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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Pilotando o Mickey Mouse - por Jan Balder




Em Novembro do ano passado encontrei a carreteira Mickey Mouse na oficina de restauração de Antonio Carlos de Oliveira. Nem imaginava que este carro estivesse lá e não resisti à vontade de fazer uma foto. Apesar de ser foto de celular, já a computo como resgate de uma história pois eu estava na compania do amigo Jan que também guiou este curioso carro. Recentemente Joaquim Lopes postou em seu blog um texto que explica como surgiu a idéia de criar o Mickey Mouse. Leia aqui. Tento dar complemento ao texto colocando aqui as palavras desse experiente piloto de DKW´s, o nosso querido amigo Jan Balder, que descreve o que lembra da pilotagem de um carro que, até onde sei, é a única carreteira de fábrica do Brasil.
Fala o piloto.

Inspirada no piloto Uruguayo Flor Del Campo, que encurtou a distancia entre eixos do seu Panhard aliviando o peso ao extremo, a Equipe Vemag com uma carreteira DKW de teto baixo pilotada pelo Mário César assistiu de camarote a performance do Panhard em uma corrida na cidade de Rivera ao lado de Livramento na fronteira do Brasil com Uruguay. O Panhard abandonou, porém para a Equipe Vemag foi a gota d´água para construir o Mickey Mouse, uma das ùltimas criações da equipe oficial DKW.
Havia o Malzone DKW enquadrado nos protótipos, uma ótima referência para criar o Mickey Mouse com o cara e imagem do DKW. Diminuíram em 20 cm a distância entre eixos (ficou com 2,22 metros) e o pêso final ficou próximo dos GT´s Malzone.
Ele foi apresentado em Interlagos em ação promocional com Juan Manoel Fangio ao volante. O penta-campeão sofreu com o motor 2 tempos que encharcava fácil.
Nos testes o Mickey Mouse era ligeiramente mais rápido que as carreteiras DKW mais longas, mas ainda assim devia em média 5 segundos no tempo de volta em Interlagos comparado aos GT´s Malzone.
Quando a Equipe DKW foi dissolvida, o Flodoaldo Arouca (Volante 13) adquiriu o pequeno DKW e fez com êle algumas apresentações memoráveis em corridas curtas, uma delas em forte disputa com o Volks-Porsche da Dacon com José Carlos Pace ao volante.
O Volante 13 se identificava bem com o comportamento do carro. Êle me convidou para fazer parceria nas 6 Horas de Interlagos (1967). Fiquei honrado e ao mesmo tempo curioso. Até então a minha experiência tinha sido com os DKW´s convencionais, enquadrados no anexo J Grupo 2 da FIA (estreantes) que permitia preparação interna do motor com parte externa original, no caso com 1 carburador. Quando fui promovido a piloto oficial de competição, passei ao grupo 3 que permitia 3 carburadores, sempre com a cilindrada inalterada (1,0 litro). Mais tarde pilotei o Malzone, inicialmente com motor de 1,0 litro (88 cv DIN) e depois com 1,1 litro que beirava 94 cavalos. Faltava o Mickey Mouse.
O carro andava, tinha um ótimo motor (acho que beirava os 100 cv), o torque, mesmo em pequena faixa, era o ponto alto do DKW. Ele limpava a 5 mil giros e passava um pouco dos 7 mil. O câmbio, apesar de apenas 4 marchas, tinha a primeira era muito longa e tinha que dosar o acelerador para ganhar inércia, mas as outras marchas tinham relação ideal paras as curvas de Interlagos.
Nos contornos de média e baixa velocidade era uma delícia. (ligeiramente saindo de frente) mas nas curvas de alta, especialmente curva 1, 2 e Sol a tendência, apesar de neutra, era meio assustador. Apoiado, o carro balançava e naquela hora tem que acreditar. Mas na cabeça imaginava - Se escapar, viro passageiro!
São os desafios do automobilismo - achar o limite. Virávamos próximo dos 4 minutos na média de 120 kilometros no circuito total de Interlagos.
Pena que na metade da corrida o motor já meio cansado cacabou cedendo, mas foi uma ótima experiência em meu segundo ano de corridas.

Jan Balder

4 comentários:

Anônimo disse...

ESSE É O CARA !!!
É curioso vc ter idolos da mesma idade que a sua .
Normalmente os idolos são mais velhos...
No caso dessa "fera" o ídolo é da mesma idade.
Quando ia a Interlagos a "trocentos" anos atrás, e via o DKW do Jan Balder fazendo curvas incriveis e dando shows de pilotagem, nasceu uma admiração por aquele piloto, que vim a conhecer muitos anos depois.
Quando o conheci (apresentado por Zé Clemente), tive a oportunidade de dizer-lhe:
"VOCE ESTAVA ONDE TODOS NÓS(jovens na época) GOSTARIAMOS DE TER ESTADO".
Jan balder viveu na época romantica do automobilismo, e tem milhares de historias para contar. Como possui uma memória "irritante", o papo com ele é daqueles que vc não quer parar...
Meu ídolo JAN, grande abraço do seu fã incondicional,
Giba Gallucci

Mestre Joca disse...

Zé,
Sem querer ser chato e já sendo, houveram (ou houve?) outras "carreteras" de fábrica: a Simca 26 do Jaime Silva/Toco Martins e a Gordini de fábrica, com motor mil e cinco marchas que depois foi pilotada pelo Marivaldo Fernandes.
Outras "carreterinhas" Gordini foram as dos cariocas Fernando Feiticeiro Pereira e Lair Ribeiro.

Abs.
Dentro do "espírito carreteras" podemos ainda

Roberto Costa disse...

Aqui em Fortaleza o saudoso Armando Barbosa Lima com informações dadas possivelmente por Jorge Letry construiu e fez sucesso a segunda carretera Mickey Mouse que se tem notícia que depois foi desmontada e não se sabe o destino do monobloco.

Anônimo disse...

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