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domingo, 1 de maio de 2011

Indy X F1 - diferenças importantes

Resultado de escoamento deficiente durante curta chuva em São Paulo
(imagem - Amigos Velozes)


Quem for procurar por diferenças de performance e de engenharia entre carros da F1 e da Indy, vai encontrar duas coisas muito diferentes. No caso da Indy a competitividade está alicerçada no equilibrio pleno entre os carros, a partir do uso do mesmo chassi e mesmo motor em tôdas as equipes.

Na F1 há competição também tecnológica e as somas empregadas são de tal forma exuberantes que apenas aqueles capazes de obter e gerenciar enormes orçamentos são capazes de se manter no grid em condição de competição. Isso faz brilhar equipes como a Red-Bull e também faz ofuscar pilôtos como Bruno Senna ou Lucas Di Grassi.

No caso da F-Indy a competição é mais homem a homem e há uma tendência de as diferenças na pista revelerem quem anda mais do que quem. Mas as regras fazem com que as equipes entrem no jogo com estratégias e experiência, de tal forma que o pilôto que lidera o faz com a evidente influência da equipe.

Na prática as duas propostas são válidas. Na época de Emerson Fittipaldi o equilibrio não era dos melhores mas as corridas eram muito emocionantes. A necessidade de conter custos acabou reduzindo o rendimento dos carros. Hoje um carro da Indy anda com um motor de 650 cv, enquanto que na época de Emerson eram mais de 900.

Mas entre Indy e F1 as diferenças de performance são consideráveis e essa é apenas uma das razões pelas quais as duas não andam nas mesmas pistas. A única forma de comparar as duas corridas seria andarem na mesma pista em iguais condições climáticas.

Mas um conta simplória serve de base para uma avaliação. No autódromo de Interlagos um F1 tem uma velocidade média de 207 km/h, correpondente à pole de Nico Hulkenberg no ano passado. No Anhembi ontem, Will Power virou os 4160 metros do circuito em pouco menos de 01:22, o que dá uma média de 182 km/h.


Há que se considerar determinadas diferenças de traçado que influenciam muito o desempenho. Interlagos tem amplo espaço de escape na pista e visão muito bôa na maior parte do circuito, com exceção de lugares como o S do Senna. No Anhembi não se tem visão de nada em nenhuma curva pois se pilota entre os muros, sendo que apenas o S da reta do sambódromo dá um visibilidade efetiva.

A pista de Interlagos é um tapête e a do Anhembi uma rua paulistana. Interlagos é inclinado e o Anhembi plano, e nesse caso Interlagos oferece duas dificuldades intensas que são o S do Senna onde por conta da própria inclinação é fácil escapar e a subida para a reta dos boxes que é muito dependente da performance em curva na Junção e motor forte pois a subida é longa.

A enorme reta do Anhembi é uma clara intenção de não apenas superar as dificuldades das curvas travadas do circuito como também um meio de mostrar ao público os carros andando em veolcidades muito altas.

Não é sensato portanto, estabelecer-se uma diferença entre os carros na sua performance global com base na diferença de médias horárias. No caso do Anhembi e Interlagos essa  e diferença fica entre 207 e 182 km/h em dois circuitos com extensão muito parecida, 4300 em Interlagos e 4160 no Anhembi. Apenas para lembrar, Mônaco que é o circuito mais travado da F1 dá uma média de 160 km/h com carros que são o ápice de performance em curva.
Posto isso, essa diferença aqui tratada entre as duas categorias, dá uma folga bem favorável à F1. Mas se é assim, então porque um carro que anda menos, embora efetivamente seja categoria top do automobilismo, não anda na chuva como foi hoje no Anhembi?

Acho que é fácil demais responder isso. No meu entender a pista não é digna daqueles carros. Interlagos por ser terreno inclinado já tem escoamento natural. E onde podem se formar poças a engenharia de drenagem faz o seu papel. É fácil demais concluir que em pista plana a drenagem não pode ser negligenciada. Vimos isso hoje no Anhembi. A prova foi interrompida depois de um strike com apenas duas voltas de aceleração e seguiu-se uma imensa demora para o retorno à pista. Quando isso se deu iniciou-se a chuva novamente, muito fina por sinal e em pouco tempo a pista alagou e tudo se transcorreu com o pace car na frente até a bandeira vermelha.

Se carros como os F1 que são críticos na questão da aerodinâmica, sofrem com a lâmina d’agua embaixo do chassi e mesmo assim correm na chuva, entendo que no caso dos carros da Indy a performance inferior deveria dar margem positiva à pilotagem na chuva. E no entanto isso não ocorre muito provávelmente em função da engenharia do chassi. Mas no caso do Anhembi a drenagem na pista não deixa nenhuma dúvida de que compromete demais as possibilidades de pilotagem.

Enfim, imagino que um carro de Indy faria em Interlagos talvez um 10s mais lento que um F1. Mas duvido que deixasse de correr caso chovêsse. A não ser que fôsse um dilúvio que alagasse totalmente a pista.

Acho incrível mesmo que São Paulo tenha uma prova de rua. Se Mônaco tem a prova de rua mais famosa da história porque São Paulo não pode ter a sua? Mas acho que precisa existir equivalência entre o instrumento (carro) e o meio (pista). E no caso da Indy, no meu entender essa pista depõe contra a categoria. Acho que essa é a mais gritante diferença entre as duas categorias.

3 comentários:

Joel Marcos Cesetti disse...

Bom post mostrando algumas diferenças entre as categorias.

abs.

disse...

Zé, do anhembi leve em conta p/ a média a reta, que corresponde a 1/3 do traçado. abs.

Anônimo disse...

VC NÃO SABE NADA.