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quarta-feira, 16 de março de 2011

José Arauto De Angelis - soube só agora da perda do amigo de pista

José Arauto De Angelis, o primeiro à esquerda, na segunda etapa da Amika Senior, edição de 2007

É muito desagradável você perder um amigo que participou de alguma atividade com você. A sua ligação com essa pessôa foi firmada na amizade surgida no convívio em alguma situação, e isso se torna uma referência.

É a primeira vez que tenho notícia do falecimento de uma pessôa com quem dividi curvas no Kartódromo Granja Viana. Fiquei sabendo no último domingo, em nota no site Planet Kart,  que em 30 de Janeiro deste ano faleceu José Arauto De Angelis, que participou do campeonado Amika Senior de kart amador no ano de 2007.

Conheci De Angelis nos boxes, e como é comum nesse meio os amigos que riem nos boxes dividem curvas na pista às vezes de forma muito competitiva. E depois tudo se resume a comentários e eventuais gozações, que nada mais fazem do que aprofundar a amizade. Nas nossas conversas ele me disse que era o fundador da De Angelis Indústria e Comércio de Máquinas, empresa que entre outros produtos fabrica micro prensas excentricas, equipamento de bancada utilizado também na fabricação de chicotes de eletricidade.

De Angelis era apaixonado pelo kartismo e era o preparador do próprio kart, que dividia com o filho nas pistas. Era kartista desde os idos do início do kartismo brasileiro. Posso dizer que por ter dividido curvas com êle lado a lado, De Angelis era alguem que tinha uma noção muito bôa de pista. Por conta do peso, nao tinha como manter uma bôa performance em relação aos outros. Por isso tinha preferencia óbvia pelos karts 2 tempos.

Ele mesmo me disse que a sua saúde não era das melhores, mas que não deixaria de pilotar por causa disso. De fato, velocidade é um bichinho que te pega e não larga mais. De Angelis era um homem muito espiritualizado que tinha a caridade como valôr de vida. Era uma pessôa alegre, um bom papo, fazia amizades com muita facilidade. Pelo que entendi era muito dedicado à tudo que fazia. Combinamos que um dia visitaria a sua empresa, lhe liguei algumas vêzes mas a dita visita nunca se deu por conta dos compromissos da nossa vida atribulada. De Angelis faleceu de um ataque cardíco após um evento do SKB- Super Kart Brasil no kartodromo de Interlagos. Sentiu-se mal, foi socorrido mas não resistiu.

O blog Amigos Velozes lamenta profundamente a perda do amigo e se solidariza com a família. Que esteja em paz.

domingo, 13 de março de 2011

Barato, dócil, de montagem e manutenção simplificados.


Já fazia um bom tempo que não ía a Interlagos e não poderia ter faltado justamente neste final de semana. No mesmo dia em que foi justamente homenageado um dos maiores pilotos de tôda a nossa história - o que combinava com maestria a suavidade na pilotagem com o pé direito no fundo em curvas de alta, Luiz Pereira Bueno - uma antiga formula de automobilismo de competição retornou às nossas pistas. É um cenário de reedição de um passado romantico. Um passado no qual Luiz Pereira Bueno brilhou nas curvas do nosso mais importante autódromo, embora em outras categorias. Uma combinação feliz, eu diria, esta desse final de semana..

Posso dizer que uma grande quantidade de pilôtos que eu vi acelerando em categorias fortes no passado, eram amadores. E eram precisamente essas pessõas que formavam o nosso cenário. Hoje o automobilismo se tornou uma atividade de endinheirados pois tudo que existe nessa área está além das possibilidades de aquisição de muita gente.

A Formula Vee Brazil tem a proposta de atrair justamente esse público, menos privilegiado financeiramente falando, para as pistas. E já se saiu bem se considerarmos que embora apenas 7 carros tenham largado, há encomenda de nada menos que 27 outros. O grid vai aumentar nas próximas etapas.

Ao invéz de me enveredar em longas considerações e comparações, vou colocar aqui uma descrição geral, como tentativa de dimensionar de forma aproximada a categoria, e no final do post algumas fotos.

A proposta da categoria é dar oportunidade ao apaixonado de corridas de monopostos, ingressar em uma competição formada por esses carros, de forma totalmente amadora, a baixo custo e com muita simplicidade de montagem e manutenção.

