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domingo, 8 de março de 2009

Ronaldo Nazário - Spyder Soccer

No post anterior sobre o jogo do Corinthians eu disse que daria a minha opinião sobre a presença do Ronaldo Nazário no clube. Então, aqui vai.
Reafirmando o que eu disse antes, de futebol não entendo nada e nem pretendo vir a entender ou mesmo acompanhar. Tanto que esse aqui deve ser o segundo e último post sobre o esporte.

Disse que o Ronaldo não veio aqui necessáriamente para jogar. Claro, não vai passar a vida como reserva que joga só 30min do segundo tempo. E também quando estiver em campo vai sim procurar o gol que é o objeto de qualquer atacante.

Mas eu vejo o Corinthians meio como a ala de recuperação do Ronaldo e também como seu mais importante agente de marketing.
O Ronaldo fez a sua carreira na europa. Lá ele apareceu para o futebol mundial. Lá ele virou fenômeno, melhor jogador do mundo, milionário, semi-aleijado e por fim o jogador super bem pago que passou um longo tempo sem por o pé na bola. E para ser um pouco mais azarado arrebentou o outro joelho. Fora o desleixo impressionante no comportamento pessoal que aniquilou a forma física. Todos lembram do elefante que jogou a última copa pelo Brasil com direito a chapéu do Zinade.

Para a europa o Ronaldo acabou. Lá tem muitos jogadores com condições iguais ou melhores que as dele de hoje. E pessoas que moram lá mesmo e que podem pegar o trem apenas para visitar a família. Porquê trazer um do Brasil?

O Corinthians é sem dúvida a maior torcida do Brasil e talvez a maior do mundo. A presença do Ronaldo no jogo anterior foi determinante para o pequeno estádio ficar lotado até não ter espaço nenhum para mais torcida. A presença dele no outro jogo garantiu a torcida no estádio e na tv. E com direito a comemorar derrubando alambrado, não por uma vitória mas simplesmente porque o único gol do time foi ele quem marcou.

Eu não sei se o Coringão tem bala na agulha para pagar todos os custos de contratação do Ronaldo. Acho sim que nisso há muita lavagem de dinheiro como há em outros times e esportes. Mas bala na agulha, única e tão sómente, não seria garantia de estádio cheio mais tudo o que envolve a visibilidade na mídia. Assim sendo o Ronaldo é garantia de ingresso pura e simplesmente. Numa época de vacas magras como a atual, vamos ver o Coringão com a conta no azul.

E para o Ronaldo? Uma oportunidade de se readaptar físicamente. Ele não está velho como as pessoas gostam de falar sobre um atleta que atingiu a idade dele e teve um decréscimo de rendimento. Ele está muito mal adaptado físicamente. É o Corinthians que vai dar jeito nisso? Não, o time é quem proporcionará a oportunidade. Quem pode dar jeito nisso é ele próprio. Atletas de alto rendimento não precisam que técnicos o chamem para treinar. Fazem isso por obrigação e motivação própria também.

E além de uma oportunidade de se readequar, o Corinthians é também o lugar ideal para o Ronaldo aparecer em primeiro lugar nas notícias do esporte de novo. E com o time a tiracolo e não ao contrário, ele a tiracolo do time. Apenas o fato de ele entrar em jogo já põe a torcida em euforia, a qual não se preocupa no momento que o time tenha apenas empatado um joguinho meio aranha, no sentido mais pejorativo do termo.

Coisa que não aconteceria no Rio. Paulistas que me desculpem, mas o futebol mais nervoso do Brasil fica no Rio de Janeiro. Lá é como uma doença. O cara pensa no time dele os 7 dias da semana. É uma religião. E por isso mesmo o Rio poderia ser o fim do Ronaldo nas condições em que ele se encontra agora. O carioca cobra muito mais que o paulista, mesmo que o cara seja o Ronaldo. Na cabeça dele se é o Ronaldo, então é vitória. Outro resultado não é bem visto. Afinal, é de lá que saíram Garrincha, Gérson e outros que não lembro o nome.

