Páginas

terça-feira, 17 de maio de 2011

José Carlos Romano - Yeah!

À esquerda José Manuel Ferraz, à direita José Carlos Romano
(imagem: Amigos Velozes)


Na última etapa do Paulista em Interlagos, fui lá decidido a acompanhar a segunda etapa da F Vee Brazil e também a prova do meu amigo Carlos Braz que nesse dia venceu novamente na Classic Cup com o seu Passat 21.

Não imaginava que teria alguns momentos muito agradáveis na compania de um pilôto que tem muitas histórias para contar e é capaz de subtrair a nossa atenção, seja pelo conteúdo das histórias própriamente, seja pela incrivel simpatia. No momento em que vou cumprimentar meus amigos, pilôtos da glamourosa, saudosa Divisão 3, José Manuel Ferraz me apresenta alguém cujo nome me soou familiar mas não associei a nenhuma lembrança na hora - Romano.

Poucos minutos depois principiei uma longa e muito prazerosa conversa com José Carlos Romano, pilôto da velha guarda dos tempos do kartismo formador de grandes botas das nossas pistas.

Se você pensa que conversar com Romano é coisa de alguns minutos e algumas anotações, é melhor achar uma cadeira e cogitar perder o seu próximo compromisso. É fácilmente um dos maiores e divertidos tagarelas que já conheci no autódromo, que tem a curiosa mania de dizer Yeah, alternativa típica ao Yes no inglês, quando quer afirmar a sua concordancia com algo.

Romano é um típico representante do período do nosso automobilismo em que conversar, contar histórias, fazer piadinhas e dar risadas, era o maior propósito fora do cockpit. Tanto que terminei não assistindo a vitória do Carlos Braz e nem a F Vee Brazil.

Em 1976, mesmo ano em que Emerson Fittipaldi disputou o mundial de F1 pela Copersucar, José Carlos Romano foi vice-campeão do Paulista de Kart. Em 1978 estreou no automobilismo seguindo um caminho considerado padrão naquela época, ingressando na F-VW 1300. Era a época das grandes performances de outro pilôto com quem tive contato frequente, Élcio Pellegrini. Romano não têve tanta sorte e sofreu um forte acidente em Brasília.

Em 1979 Romano ingressou numa categoria que deixou saudades em tôdos os que estiveram presentes no autódromo, fôsse na arquibancada ou nos boxes, a Divisão 3. O nosso automobilismo ainda vivia um período em que era justificável o patrocínio mesmo em pequenas equipes. Romano pilotou Fusca D3 e terminou o campeonato em 3o.lugar. Nada mal considerando-se as feras com quem têve que dividir curvas na época.

Seguiu na D3 até 1981 e na metade do campeonto de 1980 passou a disputar a categoria com um Gol. Em 1982 deu outro passo que o colocou definitivamente no caminho da competição automobilística mais veloz e mais técnica. Disputou com Dárcio dos Santos, o tio de Rubens Barrichello, a F2 com um chassi Polar e propulsor AP 1600. Em 1983 entra em cena na sua carreira um construtor, grande amigo meu, José Minelli. Romano disputou nesse ano a F2 Sulamericana com um Heve preparado por Minelli. 

Ter competido na F2 Sulamericana foi um referencial no seu curriculum. Foi um momento ótimo em que o nosso automobilismo regional se internacionalizou no continente sul americano. Disputar a F2 não era nada fácil pois os argentinos estavam muito bem equipados e organizados. Costumavam ganhar de nós tanto nas pistas argentinas quanto nas brasileiras. E é claro, isso valorizava os nossos resultados.

São dessa época nomes como Cezar Bocão Pegoraro, Guilhermo Kissling, Pedro Passadore, Pedro Muffato, e muitos outros, grandes feras do automobilismo da época. Pilotar nesse meio qualificava o pilôto para coisas mais velozes e competitivas do automobilismo mundial.

