Páginas

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Miguel Angelo Castro - Meu sonho era pilotar. Aviões! (2)


 (continuação da entrevista com Miguel Castro)

Quando você conheceu o Peterson Nakamura?

- Eu conheço o Nakamura ha uns 5 anos. Eu mantinha uma certa distância. Uma coisa curiosa que acaba acontecendo entre os pilotos é que a disputa acaba ligando um cara com o outro, é muito engraçado. Hoje a minha equipe de 500 milhas somos eu, o Maurício, o Wendell e o Peterson.

- O Peterson é um grande gente fina, figuraça, meu grande amigo hoje. Em 2006 ele tinha um parceiro para o Endurance que deu um cano na equipe dele na primeira etapa. Eu ia correr com outro camarada que tambem deu um cano na segunda etapa. Aí ele me convidou para entrar na equipe.

- Eu sempre fui muito exigente comigo mesmo, eu não me achava à altura de andar com o Peterson. Ficava sempre com aquele compromisso, responsabilidade de mostrar serviço, quando não andava muito forte ficava envergonhado. Dizia a êle que se quizesse me tirar não tinha problema.


Miguel e Nakamura ficaram parceiros nas corridas do Endurance noturno. Nos campeonatos diurnos eles não eram parceiros. Peterson era parceiro de Alexander, que parou de andar e no lugar dele entrou Wendell Capraro que era parceiro de André Campos. A Equipe Meteoro foi vice no campeonato de Endurance de 2006, ganhou 2007 e 2008.

O que aconteceu na prova de oval em 2008 no final da corrida?

- Quebrou o kart do Wendell na última perna e a gente não viu. Perdemos aquela corrida.

Participação em campeonatos individuais.

- Quando começou a Sênior em 2006 na Amika foi o Caccuri em primeiro, o Talarico em segundo e eu em terceiro. Em 2007 foi eu empatado com o Tala em primeiro e ele levou o título por uma vitória a mais no campeonato. Nesse campeonato eu tomei uma advertência na última etapa e aí eu empatei em pontos, e como êle tinha uma vitória a mais, ficou com o título. Depois eu ganhei o de 2008 e o desse ano também já ganhei com duas etapas de antecedência. Meu pior resultado nesse ano foi um terceiro. Nesse ano eu evoluí razoávelmente.

- No Pangaré eu não me lembro quantos eu ganhei, foram dois ou três. Mas lá é geral, não tem campeonato de sênior. Esse ano eu ganhei também, acabou ontem (28/11/2009). Eu voltei pro Pangaré ha umas quatro temporadas. Eu tinha parado de andar no Pangaré porque era só pistinha e não tinha lastro. Eu, com equipamento, vou para 80 kgs e lá tinha cara com 65 kgs.

- Como equipe de Endurance nós ganhamos o Enkasp. Fui vice-campeão no ano passado no CPKA na geral. Nesse ano não sei em que lugar eu fiquei. Sétimo ou oitavo. Na CPKA Sênior eu não ganhei. Estava ganhando hoje, mas de repente ´parei de ganhar´ (risadas). Eu estava com o título na mão e aí fiz aquela palhaçada e acabei abandonando.


A Equipe Meteoro foi a vencedora da primeira edição da 500 Milhas Amador, o que lhes valeu a inscrição na tradicional 500 Milhas de Kart da Granja. A melhor colocação nas 500 Milhas foi décimo sexto há dois anos. Miguel disputou a prova pela Equipe Meteoro duas vezes.

Não foi nessa prova que o Massa bateu?

- Bateu logo depois da inclinada. Nessa corrida eu tomei um susto danado. No meio da corrida, umas 4 ou 5 da manhã baixou um nevoeiro. Eu estava entrando na reta e aparece um kart sem piloto andando sózinho na minha frente. O cara espalhou, bateu nos pneus, caiu, e o kart voltou de ré para a pista sem piloto. Passei tirando tinta do kart.

Voltando ao assunto pilotagem.

Perguntei ao Miguel como faz a hum nas 500 Milhas e êle não apenas alivia mas também dá uma pequena freada. É um ponto em que não é possível fazer flat com aquele equipamento. Os pneus usados na última edição eram os vermelhos da MG mas com uma composição específica que pode durar até umas 7 horas.

Você gostou da 500 Amador?

- Gostei, achei bem legal. Foi muita adrenalina. Houve duas paradas, sendo uma por conta de acidente e outra por falha na cronometragem. Eu imagino que teria durado umas onze horas se fôsse direto. Ficou mais de meia hora parado por causa do acidente. E depois ficamos mais uns quinze ou vinte minutos parados por causa da cronometragem. O regulamento dizia que seriam 644 voltas ou doze horas. Começou 13:23 e acabou 01:23 da madrugada.

- Nós largamos muito mal. Não sabemos explicar bem o que aconteceu com o nosso kart. O Peterson Nakamura, que é ´o cara´, fez a primeira perna tomando mais de 2 segundos. É um regulamento novo em termos de troca e nós estamos viciados em fazer o Endurance em 5 horas. Nós não sabíamos quanto tempo iríamos perder nessa.

- Em função do tempo que se perde nós decidimos quando vai parar, mas não tínhamos esse número na cabeça. E demoramos muito para decidir a troca do Peterson. Tinham 43 karts e quando decidimos fazer a troca, o Peterson estava em 35o. tomando uma volta. Fomos os primeiros a parar e voltamos em 43o., quase uma volta e meia atrás.


