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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Tchê - O kartismo está muito profissional! (1)



Você me disse lá na Granja Viana no dia dia do encontro do Maneco que o kartismo está muito profissional. Justifique isso. O que você quer dizer?

- O kart na realidade é um esporte que faz pilôtos mas se tornou uma profissão. E o kartismo não é profissão, é uma escola. Acontece que os pais tomam conta dos seus filhos e tôdo pai quer que seu filho ganhe e por isso o poder do dinheiro tornou o kart uma coisa profissional. E antigamente era mais uma brincadeira. O pai mesmo corria e se divertia, mas para o seu filho vê aquilo como um futuro. Então quando o filho entra no kart é com a visão de ser profissional, ser pilôto.

- Tem como chegar lá, mas a escola infelizmente não está bem canalizada para o pilôto. Não depende apenas de motor, de equipamento. É preciso saber se êle está moldado para ser pilôto, se vai dar certo. É preciso ensinar a ser pilôto senão êle vai guiar, guiar, mas sem saber o que está fazendo.

- Infelizmente a garotada sofre muita imposição, muita cobrança. Nós orientamos, ensinamos. O pai cobra resultados. E penso que não é bom ganhar muita corrida porque você se ilude, começa a pensar que é bom. Aí é que vem o sacrifício. De se dedicar plenamente e largar tudo em função da profissão. E é duro, não é tão bonito como se imagina. É dura a vida de pilôto. A molecada quando começa não imagina como é difícil chegar no que se vê na televisão.

Quando você cita molecada, está falando de que idade?

- Até catorze anos. Nessa idade êle começa a compreender, já sabe o que quer e o que não quer. Mas às vezes a condição financeira do pai é bôa e o menino se esforça e vai, mas não com aquela vontade, aquela ânsia de ganhar. Aí fica no meio do caminho por ser cobrado. Enquanto isso nós explicamos o que tem que fazer e êles dizem "-Assim é difícil". Mas tem que fazer.

Então quando você fala isso para um garôto, você está dando uma aula como numa escola.

- Uma aula. Ensinando os passos. Você começa a ensinar as coisas para êle e quando começa a aprender um pouco reage muito rápido. Aprende fácil. Mas quando o pai começa a cobrar, o menino fica confuso. Não sabe se obedece o pai ou o mecânico. Não é uma crítica contra os pais. O pai tem tôda razão de defender o filho, o seu dinheiro, mas êle não orienta o filho.

- A garotada começa muito cêdo. Uma idade bôa para começar na velocidade deveria ser no mínimo 13 anos. Quando começa muito cêdo o menino é infantil. Êle quer brincar e o pai não imagina o que é a velocidade num carrinho tão pequeno na mão de um menino com 8, 9 ou 10 anos. Êle sofre dentro e tem muitos que não querem correr.

Mas o que caracteriza profissionalismo como você citou? 

- O dinheiro. O pai começa a gastar, a comprar, porque acha que comprando mais caro vai andar melhor e não é assim. É um profissionalismo errado. É preciso esperar que ele tenha uns quinze anos para saber se aquilo é o que êle quer. O que se faz com o kart é o mesmo que querer que alguém seja engenheiro na segunda série. Gastam muito dinheiro sem necessidade e inflaciona o ambiente.

- Quando anda com pouca gente na pista, em dez pilôtos não há mais que um metro entre um e outro. Andando em primeiro o pai fica feliz, mas andando em décimo vai ficar bravo. Então êle compra o kart do primeiro para andar igual. E isso vira uma bola de neve.

E como você acha que deveria ser?

- Primeiro deveria ter uma escola e não colocar o menino que andou duas vêzes de kart numa corrida porque êle não tem noção do que está fazendo. É preciso formar para ver se êle vai gostar do que está fazendo. Tem muita gente que anda de kart mas não gosta. Não anda com paixão para chegar à uma profissão, para ser pilôto. E há outra coisa. Quem não passa pelo kart não consegue chegar ao carro. Chega lá mas pára.

- A escola é o kart. É um carrinho pequeno mas como se fôsse um pôtro selvagem, êle domina o pilôto. Êle desafia e o pilôto não consegue dominar porque o kart só reage. Se errou a curva não foi o kart, foi o pilôto. É preciso muito treino, muita escola. Aí sim, pode contar que saem pilôtos. O Maneco dava 3 mêses de aula, para depois poder correr com uma licença especial para uma categoria. Era gente grande. Ninguém punha gente muito pequena para correr.


foto: Amigos Velozes 


Amanhã, o final da entrevista com algumas curiosidades.

Um comentário:

Rodrigo disse...

Cara se u blog é show, not°10 desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo
Um grande abraço
http://maximumforma.blogspot.com/