Básicamente a categoria recria o ambiente do garagista amador que cuida sózinho do seu carro, ou com o auxilio de mecanico particular, e vai assim uma vêz por mês no autódromo relizar um sonho que hoje cabe apenas a bolsos muito cheios.

O chassi é tubular, desenvolvido a partir de provas práticas, o que custou vários descartes de tubos soldados até que se chegasse ao pacote final. Nele são incluídos os tradicionais itens de segurança como extintor, cintos de segurança homologados, arcos de proteção conforme os padrões vigentes na atualidade.

A carenagem é de fibra de vidro de design padrão e não é permitida a sua modificação. A caixa de direção foi construída específicamente para este projeto com uma redução adequada à uma pilotagem em alta velocidade, sem deixar de considerar o conforto do pilôto.

A mecânica é VW 1600 à alcool, com câmbio da mesma procedência sem uso de relação de marchas ou diferencial fora daqueles que eram utilizados nos carros de linha. O motor não emprega a ventoinha original mas admite-se o uso de uma elétrica para refrigerar nos momentos em que o carro estiver parado por longo período com o motor ligado.

O comando de válvulas sugerido é o da Kombi alcool e não é permitido o uso de comando de performance mais alta. A taxa de compressão é livre porém os cabeçotes não podem ser retrabalhados para alto desempenho de fluxo. Inclua-se aqui, óbviamente, os ajustes habituais para um motor que vai rodar em pista de competição, como balanceamento e ajustes de folgas internas. O volante deve ser o original sem alívio de pêso. A caburação é a Solex 32 que equipava esses motores e nela são permitidas apenas as alterações de giclagem.

Os penus são Pirelli P7, obrigatórios para tôdos os carros. Tôdo o conjunto pesa pouco mais de 400 kgs e tem uma potência de aproximadamente 80 hp´s. Já que se trata de uma mecânica práticamente sem nenhum preparo especial, era de se esperar que a velocidade em reta não fôsse alta demais, e portanto dentro dos domínios de um pilôto amador, iniciante ou não.

Mas isso de forma alguma significa desempenho ruim. Basta dizer que a estréia de 7 carros zero quilômetro, que nunca fizeram um shakedown, se deu numa condição de pista ruim e com os pilôtos cansados pela espera e ansiedade do momento almejado. E os dois primeiros da prova de estréia andaram o tempo tôdo se vendo após cada uma das curvas, embora Nenê Finotti viesse abrindo lentamente entre uma volta e outra.

Já que o carro de Nenê tinha um motor zero quilômetro e o de Fernando Monis, que vinha logo atrás, trazia um relativamente desgastado, entende-se que o pacote é precisamente o mesmo nos dois casos, com apenas alguma pouca diferença de performance dos motores.

A melhor volta de Nenê foi de 02:20.296 e a melhor de Monis foi de 02:21.166. Para o pacote em questão e nas condições em que estrearam eu penso que é bem aceitável. Pude fazer ontem mesmo uma comparação com outros carros de peso e potencia diferentes, e cheguei à conclusão de que o pequeno fórmula pode mostrar um bom desempenho em curvas.

Nesse aspecto Nenê foi claro ao afirmar que o carro é dócil, de bom manejo e neutro no comportamento em curvas. Mesma afirmação de Eduardo Monis. Fiquei com a clara impressão que basta algumas melhorias na afinação desses carros e uma prova em pista totalmente sêca mostrará com certeza tempos mais atraentes. Para uma categoria que jamais foi para a pista nem ao menos para uma classificação, eu acho que é um desempenho bem aceitável para o pacote proposto. As melhoras virão nas próximas etapas, que devem contar com mais carros no grid. E assim o clima de disputa será inevitávemente inaugurado. Entendo que há um equilíbro muito satisfatório entre custo de aquisição e de participação, e o desempenho proporcionado. Fora é claro, a oportunidade imperdível de se pilotar um desses na pista mais importante da história do nosso automobilismo. Seguem abaixo algumas fotos.