Finalizando, eu acho que, o que o Ronaldo faz no Coringão hoje é literalmente inciar uma carreia de futebol no Brasil. Se usar a cabeça vai longe. Se usar o cartão de crédito na boate vai acabar indo pro brejo de vez.

Fiquem à vontade todos os meus amigos para me esculhambar porque não sei nada de futebol, não conheço nada e nem vou me dedicar a isso. Não será por isso que deixaremos de ser amigos. Acho até que vai fortalecer a nossa amizade.

Bom domingo à todos. Vou tomar um banho porque estou com o suor pingando aqui. E viva o fenômeno. Todos têm direito a mais uma chance.

Carlos Braz - Classic Cup

Carlos Braz no grid da Classic Cup

Carlos Braz que corre na Classic Cup com o 21, é amigo meu há muito tempo. Talvez uns 20 anos. É fanático por carros antigos e não apenas para desfilar na rua, como eu vi com alguns que ele restaurou. Nas pistas o gosto por carros clássicos foi posto em prática com o DKW 21 amarelo com o qual ingressou na Classic. Vi este carro sendo preparado práticamente desde o início. O motor que não deu um único problema durante todo o tempo em que correu na categoria, foi ajustado pelo seu amigo e preparador caprichoso, Rafael Scalize. Me lembro do trabalho que foi feito nas janelas do bloco, que se constituiu única e tão sómente em ajustar todas conforme um gabarito, sem a intenção de conseguir um alto ganho de performance mas com um capricho típico de quem é do ramo da mecânica e é criterioso.

DKW 21 - primeiro clássico de Carlos Braz na pista

Na sequência veio o Passat 21 que começou a sua trajetória com um AP1600 com carburador mini-progressivo, no lugar do original 1.5. Depois foi trocado por um 2.0 com Weber horizontal e câmbio de cinco marchas. Gira um pouco menos mas os 400cc adicionais colocaram uma diferença de tempo de mais de 2s sobre o conjunto anterior.


Neste último sábado foi a vez de colocar na pista o seu novo Passat 21 na D1B, do qual já falei em um post anterior. Até a hora da classificação o carro tinha apenas uma volta no circuito, exatamente há trinta dias. Qualquer carro pode apresentar alguma falha por menor que seja quando vai pela primeira vez para a pista. Na classificação marcou 2:12.286 ficando em segundo no grid atrás de Rogério Tranjan do Passat 44. Na geral 17o. num grid de 28.
Momento da largada da segunda etapa da Classic Cup
Na corrida começou muito bem até que os pneus começaram a esquentar e ficou muito clara a tendência de escapar nas saídas de curva. A classificação se deu em 15 minutos e com o asfalto mais frio, já que havia leve garôa. Na corrida a pista estava mais quente pois o sol já tinha vindo marcar presença. Aí o comportamento mudou. Acompanhou o tempo do 44 por várias voltas até que num determinado momento eu percebi que ele tinha literalmente aliviado o ritmo. Quando chegou no box, em segundo lugar, a água estava a 110 graus e o óleo a 130. A explicação apareceu rápido. Soltou-se a corrreia da bomba d´água.

No geral ele ficou contente com o bólido. E tem razão para isso pois o carro tem muito pouco mesmo a ajustar para um desempenho muito competitivo na sua categoria. Apesar do pequeno problema é um conjunto confiável.

O resultado final foi 2o. na categoria e 13o. na geral. Na categoria a prova foi vencida por Rogério Tranjan e em terceiro ficou Fernando Alcoforado. Para uma primeira vez eu acho que está muito bom.
Pódium da D1B com Carlos Braz em segundo
No site http://www.dmracing.com.br, no menu Matérias há várias fotos e um texto que dá os detalhes da preparação desse carro.

sexta-feira, 6 de março de 2009

BRAWN GP


Ao mesmo tempo que a Honda pulou fora da equipe, foi ela mesma que deixou um caixa para que pudessem ter chance de entrar no grid desse ano e o carro está aí rodando nas mãos do Button pela primeira vez em Silverstone. Só dois testes e prova na sequência. Vai ficar atrás na primeira corrida por dois motivos principais. Falta de tempo de ajustar a dinâmica complexa de um carro desses e falta de dinheiro para correr riscos além dos habituais. Muda uma coisa importantíssima. Antes não tinha velocidade em reta e com o motor Mercedes a previsão é que tenha mais chance dessa vez nesse quesito. O que está dificil entender é por quanto tempo a equipe vai resistir no campeonato já que o carro que foi para testes não tem nenhum logo de patrocínio na carenagem. Se alguém estivesse pondo o seu dinheiro lá, isso seria acompanhado da exibição da sua marca no carro.