No final a corrida estava práticamente perdida. Mas a equipe que liderava foi penalizada pela prova a fazer um drive-thru. As trocas demoram aproximadamente 30 segundos. Na última troca a Equipe Meteoro sairia atrás do lider aproximadamente 15s. e o piloto era Peterson Nakamura. A troca da Meteoro demorou mais de 40s porque os líderes, segundo a versão da Meteoro, atrasaram a saída dela. A Equipe Meteoro reclamou na direção de prova e foi atendida, o que resultou em drive-thru à equipe concorrente.

É comum que muitos pilotos de indoor julguem que a melhor forma de virar tempos baixos é atravéz apenas do pé do acelerador. No entanto, em alguns lugares a frenagem tem papel muito importante. Perguntei qual o papel da frenagem na opinião dele.

Numa boa tocada, quantos por cento se devem ao braço e quanto ao pé?

- É óbvio que os dois teem muita importância. O braço tem muita importância, mas é uma coisa tão sincronizada que ao mesmo tempo que o braço tem que chamar na curva no momento certo, o freio vai ter que ajudar o braço, e se você não tiver freado para que o kart vire, ele não vai virar. Eu diria que é 60 para o braço e 40 para o pé. Principalmente no 4 tempos. No 4 tempos o pé fala menos que no 2 tempos.

- No 4 tempos é preciso tocada muito redonda. Já que não tem motor, a saída de curva tem que ser o mais redonda possível, nunca forçar a frente.

- No 2 tempos se errar voce chama no motor e compensa. No 4 tempos não tem isso. As tocadas são diferentes. Depois que andou no 2 tempos, quando vai para o 4 tempos parece que está em camera lenta.

- Vou cair no óbvio de novo. Voce sabe bem disso, o piloto que ganha depois de um certo nível não é o que acerta, é o que menos erra. Andar atrás do Peterson dá nervoso por causa disso. Ele faz 25 ou 30 voltas e é a mesma volta. Às vezes ele vira no centésimo igual em duas ou tres voltas. Foi o que me disseram uma vez: não é importante qual a sua volta mais rápida, mas a constancia sim.


Miguel usa muito a observação em pista da tocada dos outros pilotos, em pontos onde se podem ver detalhes. Também conversa muito com seus amigos, trocando idéias sobre pilotagem.

Na primeira 500 Milhas da qual participou, entrou na pista atrás de Rubens Barrichello e fez a reta encostado na traseira dele. Julgou que tinha um kart bom. Mas quando chegava na parte de baixa do circuito, Rubinho abria na sua frente em todas as voltas.

- Eu achava que já era o rei da Granja Viana. Êle foi para a pista de novo e eu fui na passarela para olhar. Eu vi que ele entrava no miolo muito diferente. Eu entrava pendurado e êle entrava ´manso´. E quando eu voltei para a pista fui tentar fazer do mesmo jeito e percebi que precisava vir um pouco mais manso na entrada. Em uma volta eu já tirei dois décimos do meu próprio tempo.

- Na 500 Milhas a saída do miolo é fundamental. E a curva 2,5 que precisa fazer redondinha porque vai pegar um trecho de subida. Precisa otimizar o trecho de baixa e preparar a saída.


Na sua opinião quem é o cara que você conhece que é o mais redondinho, mais suave?

- Hoje é o Peterson. Eu falo muito dele porque é o meu parceiro, mas hoje é o Peterson, sem dúvida.

E o cara mais arrojado, que se deixar entra totalmente de lado aqui?

- É o Maurício mesmo. Maurício Leite Pereira. São os dois que andam mais rápido. Hoje ele engordou, está com 80 kilos, mas anda muito rápido. O Maurício vira muito mais em função de trabalhar mesmo, de sair de traseira, do que ser constante, redondinho. O Peterson é aquela volta que parece traçada com compasso. E não erra.

- Hoje eu viro entre 1 e 2 décimos do começo ao fim, se não tiver tráfego. Preciso melhorar ainda, mas já é um tempo bem razoável.


No edição de 2009 da 500 Milhas de Kart da Granja, a Equipe Meteoro não se deu bem, terminando na 41a. colocação depois de uma sequência de quebras. Mas pelo que já vi essa equipe fazer na pista, não descarto uma futura participação muito mais proveitosa. Material humano para isso a equipe tem. Desejo aos integrantes da equipe melhor sorte na próxima, e agradeço a atenção do meu amigo Miguel Angelo Castro para com o Amigos Velozes.


foto: Amigos Velozes

3 comentários:

Talarico disse...

Zé,
Parabéns pela escolha do entrevistado.
O Miguel Castro é um cara que admiro muito, como pessoa e como piloto.

Abrax,
Ricardo Talarico

Zé Clemente disse...

Tala, obrigado pela visita
Voce sabe que está na lista
Logo mais vou te contatar
Abraços e volte sempre

ricardo disse...

Oi Zé,
Parabens pelo texto. Muito legal.
Quanto ao Miguel, ele foi muito modesto. Hoje ele é o cara a ser batido, tanto na Senior quanto na principal. O campeonato brasileiro de Senior que ele conquistou é prova disso.
abraços,