A posição do radiador de óleo é livre, mas não se usa cárte sêco.
Carburação original de 32mm, recalibrada.
Tampas de válvulas aletadas, fixadas nos prisioneiros.
Eixo traseiro posicionado por tirantes



Formula Vee Brazil - o primeiro pódium da categoria

O muito bem decorado carro vencedor da primeira etapa
conduzido por Nenê Finotti


No total foram aproximadamente 2 anos entre as primeiras discussões sobre o tema e a hora da bandeira de largada. Posso afirmar, por ter acompanhado, que foi uma batalha longa e dura desde as discussões iniciais que moldaram a idéia básica, passando pela dificil etapa de dar os primeiros passos para o surgimento do carro em si, até o momento em que os primeiros integrantes foram finalmente ao autódromo trajando os seus macacões e capacetes.

Então, ontem, 12 de Março de 2011, a categoria deu o seu primeiro passo concreto para existir na prática. Era necessária uma apresentação na pista, não nos moldes faraônicos de uma F1, mas pura e simplesmente andando na pista de competições. Esse é o momento em que definitivamente passa a existir uma categoria esportiva. A partir daqui todos os envolvidos estarão discutindo o que fazer para a próxima etapa, seja nos seus carros própriamente, seja na organização do evento. Já há a expectativa do prosseguimento, e isso é muito importante.

O cenário não poderia ser mais inquietante e gerador de expectativas. Sábado pela manhã havia uma fina e recorrente garôa. É claro que tôdos preferem pilotar no sêco, mas diferentemente do que pensaram em agregar à F1, aqui chove de verdade e não de mentirinha.

A prova estava marcada para o final da tarde após as 16:00. Mas devido a uma série de atrasos, a prova de 30 minutos foi finalizada aproximadamente às 18:10, com as luzes do autódromo já acêsas.

Essa demora causou uma expectativa e um certo cansaço psicológico pois tôdos chegaram lá antes das 9:00 da manhã. E ninguem estaria disposto a desistir de nada e nem tirar ao menos uma soneca. O box 17 foi-se enchendo aos poucos e os comentários e perguntas foram se avolumando.
O box 17 acabou se tornando concorrido, havia muita expectativa e curiosidade

Formula Vee Brazil - amadorismo e garagistas na pista - Again!!!!



A fórmula de sucesso nas pistas de automobilismo mundo afora esteve no passado baseada em garagistas. O bilionário e todo poderoso da F1, Bernie Ecclestone, também foi garagista. Ron Dennis foi mecanico no mesmo formato de competição. E assim por diante, a lista é imensa. Hoje em dia a idéia do garagista soa quase ridícula. Porém é preciso enfatizar que há uma diferença muito grande entre pagar todos os custos de uma estrutura de equipe e esperar apenas que transportem o carro para a pista e assim basta virar a chave, e se envolver de fio a pavio com todas as etapas da preparação e competição, sendo voce mesmo o ultimo reponsável por tudo e eventualmente o faz tudo da sua própria equipe. Aí o aprendizado gerado é incomparávelmente maior.

Ontem, 12 de Março de 2011, mais uma vez volta ao autódromo de Interlagos um formato de competição automobilística que no passado ajudou a forjar campeões como Emerson Fittipaldi. Foi dada a largada para uma iniciativa louvável que eu acompanho há vários meses. Deu-se a primeira prova da Formula Vee Brazil, uma proposta na qual eu sempre acreditei desde o início e por razões muito cabíveis.

Os cabeças da categoria, Joaquim Lopes Filho, o Mestre Joca, e Roberto Zullino, campeão da Classic, se desdobraram para concretizar o surgimento da única categoria de monopostos do país na atualidade, estruturada de forma integralmente amadora.

Interlagos - mesmo com chuva, mesmo em pé o dia inteiro, eu gosto muito


Depois de mais de um semestre sem por os pés no autódromo José Carlos Pace, retornei ontem a um dos lugares onde mais gosto de ir em sampa. E encontrei muita gente lá, que não via há meses. Lista grande que seria dificil compor de memória. É um ambiente que eu adoro, tenho muitos amigos lá e tanto as visões como os sons me fazem perceber que estou no lugar e momento em que gostaria de estar e que me dá satisfação. Então, vou lembrar com poucas imagens o sentimento de bem estar, num lugar onde fiquei em pé o dia inteiro e mesmo assim não me senti desconfortável pois o conforto mental foi bem maior.

sábado, 12 de março de 2011

Luiz Pereira Bueno - cerimonia de homenagem na Curva 1 de Interlagos

O Mark I, que foi pilotado por Luiz Pereira Bueno, no local onde ele deu autênticos shows de pilotagem - a desafiadora Curva 1
À direita da foto ao lado do guarda chuva preto, uma das pessoas que mais apoio deu a Luiz, seu grande amigo Chiquinho Lameirão 

Hoje foi dia de cerimonia e lembranças em Interlagos. E não poderia haver lugar mais bem escolhido do que a Curva 1, palco de impressionantes performances do grande Luiz Pereira Bueno, falecido muito recentemente.