Como ninguém tem tempo de testar praticamente nada, o desempenho vai ficar confiado ao agora dono da equipe e à experiência dos dois pilotos. A mesma esperiência que negou vaga para o Bruno Senna. A equipe está em verdadeira condição de vaca magra e o Rubens é uma escolha coerente num confronto contra um piloto que nunca disputou um GP. Assim sendo ficou mais ou menos claro que caso a equipe tivesse conseguido um investidor o Bruno provavelmente teria sido contratado. E também ficou claro que a imprensa, na maioria das vezes, não sabe nada do que acontece. Falaram de tudo possível e imaginável sem absolutamente nenhum respaldo e tudo acabou saindo ao contrário do que disseram. Assim como falaram muita besteira do Rubens, chegou a hora de ele descer um pouco a ripa, conforme texto no seu site. Afinal ele também tem o direito de se comunicar não é? Vamos ver o que ele vai dizer do resultado de Melbourne porque a Brawn não é a única que corre com motor Mercedes. Além disso nesse ano todo mundo vai andar com slicks e no site da Brawn que acabou de ser posto no ar não há nada sobre KERS. Então tudo é uma incógnita por enquanto, inclusive para eles.

fotos: BRAWN GP

quinta-feira, 5 de março de 2009

Futebol - sim, eu assisti um jogo

Todo mundo sabe que o meu negócio não é futebol. Na verdade eu simplesmente não sei nada de futebol. Nem o nome dos times ou dos jogadores. Mas eu quiz assistir o jogo do Corinthians hoje por curiosidade. Dois jogadores eu reconheci. O Denilson e o Ronaldo. O Denilson tá num tal de Itumbiara que no meio do jogo eu descobri que é cidade porque o locutor falou que um sujeito, não sei quem, nasceu em Itumbiara, o que faz da dita cuja uma cidade. Sim, tem Itumbiara.

O mais interessante do jogo é entender o que o Ronaldo faz lá. O jogo mesmo não foi nada demais. Dois ataques ruins e uma defesa razoável, a do Itumbiara que na verdade tomou só um gol porque o pênalti não foi pênalti mas infelizmente o gol foi gol. Gol é quando a bola vai parar lá no fundo da rede, uma metade do povo da arquibancada grita gooooooollll, a outra metade saúda a mãe do juiz e uns 3 ou 4 saem correndo e gesticulando na crença de que podem reclamar da situação. Ao mesmo tempo 3 ou 4 do outro lado fazem uns gestos assim meio...hummmmmm, meio esquisitos tá. Sei não.

E o coringão não tomou um no primeiro tempo de pura sorte. A história desse jogo poderia ter sido outra. O Ronaldo fenômeno, fenômeno noturno, tá mesmo no bico. Em dez minutos correndo menos de meio campo já tava com a gravata esticada. Não tem a mínima chance na condição em que está. Hoje ele não é um atleta. Atleta era o Riva, esse sim. O Denílson corre dez vezes mais que o Ronaldo. Aliás todo mundo corre mais que ele. Até o juiz corre mais que ele. Quando ele entrou foi junto outro cara cujo nome nem faço idéia. Mas a função dele estava clara. Correr pelo Ronaldo. Ele corre com a bola, o Ronaldo pega depois e.....perde a bola dando showzinho de driblar 3 caras na frente dele.

Francamente cumpadre, Pelé e Coutinho nunca mais. Aliás o Pelé é sim o nosso maior jogador de todos. Nessa marcação que teve o Ronaldo hoje, o Pelé passava a bola para que alguém fizesse. Houve situações em que o Pelé foi marcado por 4. Claro que assim estava faltando defesa em algum lugar. O Pelé deve ter marcado uns 20% a menos do que poderia.

