Páginas

quarta-feira, 17 de março de 2010

Um duleo de pistolas - eu me sentiria assim no lugar dêles.

Uma coisa que tem feito muita falta na minha pilotagem são os treinos. A minha turma pilota um bocado e ao mesmo tempo em que êles passaram a frequentar mais o kartódromo, eu simplesmente parei e não treino mais. Quando eu ía lá para treinar fazia o que todos fazem, ajustar as minhas deficiencias, maximizar as minhas qualidades.

Na prova de abertura da Indy em São Paulo o que se viu foi um esforço muito grande para que fosse realizada, acompanhado dos improvisos típicamente brasileiros, e isso tudo no fim resultou num show. Mesmo tendo sido meio atrapalhada, a prova foi um show com muita movimentação, expectativa, surpresas, e tudo mais que faça uma prova de automobilismo ser interessante. Se na próxima improvisarem menos, ou não improvisarem nada, será um espetáculo. Espero que assim seja pois a categoria merece e é muito justificável a sua presença no Brasil.

Por outro lado na F1, que abriu a temporada no mesmo dia, o show ficou garantido por conta da incerteza de todos. Ninguem sabia exatamente o que poderia acontecer. Essa expectativa durou até as útlimas voltas quando os carros estavam fazendo tempos altos de tanque vazio pois os pneus já não eram mais os mesmos. Daqui desse ponto eu já penso que os penus desse ano não são os mais adequados para as condições. Se mudassem os pneus, já que são os mesmos para todos, o final poderia ser melhor.


As atuais regras não permitem os testes particulares e limitam o emprego do túnel de vento. Sobram os finais de semana das provas para que as equipes tenham um retorno das últimas modificações e ajustes. É como se você pudesse fazer um treino apenas no momento em que deveria estar buscando desempenho e não respostas para dúvidas.

Justamente isso foi uma das coisas que garantiu o show da Indy que teve uma sequencia de treinos livres que deram chance de encontrar um acerto para as condições ainda desconhecidas e difíceis, e também para consertar alguns estragos. Isso tudo em dois dias apenas.

Entrarem novas equipes na F1 que não são oriundas de fábricas, é uma necessidade da categoria que teria se esvaziado se dependesse apenas das montadoras. Nem todas estão em condições de ingressar, tanto que a USF1 jogou a toalha antes do primeiro gongo.

A Dallara, que montou o carro da Hispania e é a fábrica que fornece todos os chassis da Indy, fêz o que pôde em duas semanas para por a encomenda andando. E, óbviamente, a Hispania também. Por isso eu acho que a equipe se superou imensamente ao conseguir, nessa obscuridade, chegar a completar 20 voltas num carro que jamais tinha ido para a pista. O indiano Chandhoc disse que sentiu pânico na hora em que foi para a classificação. Eu não gostaria de estar na pele dele.

Assim como a Virgin de Lucas, a Hispania vai amargar para o resto do ano uma situação insólita. Vai passar o campeonato treinando no dia da corrida, curiosamente a mesma coisa que eu tenho feito. Por exemplo, Lucas disse que o carro da Virgin quebra com facilidade e como não conseguem andar muito fica difícil encontrar uma solução. Essas esquipes se reunirão na fábrica com os engenheiros e fornecedores e os motores devidamente desligados, vão olhar para peças quebradas e definir que mudanças realizarão. Uma coisa é fazer isso numa estrutura como a Williams, outra é fazer isso num lugar onde a estrutura ainda está se formando e ainda por cima com pilotos novatos.

Ninguem faz milagres. Esses carros vão continuar quebrando e sendo consertados até que ao final do campeonato tenham feito corridas completas. Então o patrocinador vai perguntar a que realmente vieram. É difícil entender como numa categoria onde os valores financeiros são uma verdadeira aberração, os donos de equipes não possam colocar à prova o que êles mesmos projetaram e construíram, e portanto percam assim a oportunidade de dizerem a si próprios se fizeram uma maravilha ou a pior obra tecnológica do planeta, tendo gasto para isso o dinheiro que poderia construir um avião pequeno.

Aonde essa gente vai arrumar justificativa para o desempenho? Eu acho que se a categoria quer apresentar um espetáculo em que se disputem posições por todo o grid, as equipes que não estão em condições de garantir o desempenho, e que por sinal competem no mesmo meio com fábricas, precisam ter a chance de por a prova o que fizeram e melhorar ou até mesmo descartar. Se liberassem os treinos particulares, é claro que a melhores andariam mais ainda na frente das outras, mas ao menos essas últimas não ficariam com aparencia de improviso. Elas também seriam beneficiadas e conseguiriam aumento de performance. Num dia você ajusta o que tem e no outro usa isso para competir. Ao invéz disso estão competindo para saber se vão conseguir.

Se continuar assim a F1 vai ficar restrita às equipes tradicionais que puderem contratar pilotos experientes. Até que isso tudo acabe e dê lugar a espetáculos possívelmente dantescos. Mudaram as regras da categoria e se esqueceram que alguns integrantes de peso se foram com a experiencia acumulada. E os novos que estão ocupando os lugares vagos estão competindo na regras que eram mais coerentes com as capacidades dos antigos competidores. E para os novatos essas regras se parecem mais com um duelo de pistolas com olhos vendados.

Um comentário:

Aun disse...

Penso que a Formula 1 vai se transformar lentamente nos padrões da Indy. E a Indy já cada vez mais se parece com os padrões do Kart.