Infelizmente eu cheguei muito tarde no local e a cerimonia já havia transcorrido. Foi armada uma tenda na qual deu-se o cerimonial própriamente dito com as palavras de um padre cujo nome lamentávelmente não me lembrei de perguntar.

Estavam presentes muitos amigos de Luizinho e na programação do cerimonial foi incluído um áudio do grande pilôto contando algumas passagens suas no automobilismo. Suas cinzas foram lançadas no asfalto onde ele brilhou por muitos anos, e os três carros que esternizaram a sua imagem no Brasil estavam expostos na pista conforme as fotos desse post.

Entre muitos presentes estava um dos seus amigos que em nenhum momento deixou de fazer algo por êle, mesmo ainda antes de manifestar enfermidade, Francisco Lameirão, o Chiquinho. É uma pena que eu tenha chegado muito tarde e portanto não tenha colhido mais informações. Mas que fique registrado aqui no Amigos Velozes essa homenagem a uma pessôa que fez uma legião de amigos e admiradores ao longo da sua vida.

Mark II, carro que acumulou vitórias nos melhores tempos do nosso automobilismo


Porsche 908, o veloz bólido com o qual Luiz impressionou ao contornar as curvas 1 e 2 em altíssima velocidade

O local onde se deram as homenagens, no lado interno da Curva 1

A Curva 2, ponto de velocidade muito alta que antecede o retão de 900 metros

imagens: Amigos Velozes

sexta-feira, 11 de março de 2011

Procura-se piloto de F1 com curso e prática comprovada em acrobacias aéreas




Emerson Fittipaldi nunca escondeu o seu desagrado com os carros asa, argumentando que você não conseguia perceber bem as reações do carro e caso as minisaias deixassem de fazer o seu papel em algum momento, você virava passageiro sem saber e em velocidade muito alta.

Um dia desses, vendo imagens de antigos carros da F1 no Facebook, vi uma foto de uma Surtees que me chamou a atenção na hora. Todo o design do carro é muito fluído, sem frescuras, penduricalhos, volteios, depressões e coisas assim. Você olha na foto e identifica um carro de corridas monoposto, no caso um F1.

Também a decoração era muito bem balanceada. Carenagem com o branco predominando e as inscrições em verde, destacando-se muito no conjunto. Além disso a mecânica ficava exposta, como era comum naquela época.

Hoje os carros da F1 não são própriamente maravilhas da tecnologia, mas aberrações competitivas de altíssima performance. São design´s esquisitos onde o efeito aerodinâmico dita a estética, prevendo espaço conveniente para incrições que mais parecem marca de roupagem do que anúncio de patrocinadores. Os números que antigamente qualquer caolho daltonico com 8 graus de miopia enchergava, hoje precisam ser procurados no Photoshop.

Enfim, essa F1 de hoje não atende, na minha forma de pensar, um dos intuitos mais básicos da organização de um evento de competição automobilística. Fazer o público identificar os carros por sinais, entre êles os números, de tal forma que a associação com os patrocinadores se torne automática.

Conheci muita gente que foi ao autódromo porque sabia que ía ver o Maverick da Hollywood. Amigos meus que viram Nelson Piquet na F Super Vê se lembram que ele era patrocinado pela Gledson. E assim por diante. Ah, me lembrei agora que na Opala Stock Car, 22 era o número do Paulão. E quem não se lembra do Banco Nacional na época do Senna ou da Bardahl na época do Emerson?

Recentemente mais uma das idéias exóticas de Bernie Ecclestone fechou o currículum de imaginação biliardária. Ele cogitou de inventar um sistema que afinal se manifestaria num simples botão Start Rain / Stop Rain. Claro que empregaria zilhões no desenvolvimento de uma chuva artificial que enlameasse a pista tôda enquanto os espectadores ficariam sequinhos na arquibancada. Alguém diria: “Puxa, ele pensou em nós na hora de fazer chover!”.