Mas voltando ao Ronaldo, o que ele foi fazer tá claro demais. Foi um jeito de manter o estádio cheio hoje e ao mesmo tempo garantir bilheteria no Domingo. Pode crer que a arrecadação de Domingo vai ser uma paulada. O eterno sofredor sabe que o fenômeno de boates e motéis estará lá.

Vou assistir o jogo de Domingo também, e também por curiosidade, e depois eu digo porque eu acho que o Ronaldo está no Coringão. Não é para jogar. O tempo dirá.

Ah, antes que me perguntem se eu torço para alguém, torço sim. Torço pra mim e fui rebaixado no campeonato.

Foi ele quem disse

"Um bom ditador é melhor para um país que uma democracia. Na Inglaterra a democracia conduz à cunfusão e compromissos ruins. Na democracia, o primeiro ministro sempre é influenciado por alguém ou algum grupo da imprensa. Eu pessoalmente nunca votei. Qual é o problema?"

Bernard Charles Ecclestone no Daily Mail em 15/02/2008

quarta-feira, 4 de março de 2009

IPANEMA era assim....

Hoje, a bossa nova é vista como uma tendência musical do passado. Mas, sem dúvida, representa um auge da vida artística e cultural do Brasil. Pouca coisa retratou tão bem o Rio de Janeiro como os versos do Samba do Avião de Tom Jobim, onde se lê "Rio, você foi feito pra mim" e "Rio, eu gosto de você". Na sua última entrevista no programa Jô Soares, Tom disse com muita naturalidade, que Nova York é bom mas é uma merda, enquanto que o Rio é uma merda mas é muito bom. Também disse que já não suportava mais ouvir Garota de Ipanema toda vez que entrava no elevador. Se você procurar agora na internet, fotos do bairro de Ipanema da cidade maravilhosa, vai encontrar uma metrópole com o mar à frente. Mas Ipanema já foi bem diferente disso e maravilhosa também. As fotos do post são da casa da família da amiga Elizabeth em Ipanema, no ano de 1928. Sem asfalto, sem calçada, sem nada além do mar. Ipanema é Ipanema, assim como o Rio é o Rio. A Beth esclarece com as lembranças de infância e adolescência.


Lembranças de uma infância feliz
Ipanema era assim....

Neste lugar, Rua Barão de Jaguaribe n º 101, entre as ruas Joana Angélica e Maria Quitéria, em 1928, foi construída uma das primeiras casas em Ipanema, sobre as areias da praia e da Lagoa Rodrigo de Freitas. Pertencia aos meus avós, que por lá passaram e ficaram encantados com a beleza local. A família residiu nesta casa, passando por três gerações de 1928 a 1965. Era comum na época, nomear a sua morada. Esta casa foi “ batizada” com o nome Villa de Santa Cruz, em homenagem à fazenda que o casal tinha no Maranhão. A casa ia passando por várias reformas, conforme Ipanema ia crescendo, terminando com quatro andares para descer até o nível da rua. Aos poucos as areias da praia iam se transformando em calçadas e asfaltos. Na janela de cima da esquerda, era o meu quarto e de minhas irmãs. Brisa da Lagoa Rodrigo de Freitas, brisa da Praia de Ipanema. Banhos de chuva, árvores para subir, ruas para andar de bicicleta e patins, carrinho de rolimã para circular, futebol e queimada na rua. Sorvete no Morais, sessão Tom e Jerry no Cine Pax, missa na Igreja da Paz, voley na praça da Paz. Lanche no Chaika, patins de gelo no Gelorama. Domingueiras nos clubes nos arredores. E tantas outras coisas.... Éramos seis filhos, três meninos e três meninas. Que farra! Mais ainda, os primos que vinham de Sampa para passar as férias. Tempos maravilhosos ! Não precisávamos de tantas coisas, só de nós mesmos e de nossas “ invencionices” e criatividade. Precisávamos sim daquela Ipanema inesquecível! Todos brincavam e descobriam o mundo juntos. Quanto prazer! O crescimento do bairro, acabou com o nosso sonho, não só o da Villa de Santa Cruz, mas de tantos outros também. A casa ficou vazia durante dez anos e acabou sendo substituída por um prédio, por volta de 1975, mais ou menos. Que saudades! Crescemos, sofremos e reinventamos nossos sonhos e modos de viver. Foi assim... E até hoje, curtimos as boas lembranças daquele tempo da Rua Barão de Jaguaribe n º 101. Sabemos do privilégio que tivemos em nossas vidas. Todos nós que moramos naquela “ morada” por tanto tempo.