A amizade com Dárcio dos Santos acabou facilitando o contato, fora do país, com outros dois nomes fenomenais do nosso automobilismo. Romano esteve em Silverstone em 1983 por um breve período. Nelson Piquet já era campeão na F1 e Ayrton Senna pilotava na F3 inglesa. Conta Romano que o Becão, Ayrton, era um cara muito simpático e brincalhão. Para o desgosto dos piquesistas de plantão que não aceitam Senna plenamente, uma grande parte do que se fala do tri-campeão é nada mais do que besteira de gente mal informada. Romano tem lembranças alegres de Ayrton apesar da pouquissima convivência.
Agachado, de barba, José Carlos Romano em Silverstone, 1983 - ao seu lado Maurizio Sala
Em pé Piquet, 2o. à esquerda, Dárcio dos Santos, Ayrton, Oswaldo dos Santos, Raul Boesel

(imagem: arquivo pessoal de Darcio Dos Santos)

Em 1985 volta para o turismo pilotando o Omega Molinari na Força Livre na qual sagrou-se campeão. Em 1987 novamente senta em um monoposto de uma categoria da qual agora estão ressurgindo registros e tem um belo histórico, a Fórmula Super 1600, na qual foi campeão com um chassi Heve.

Em 1988 surge uma bôa chance na sua carreira, mas que infelizmente não logrou continuidade, muito embora tenha lhe deixado lembranças de muita adrenalina. O pilôto de jatos comerciais Giupponi França e José Carlos Romano foram convidados a realizar um teste na F-Indy por Pancho Carter no carro de Roberto Guerrero, um March com 3 anos de fabricação. Romano conta que pilotar um bólido daqueles não era nada fácil. A começar pelo fato de ser motor turbo. É preciso acelerar cêdo e se por acaso isso vier um pouco tarde perde-se a frente do carro com facilidade. Também a aerodonâmica bem mais eficiente que os nossos monopostos regionais punha o pilôto à prova pois sentia-se a sensação de pressão no solo pois tôda a lateral do carro era uma asa. Sem contar a potência com a qual os pilôtos dos nossos carros não estavam habituados. Conta Romano que a 300 km/h ao se engatar a sexta marcha sentia-se a pressão da aceleração nas costas. As frenagens eram outro ítem com o qual tinham que se adaptar e não permitia deslizes. Nada de entrar pendurado. E se por acaso o carro entortasse levemente na curva, foi-se aí a pressão aerodinâmica e a possibilidade de uma pancada feia era grande.

Tendo passado pelo rookie test, Romano pilotou em Elkhart Lake e Miami. Mas o grande problema de tôdos os pilôtos finalizou o seu sonho de pilotar numa categoria de nível mundial, o patrocínio. E isso o mandou de volta para as suas pistas de origem. Mesmo assim guarda bôas lembranças do perído, que ficaram marcadas pelas amizades que fêz por lá com outros pilôtos da categoria, entre êles Téo Fabi.

De 1989 a 1991 disputou o Brasileiro do Grupo 1 FIA pilotando um Passat. Um hiato de alguns anos não foi suficiente para o tirar das pistas definitivamente. Voltou a pilotar em 1997 na Super Stock na equipe do lendário Camilão, Camilo Cristófaro, no comando do Opala numeral 9 com patrocínio Valvoline. Fechou com chave de ouro faturando os dois campeonatos da categoria.

6 comentários:

Orlando Belmonte Jr. disse...

Muito boa Matéria , e essa foto então !!! só tem feras !!

jose manuel ferraz de morais disse...

Valeu Zé, ficou muito boa a postagem...qualquer dia vamos contar um pouco mais dessa figura carimbado chamado Zé Romano, no qual conheço de traz para a frente...valeu abraços.

Blog do Luiz Evandro Águia disse...

Caro Ze..Quando eu estava participando dos campeonatos nos EE UU e Canada .Eu conheci Esse Formula Indy do Gioponi França e estava sem motor -e guardado na garagem de uma casa..nos EE.UU.. ( tenho foto ...ate sentei no cokpit -;Nao tinham patrocinio.. tentei apresentar algum empresario americano ,, para patrocina-los.. mas o carro estava defasado em quase 3 anos..uma pena..perderam grana e nao conseguiram atingir os objetivos que era o de participar do campeonato inteiro abraçao;;Águia from Floripa

Pedro Garrafa disse...

Excelente materia , Zé.É isso que a gente gosta de historias vividas e bem vividas.

Joel Marcos Cesetti disse...

Que foto hein! Fantástico!

Gisele Miolaro disse...

Meu pai foi um grande amigo do Zé... Lembro-me, quando eu era pequena, sempre ia nas corridas em sp.