O vídeo desse post mostra mais uma das loucuras que não combinam bem com o conceito de pilotagem no seu modo mais clássico. Asas traseiras que se movem convenientemente e assim alteram o arrasto aerodinâmico, o que por sua vez cria um diferencial entre dois carros que resulta em aproximação e eventual ultrapassagem.

Claro, há de ser controlada pelo pilôto durante a pilotagem. No meu humilde e meio empoeirado entender, isso é coisa de quem tem dinheiro em excesso e usa o dito cujo para pensar. Sim, dinheiro não pensa mas faz pensar. E quanto mais dinheiro maior a besteira a ser pensada.

Está certo Rubens e mais outros pilotos que questionam o novo recurso e apontam a possibilidade de uma escapada violenta e imprevista. E para dizer que está certo, até um asno como eu consegue sustentar que a atenção do pilôto deve estar voltada para o comportamento do carro, sempre esperando sintomáticamente que algo possa sair errado e ele tenha que tomar atitude instantânea. Isso é muito diferente de provocar mudanças em ítens que alteram a performance de forma imediata, e então o momento, a duração e a intensidade dessa mudança vão determinar se tudo foi bem feito ou se resultou em um desastre maior do que a perda de posição na corrida.

Eu acho que está mais do que na hora de a F1 definir um novo pacote onde o pilôto tenha o compromisso de pilotar uma engenharia e um setup conhecido e fixos até que isso seja alterado no box e/ou no regulamento. Se isso não acontecer é muito provável que algum dia alguem demita um pilôto porque ele não sabe acionar uma asa da mesma forma que um aviador. Isso poderia perfeitamente levar à aberração de se admitir na equipe apenas pilôtos que tenham no seu curriculum um curso de acrobacias aéreas.

Pilôtos de qualquer tipo de carro de competição pilotam, sempre pilotaram, e sempre pilotarão quatro pneus. Isso enquanto não aparecer algum estúpido que invente rodas multifacetadas de materiais compósitos de ultra super hiper tecnologia. Pra mim, pilotagem deveria ser só no braço. E isso quer dizer pilotar o volante em si, como sempre foi.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Peixotinho - a filha lembra a saudade do seu herói veloz

 (post atualizado em 2/7/2019 com fotos do piloto enviadas pela filha, Christiane)

Sempre tive a noção de que os motociclistas são pessôas que vêem a vida sob uma ótica particular e são pródigos em dar demonstrações muito pessoais de que gostam de viver. Ao menos era assim quando eu era jovem. Era isso que eu percebia nos jovens da minha geração que tinham uma vida em que a velocidade era ditada por êles próprios nos momentos em que achavam que isso era conveniente. Coisa muito diferente da atualidade em que a maioria anseia por coisas mais lentas para compensar o stress da vida moderna que apenas nos consome.

Viver é uma coisa que tem a implicação de envelhecer acompanhada de satisfações que apenas o tempo transcorrido pode nos dar. Assim sendo há determinadas situações que só podem surgir depois de transcorrido o tempo. Portanto, envelhecer está longe de ser a coisa mais dramática das nossas vidas.

E isso ficou mais uma vez evidente hoje ao ler um comentário num dos meus posts. Em novembro de 2010 publiquei um post com o relato de Jan Balder sobre o fim de Antonio Castro Prado, o Pradinho (neste link aqui). E no final do post mencionei o piloto de moto José de Oliveira Peixoto que faleceu num acidente na entrada do box de Interlagos, ainda muito jovem.

Para a minha surpresa e satisfação, a filha desse piloto que adorava a vida como tantos outros motociclistas que conheci nessa época, teve notícia do meu post e deixou lá o seu comentário, que resolvi reproduzir num post à parte dedicado ao seu pai veloz. Peixoto foi uma pessôa que me marcou pela sua personalidade e ficou na minha lembrança. Infelizmente não tenho uma única foto dele para juntar a esse post, mas tenho depoimento da filha rico em sentimentos, que segue abaixo.

Valeu Christiane!