terça-feira, 3 de março de 2009

Posições trocadas

Uma das sensações mais engraçadas e prazerosas que eu senti na vida foi trocar de lugar com pilotos na pista. Em autódromo eu sempre fui platéia, fosse na arquibancada ou no box. Não pensei em algum dia estar na pista ao mesmo tempo em que do lado de fora estavam pilotos que eu vi correndo muito mais e muito melhor do que eu no autódromo de Interlagos, lá naquele tempo em que ficávamos debruçados na mureta do box para assistir disputas de freada na curva hum. Era por causa deles que eu ia ao autódromo.
No dia da nossa homenagem ao Maneco Combacau foi assim para mim e mais 14 amigos. Eu não estava com vontade de participar porque estava muito cansado e não ía ao kartódromo há um tempão, enquanto os meus amigos estão na ativa disputando campeonato.
Para não fazer o último tempo eu sentei no primeiro kart da fila (não houve sorteio), para fazer os 5 minutos de tomada de tempo sozinho na pista. Assim, consegui só o oitavo tempo. Ao menos daria para brincar um pouco com o pessoal do meio.

no meio do pelotão, ainda em condição de briga

No final foi um desastre porque eu rodei duas vezes e numa delas no bacião fiquei literalmente a 90 graus com a pista.
Mas o cansaço resistente foi combatido com a motivação quando num determinado momento eu vi Maneco e Chiquinho Lameirão andando pela grama da reta, indo para a linha de chegada. Posições trocadas. Eu fazendo de conta que estava pilotando alguma coisa e os dois que receberam bandeira de vitória tantas vezes na pista, estavam lá para dar a bandeira para nós que os assistimos no passado.

à direita da foto, Chiquinho e Maneco

Foi um alívio imenso para mim o momento em que apareceu a placa de última volta pois o gás estava no final. Faltavam só mais 1100 mts para receber a quadriculada do Maneco com o Lameirão ao lado. Mais uma volta e levanto a mão em sinal de gratidão. Acabei em antepenúltimo. A única ultrapassagem que consegui foi sobre o filho do Ângelo Alonso na tangência da hum, depois de várias voltas tirando a diferença de uma reta entre nós, que surgiu na primeira rodada que eu dei.

sózinho na pista, em busca da única ultrapassagem

Uma pena que Anísio Campos tenha chegado quando a corridinha já tinha acabado. Seria um brilho a mais na hora do encerramento.

Mas a imagem do Chiquinho indo para linha de chegada ao lado do Maneco fez a minha mente voltar por um instante algumas décadas atrás quando o via nos boxes de Interlagos. Se ele estivesse de macacão, diria que estava indo para o seu Super V.

fotos: Rafael Heying

segunda-feira, 2 de março de 2009

Jan Balder - a última prova

Jan Johannes Hendrik Balder, ou Jan Balder, ou Omelete (apelido adquirido em Poços de Caldas num bar), nosso amigo holandês de Amsterdan que mudou-se para o Rio de Janeiro por conta do trabalho do pai na Fokker, fala da sua última corrida de velocidade onde lembra de um grande amigo que o convidou. Fica aqui um registro da sua última prova de velocidade e também uma reverência ao amigo já falecido.

foto: http://www.bandeiraquadriculada.com.br/

- Então, você falou que parou em 86...


