha lembrança. Infelizmente não tenho uma única foto dele para juntar a esse post, mas tenho depoimento da filha rico em sentimentos, que segue abaixo.

Valeu Christiane!

Infelizmente tragédias deste tipo acontecem... a dor só é sentida por quem fica!!! e a dor, só sabe quem sente! eu senti e sinto até hj, qdo com 9 anos de idade, meu pai "JOSÉ DE OLIVEIRA PEIXOTO", O PEIXOTINHO, com apenas 36 anos de idade, sofreu este fatal acidente e foi prá nunca mais voltar! AI Q DOR!!! AI Q SAUDADES, é com muita emoção, tristeza e revolta, q eu com 36 anos de idade,relembro esta passagem. E com muito carinho q eu agradeço a vc Sr Zé Clemente, por lembrar do meu saudoso, amado e eterno Pai.
Muito obrigada pelo carinho.
Fique com Deus, mta saúde e td d bom prá vc e sua família.
Christiane de Oliveira Peixoto Passini.


Retificação:
Conforme já consta em outro post, Walter Tucano me confirmou que o acidente de fato se deu na saída dos boxes, e não na entrada. Leia nota de retificação no final desse post.

terça-feira, 8 de março de 2011

Com a palavra quem é do meio - Ingo Hoffman




Tudo bem, a F1 está chata, o automobilismo brasileiro é um morto vivo que passeia pelos autódromos, a imprensa não tem mais o que noticiar e apenas copiar, enfim esse universo não é e nem será mais o mesmo. Tudo mudou, o automobilismo mudou, o mundo mudou. E o que era válido no passado, hoje é nada mais que lembrança.

Mas temos tradição no automobilismo e isso fica evidente quando pessôas do meio fazem comentários que deixam claro que são do referido meio. É o caso do pilôto Ingo Otto Hoffman que aqui neste vídeo dá entrevista ao Estadão em 2008 quando anunciou o fim da sua carreira na Stock Car. Ingo tinha então 55 anos e um acúmulo de títulos na categoria que é record absoluto na nossa história.

É claro que a visão do automobilismo muda dependendo se voce é pilôto ou público. E nesse vídeo ele fala de vários assuntos inclusive da F1 e dos nossos pilôtos e da torcida dêles. Faz a crítica conhecida a respeito da torcida que valoriza apenas o ápice, o máximo. Infelizmente a nossa torcida é assim mesmo e penso que isso foi herdado do futebol.

Ingo faz duas colocações muito interessantes. Primeiro ele diz que esse período que vai do início de Emerson até Ayrton, é um período excepcional. E ele tem razão nisso pois todo o ambiente que pôde dar surgimento a uma bela safra de pilôtos nessa época, é uma coisa que não se repetiu mais no nosso cenário doméstico.

E segundo, é interessante a citação dele de que além dos 8 títulos que esses tres pilotos conquistaram, devem ser lembrados os outros momentos em que brasileiros estiveram em disputa de títulos. E para justificar isso ele cita os italianos e os alemães. Em outras palavras o Brasil deu frutos sensacionais no quesito material humano do automobilismo. Quem sabe algum dia a torcida vai ver o nosso automobilismo por esse angulo e deixar de fazer críticas, às vêzes muito injustas como as que fizeram seguidamente ao Rubens Barrichello.

Parabéns ao Ingo, ele é mesmo do ramo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Velocidade na terra em SC - levantando poeira, como era antigamente

Quando digo que o automobilismo brasileiro está de mudança para o sul do país, penso que alguns que lêem essa minha afirmação devem pensar que estou delirando. Eu mesmo sou uma espécie de ET da velocidade que acompanhou o automobilismo nacional mas nunca guardou registros. Nunca pilotei num autódromo e mato a minha frustação em corridas de indoor na Granja dividindo curvas com caras bem rápidos. Dou manutenção nos meus carros e não sei preparar um de pista, mas já desenhei dois chassis tubulares. Então eu não sou nem da frente nem do fundo do pelotão, apenas uma meia bôca que adora velocidade.

Aliás, em velocidade não cabe o conceito ‘eu gostava de corridas’, eu ‘eu gostava dessa adrenalina’. Velocidade é um virus que te pega e nunca mais cura. E é por isso que compareço sempre que posso no único autódromo da minha cidade, o histórico Autódromo José Carlos Pace, conhecido como Interlagos.

Não me preocupo mais em olhar para as arquibancadas em Interlagos porque sei que não vou ver nada quando estiver lá. E há muitos anos havia. Havia público, corridas, cachorro quente, meninas assanhadas, turminhas e tudo mais. Acabou, nada disso existe mais e restaram os saudosistas da vida que, alguns deles com mais dinheiro do que eu, conseguem por os seus carros na pista.

Mas em Santa Catarina a coisa não é exatamente assim, conforme pude ver no vídeo do link abaixo, do blog Poeira Na Veia do Francis Henrique Trennepohl.

Programa "Velocidade" 05/03/11