Infelizmente tragédias deste tipo acontecem... a dor só é sentida por quem fica!!! e a dor, só sabe quem sente! eu senti e sinto até hj, qdo com 9 anos de idade, meu pai "JOSÉ DE OLIVEIRA PEIXOTO", O PEIXOTINHO, com apenas 36 anos de idade, sofreu este fatal acidente e foi prá nunca mais voltar! AI Q DOR!!! AI Q SAUDADES, é com muita emoção, tristeza e revolta, q eu com 36 anos de idade,relembro esta passagem. E com muito carinho q eu agradeço a vc Sr Zé Clemente, por lembrar do meu saudoso, amado e eterno Pai.
Muito obrigada pelo carinho.
Fique com Deus, mta saúde e td d bom prá vc e sua família.
Christiane de Oliveira Peixoto Passini.


Retificação:
Conforme já consta em outro post, Walter Tucano me confirmou que o acidente de fato se deu na saída dos boxes, e não na entrada. Leia nota de retificação no final desse post.

terça-feira, 8 de março de 2011

Com a palavra quem é do meio - Ingo Hoffman




Tudo bem, a F1 está chata, o automobilismo brasileiro é um morto vivo que passeia pelos autódromos, a imprensa não tem mais o que noticiar e apenas copiar, enfim esse universo não é e nem será mais o mesmo. Tudo mudou, o automobilismo mudou, o mundo mudou. E o que era válido no passado, hoje é nada mais que lembrança.

Mas temos tradição no automobilismo e isso fica evidente quando pessôas do meio fazem comentários que deixam claro que são do referido meio. É o caso do pilôto Ingo Otto Hoffman que aqui neste vídeo dá entrevista ao Estadão em 2008 quando anunciou o fim da sua carreira na Stock Car. Ingo tinha então 55 anos e um acúmulo de títulos na categoria que é record absoluto na nossa história.

É claro que a visão do automobilismo muda dependendo se voce é pilôto ou público. E nesse vídeo ele fala de vários assuntos inclusive da F1 e dos nossos pilôtos e da torcida dêles. Faz a crítica conhecida a respeito da torcida que valoriza apenas o ápice, o máximo. Infelizmente a nossa torcida é assim mesmo e penso que isso foi herdado do futebol.

Ingo faz duas colocações muito interessantes. Primeiro ele diz que esse período que vai do início de Emerson até Ayrton, é um período excepcional. E ele tem razão nisso pois todo o ambiente que pôde dar surgimento a uma bela safra de pilôtos nessa época, é uma coisa que não se repetiu mais no nosso cenário doméstico.

E segundo, é interessante a citação dele de que além dos 8 títulos que esses tres pilotos conquistaram, devem ser lembrados os outros momentos em que brasileiros estiveram em disputa de títulos. E para justificar isso ele cita os italianos e os alemães. Em outras palavras o Brasil deu frutos sensacionais no quesito material humano do automobilismo. Quem sabe algum dia a torcida vai ver o nosso automobilismo por esse angulo e deixar de fazer críticas, às vêzes muito injustas como as que fizeram seguidamente ao Rubens Barrichello.

Parabéns ao Ingo, ele é mesmo do ramo.

segunda-feira, 7 de março de 2011

Velocidade na terra em SC - levantando poeira, como era antigamente

Quando digo que o automobilismo brasileiro está de mudança para o sul do país, penso que alguns que lêem essa minha afirmação devem pensar que estou delirando. Eu mesmo sou uma espécie de ET da velocidade que acompanhou o automobilismo nacional mas nunca guardou registros. Nunca pilotei num autódromo e mato a minha frustação em corridas de indoor na Granja dividindo curvas com caras bem rápidos. Dou manutenção nos meus carros e não sei preparar um de pista, mas já desenhei dois chassis tubulares. Então eu não sou nem da frente nem do fundo do pelotão, apenas uma meia bôca que adora velocidade.

Aliás, em velocidade não cabe o conceito ‘eu gostava de corridas’, eu ‘eu gostava dessa adrenalina’. Velocidade é um virus que te pega e nunca mais cura. E é por isso que compareço sempre que posso no único autódromo da minha cidade, o histórico Autódromo José Carlos Pace, conhecido como Interlagos.

Não me preocupo mais em olhar para as arquibancadas em Interlagos porque sei que não vou ver nada quando estiver lá. E há muitos anos havia. Havia público, corridas, cachorro quente, meninas assanhadas, turminhas e tudo mais. Acabou, nada disso existe mais e restaram os saudosistas da vida que, alguns deles com mais dinheiro do que eu, conseguem por os seus carros na pista.