- Foi uma 12 horas de Porto Alegre com um baita amigo meu, José Francisco Bamann, que corria com o Walter Soldan no Campeonato Gaúcho de Automobilismo com Escort. Era um super amigo meu que vinha à toda hora para cá, que há 2 anos atrás teve um acidente de automóvel e faleceu. Fiquei muito chateado com isso porque ele era um cara muito legal. E ele me convidou assim:
"- Vamos fazer juntos eu, você e o Soldan uma 12 horas de Porto Alegre".

- Eu fui mais por ele que queria que eu fizesse parceria. E essa foi a última corrida, em 86. Foi super legal. Estávamos andando bem, disputando até 1o. e 2o., mas o Soldan teve um pequeno acidente. Tinha Opala 4 cil. correndo junto. E os Opalas no miolo eram mais lentos que os Escort, Voyage, Fiat. E o Soldan, numa freada na curva do Laço, queria tentar ultrapassar um Opala antes do miolo para não ficar prêso. Acabou dando uma pancadinha na traseira do Opala e quebrou o radiador e a hélice. Parou, trocou e perdemos um tempo e ficamos para trás. E o motor aqueceu nessa brincadeira.

- Mas deu para acabar a corrida...

- Não, o motor aqueceu, eu peguei o carro e ele disse:
"- Veja o que dá para fazer". O motor já tinha aquecido por causa do radiador e ele deu mais 2 voltas depois da pancada. Eu saí, fiquei tentando levar, vi que a pressão do óleo já estava baixa, a temperatura subindo. O engraçado é que o box sinalizava para mim e eu sinalizava que estava tudo bem, tudo certo, mas dentro daquelas condições. E numa das passadas no box me sinalizaram e eu ´dei´ bom para ele e o motor lançou, saiu fumaça na reta dos boxes.

- E aí acabou..

- Acabou a brincadeira. Mas foi divertido. Foi legal. Foi a minha última corrida, em que eu fui muito mais pelo meu amigo, José Francisco, do que na verdade com a proposta de querer correr. Mas ele insistiu tanto e eu falei "- Vamos, vamos nessa aí".

- Mas você já estava decidido a parar de correr, ou...

- Não, eu já tinha parado há algum tempo. Na realidade se eu olhar lá atrás eu tinha parado em 76.

Crônica de um amigo veloz

Se hoje me faltam muitas coisas na vida, em compensação sobram amigos. E é engraçado que esse mundo da velocidade é um espaço onde voce pode conhecer muita gente boa. Fiz muitos amigos no kart e agora estou fazendo novas amizades no autódromo, que de um tempo para cá voltei a frequentar.
Um desses, com o qual estivemos há pouco tempo, tem muitas qualidades além de ser um amigão. É carioca, pilota muito, de bem com a vida, bem casado, inteligente, incentivador do esporte que pratica e como se isso não bastasse sabe se expressar bem. Vou falar mais dele em outro post mas agora vou colocar um texto seu, pelo qual já deixo o meu agradecimento. Infelizmente o texto é muito longo para um blog e então eu resolvi colocar alguns trechos mas de forma que abranja todo a idéia. Bom proveito.

Tudo começa com o doce sabor da sua infância cercado de atenção por todos os lados e as descobertas sobre aquele novo mundo. Das descobertas a mais prazerosa das reações são as causadas pelo movimento do seu corpo. Você tornou-se um caçador de velocidade e aceleração e sempre teve sua atenção desviada para carrinhos ou qualquer coisa motorizada ou não que pudesse movimentar-se rápido. Se não pudesse correr como queria dava seu jeito de fazer a coisa voar e, aos 5 anos, dentro do seu inocente carrinho a pedal, desceram aquela ladeira da garagem a uma velocidade inimaginável pelo fabricante do brinquedo e contornaram quase por milagre aquela curva no final da rampa horrorizando a vizinhança que assistia incrédula a manobra.

O tempo foi passando e você foi tirando um "racha" aqui e ali, bateu com o carro do pai, fez coisas que não faria de novo de jeito algum e foi cuidar da vida. Aquela carreira de piloto foi sepultada pelo tempo, por ausência de oportunidades, de dinheiro, medo da família, pela esposa que tem horror àquilo e por aqueles que acreditam que isso não dá futuro a ninguém. A arquibancada e a TV foram seus refúgios de onde ouvia-se o ronco dos motores certos, na hora certa e no lugar certo e quase que por detrás de grades para não ser tomado pelo impulso de se jogar lá dentro do carro e fugir com ele para dar uma voltinha.

Mas para tudo há um jeito e no início dos anos 90 surgiu o kartismo lazer que logo virou kartismo esporte amador para jovens e adultos. Sem complicação, burocracia, curso, avaliação e cabendo no bolso de toda família mediana. O mundo inteiro abraçou esse movimento que fez mudar o rumo das coisas pois as fábricas puderam vender mais chassis e motores, os empresários do entretenimento adoraram a atividade rentável e os usuários compareceram em peso para praticar se não o lazer, o esporte desburocratizado.

Surge a figura do automobilista de fim de semana. São caras sérios, com ares de profissionais, possuem capacete de griffe pintado por artistas famosos, já fizeram curso de pilotagem na Alpie, usam macacão homologado para competições oficiais e quando vão para pista fazem o traçado direitinho e não tomam tempo de volta de qualquer um. Coisa de gente grande, mas na segunda feira bate o ponto em seu escritório, consultório ou cliente.

E como lugar de piloto é na pista, eles descobrem que a pista não fica longe de sua casa ou trabalho, é mais barata do que uma multa de trãnsito e dá oportunidade de fazer muitos, mas muitos amigos.

Ed Cordeiro

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Haja lâmpadas


Há um site da Nasa chamado Astronomy Picture of the Day que publica fotos do espaço intergaláctico, do sistema solar e outras. A foto desse post é uma panorâmica da Terra à noite. Veja como a iluminação artificial se destaca. A foto pode ser baixada em alta resolução aqui. Dá um belo papel de parede.

Ditos populares reescritos

- Em terra de cego, quem tem um olho é caolho.
- Quem espera sempre cansa.
- Quem ri por último é retardado ou não entendeu a piada.
- Devagar se chega atrasado.
- Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém... exceto à galinha.
- Depois da tempestade vem a inundação.
- Roupa suja se lava na máquina.
- Onde há fumaça há sempre alguém pedindo para apagar o cigarro.
- Antes tarde do que mais tarde.
- Os últimos serão desclassificados.
- Quem tem boca vai ao dentista.
- Se Maomé não vai à montanha, então Maomé vai à praia.
- Quem cedo madruga fica com sono o dia inteiro.
- A primeira impressão é a que fica, se o cartucho for novo.
- Quem tudo quer, tudo pede.
- Não adianta chorar sobre o leite desnatado.
- Quem com ferro fere não sabe como dói.
- Há males que vêm para o bem...mas a maioria vem para o mal mesmo.
- Quando um não quer o outro vira de lado e dorme.
- Nunca deixe para amanhã o que você pode fazer depois de amanhã.

Última calçada

A Helena, muito bem humoradamente, apelidou de ´A série calçadas do Brasil´ aqueles e-mails que eu mandei com fotos de calçadas estúpidas onde o único que não pode utilizá-las é justamente o pedestre.
Chega de calçadas. Apenas para resgistrar aqui, vai a ultima foto de uma calçada que não pode ser chamada dessa forma porque você não tem como andar nela. É preciso escalá-la. Eu pensei que a solução poderia ser um elevador. Mas aí a prefeitura, que apenas fatura taxas como se pode ver pelas nossas calçadas, vai querer cobrar algunzinho extra. Não daria certo. Aliás, nessa rua os 3 quarteirões que estão atrás de mim são intransitáveis na calçada.
Quer andar numa calçada para pedestres? Vá em Stuttgart, lá onde fica a fábrica da Porsche. Lá tem.