Mas em Santa Catarina a coisa não é exatamente assim, conforme pude ver no vídeo do link abaixo, do blog Poeira Na Veia do Francis Henrique Trennepohl.

Programa "Velocidade" 05/03/11

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Stirling Moss lembra o talento de Luiz Pereira Bueno

Luiz Pereira Bueno pilotou na SMART, a equipe do grande Stirling Moss. Claro que o histórico piloto de F1 ficou sabendo do passamento de Luiz e divulgou a sua nota a esse respeito no seu web site. É uma clara demonstração, não apenas de que Luiz era um grande pilôto, mas também que conquistou a admiração pessoal de outras pessôas. Leia o post do site de Stirling Moss no link abaixo.

Luiz Pereira Bueno: 1937 - 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Luiz Pereira Bueno - texto muito bem elaborado sobre uma lenda

Quem não gosta de ler um bom texto? Textos bem feitos que se referem específicamente a pessoas de forma característica, devem contextualizar bem, sem exagero nos detalhes e com citações pontuais que gerem na cabeça do leitor uma dimensão daquele que é objeto do texto. E no caso de tratar-se de uma homenagem, a inclusão de palavras do próprio homenageado, a citação de companheiros de estrada e depoimentos de quem conhece a pessoa, são ingredientes que enriquecem muito o conteúdo.

No link abaixo, no site Ford Para Todos, encontra-se um texto limpo, direto, sem nenhum tipo de exagero, esclarecedor, sobre Luiz Pereira Bueno escrito por Raul Machado Carvalho. Vale a pena ler. E como pessoa que escreve e gosta da tarefa, sei da dificuldade de se finalizar um texto, coisa que nesse caso se deu forma muito simpática e significativa. Parabéns ao escriba.

LUIZINHO, UM MITO DOS ANOS DOURADOS, NA ESTRADA DO CÉU, COM MUITA LUZ

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Luiz Pereira Bueno - a minha lembrança pessoal

Ontem aconteceu a primera etapa da edição 2011 do meu campeoanto de kart amador, o Kart São Paulo, e aproveitei a oportunidade para fazer uma lembrança a uma pessoa que me tratou muitíssimo bem desde a primeira vez em que conversamos. Falei por alguns instantes do Peroba, o Luiz Pereira Bueno, piloto fantástico e uma pessoa que gozava da amizade de um autêntico contingente.

Grande Peroba. Valeu


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Antonio Ferreirinha, 75 anos bem vividos - Feliz Aniversário

Se há uma pessoa que admiro, seja pela sua capacidade, seja pela simplicidade na forma de ser, é Antonio Ferreirinha, lendário preparador do nosso automobilismo dos idos em que tudo se fazia pelas mãos de uma pessôa.


Antonio Ferreirinha - foto do seu arquivo pessoal

Ferreirinha sempre me tratou muito bem em todas as oportunidades em que mantive contato, e isso por si só, fato um tanto raro na nossa atual sociedade, já é motivo mais que suficiente para que eu registre aqui o seu Feliz Aniversário de 75 bem vividos anos.

Ferreirinha já é uma lenda na história do nosso automobilismo. Com mais de 4 décadas nas pistas brasileiras, manteve contato com todos os nossos melhores pilotos e sabe apontar um por um quem pilota, e como.

Ferreirinha já adiquiriu na pista a bagagem necessária para dar a receita do bolo de uma boa preparação para um bom pilôto. E mais que isso, depois de tantos anos preparando carros para pilôtos de diferentes capacidades e estilos, está por consequencia dessa contingência na posição de orientador experiente que já viu acontecer de tudo nas pistas.

É uma pessôa que dá prazer conversar e isso explica o número de amigos que tem, que não é pequeno. Português nato, já se habituou a ser chamado por mim de “óh gajo”, bem como o seu bom humor é mais que suficiente para que conte vez ou outra uma piada de portugues.

Ferreirinha é um remanescente de um automobilismo apaixonado, que morreu há muito tempo. Um tempo em que as pessôas faziam o que mais gostavam na maioria das oportunidades. São pessôas que têem uma ligação viceral com o que fazem e vivem, e isso acaba moldando a sua conduta e visão de mundo e de sociabilidade de uma forma que os torna não apenas reconhecidos mas principalmente individualizados.

O Blog Amigos Velozes tem um grande prazer em desejar a Antonio Ferreirinha um

FELIZ ANIVERSÁRIO.

Parabéns Óh Gajo!!

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Faleceu Luiz Pereira Bueno, o Luizinho, o cara que deve virar nome de autódromo!


- V8 é V8 né.....

Saíam as Maserati para a classificação no Autódromo José Carlos Pace, e na porta do box um amigo do pilôto que emprestou o seu nome a este que já foi o nosso templo do automobilismo, falava comigo sobre a sua admiração pelos motores de 8 cilindros que ele pilotou muitas vezes no seu passado de pilôto de competição.




Eu conversava com Luiz Pereira Bueno, a quem disse certa vez que o admirava muito, coisa que aparentemente ele guardou de forma natural. Toda vez que o encontrava no autódromo ele sorria para mim, me cumprimentava, como se fôssemos amigos frequentes, coisa que na verdade nunca fomos. À ele eu dizia “Luiz Peroba Pereira....”, ao que ele invariávelmente respondia “Oiii, como vai....”.

O valor que isso tem para mim, longe do que qualquer pessôa possa imaginar, não é o meu orgulho pessoal de ter contato com um dos nossos maiores botas de tôdos os tempos, mas sim a admiração que eu tinha pela impressionante simplicidade de uma pessôa que foi literalmente referencia na pilotagem de competição no Brasil. Alguem que poderia ser muito mais reservado do que o normal, mas muito ao contrário disso era tão acessível quanto qualquer mortal comum. E ainda por cima uma pessôa que se dirigia a você como um gentleman.

O Luiz que eu conheci era uma pessoa gentil, educado, fala mansa, sempre pronto a contar uma estória, pronto para uma boa prosa, preferencialmente sobre carros de corrida, a sua grande paixão. Luiz foi cunhado de Cláudio Daniel Rodrigues, a pessoa que introduziu o kart no Brasil. É alguem que tinha muito a contar e ensinar. Era muito conhecido pelo seu jeito suave de pilotar e pelo seu conhecimento de mecânica de automóveis, coisa que lhe rendeu um diferencial nas pistas.

Não foi à toa que teve duas oportunidade de pilotar F1 e estabeleceu um record no anel externo de Interlagos pilotando um March. Infelizmente não conseguiu se firmar na categoria, coisa bem dificil de se conseguir mesmo naquela época, não bastando para isso apenas pilotagem. Certamente teria sido um pilôto muito rápido.

No final de 2009 eu soube por amigos que Luiz manifestara cancer de pulmão. A sua vida depois do automobilismo não foi nada fácil, mas ao mesmo tempo êle pôde contar com amigos da sua época de pilôto, que nunca o deixaram desamparado. Fizeram por Luizinho o que se podia fazer e a incrível simpatia dêle deixava claro que era merecedor das amizades que tinha.

A última imagem que guardo de Luizinho Pereira Bueno é de 2009, sentado num dos boxes do autódromo de Interlagos, tendo ao seu lado meu amigo Joca e mais outras pessoas. Eu estava de saída e passei ali para me despedir. Nem imaginava que seria o último cumprimento ao cara mais gentil que eu conheci nesse meio.

Pelo que captei no contato com Luizinho, diria que o nosso automobilismo, que já está internado há muito tempo, definitivamente virou história de livros a partir do dia de hoje. Quem pôde ter contato, nem que fôsse mínimo, com pilôtos dessa época sabe de que estou falando. O nosso automobilismo virou uma das suas mais significativas páginas. Luiz faleceu na manhã de hoje à 7:00 na sua casa em Atibaia. Perdi um amigo de box simpático e sorridente e o Brasil perdeu um dos nossos expoentes na pilotagem de competição.

Costumam dar nome de pessôas ilustres à ruas e avenidas. Penso que Luiz merece coisa bem mais veloz que isso. Não acho, mas sim tenho toda convicção de que o automobilismo deve dar a um dos nossos autódromos, mesmo que isso se dê no futuro, o nome de Luiz Pereira Bueno. 

a foto do post do tambem pilôto Sidney Cardoso