O fim do Espanhol


Espanhol era o nome pelo qual chamávamos o Los Arcos, um bar no final da av. João Dias. Fui algumas vezes nesse bar no final da década de 70. Era um ambiente tranquilo, com decoração simples e boa bebida e petiscos. Entre outras coisas servia um vinho quente muito bom. A decoração de uma das paredes justificava o nome do bar conforme pode-se notar numa das fotos. Esse quarteirão da João Dias teve sua época, mas hoje se resume a inundução, conforme um dos primeiros posts do blog, transito e eventualmente até alguns tiros como ocorreu ha poucos dias. Bares fazem parte da nossa cultura mas não são capazes de resistir às agruras do capitalismo selvagem e vez ou outra sucumbem. Aí uma parte da vida social de um determinado lugar muda ou até mesmo se extingue. As fotos acima são do que resta hoje das paredes do antigo Los Arcos. Na segunda aparece o madeiramente que ficava na parede do balcão. O prédio foi demolido e o que resta no momento como testemunha de um tempo bom desse local são essas paredes. Mas houve mais no passado. À minha direita, próximo à esquina com a rua S. José havia o Muchachos, cujo dono Horácio infelizmente já se foi. Atrás, do outro lado da avenida, havia a lanchonete Fantásticus que no passado foi ponto de motoqueiros e hoje deu lugar a outra lanchonete que não consegue decolar. Ao lado desta ainda resiste ao tempo um patrimônio do local. A choperia Ilha Bela. Um lugar muito tranquilo que já deve ter uns 40 anos de existência. Continua com o mesmo serviço e a mesma decoração. Ótimo para um chopp com canapés e uma boa prosa. Foi da porta desse que tirei as fotos daquele dilúvio.
O Espanhol passou por outras mãos antes de cerrar as portas. Entre outros o meu sumido amigo Zé Maria, basco que conzinha muito bem, que vendeu a um cara que mudou o nome para Paulicéia. E aí foi o ponto final do Espanhol.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Skunkworks Formula 1

Procure no Google o que é Skunkworks e tire as suas conclusões. Apenas para adiantar é uma trademark da Lockheed Martin. Isso surgiu na segunda guerra quando a Força Aérea Americana correu para a Lockheed solicitando um projeto de um caça a toque de caixa. Básicamente é uma idéia gerencial que tem como finalidade cumprir as etapas de um projeto com o mínimo de pessoal envolvido profundamente e em condição de sigilo total.
Essa é a explicação que Peter Windsor, ex-Williams, deu numa entrevista no site da F1 ao ser perguntado sobre o approach não usual que pretende empregar no projeto USF1, a equipe americana de F1.

Numa pergunta anterior sobre a retaguarda financeira que sustenta a idéia dele, deu uma explicação bem longa e possivelmente com o propósito de não apenas não ser conclusiva como também confusa. Citou o Silicon Valley como provável fonte de captação de dinheiro. E citou também Joe Kennedy como exemplo a ser seguido em época de crise.

Quanto ao Joseph Kennedy, a forma como multiplicou a sua fortuna é bem conhecida. Ele foi embaixador na Inglaterra e era muito íntimo do presidente Franklin Roosevelt. Consta que ele ficou sabendo do fim da lei seca com exclusividade e por conta disso ligou para os amigos ingleses e comprou o que houvesse de bebida alcoolica disponível. Houve uma piadinha que dizia que cada bêbado que cambaleava de uma costa à outra dos Estados Unidos, punha uma moeda no bolso de Joe Kennedy. Multiplicando-se o valor das moedas pelo número de pinguços, que não é pequeno, o que se deduz é que Joe Kennedy ficou milionário por conta disso. São as más línguas.

Quanto à equipe de F1 americana que será gerida por um conceito proprietário da Lockheed, vou lembrar uma frase típica da aviação. O que faz um avião sair do chão é a grana e não o teorema de Bernoulli.

E quando chegou na hora de Peter Windsor dizer quem efetivamente está bancando a conta, ele saiu pela tangente e disse que o máximo que pode revelar é que vendeu uma parte do team, o que lhe dá dinheiro para desenhar e produzir o primeiro carro.

Resumindo. Até aqui vendeu uma idéia para a qual procura investidores. Pode ser que ele seja muito bem sucedido e o sigilo ´skunkworkiano´ com que trata do assunto é compreensível. Mas um dia terá que abandonar o sigilo e dizer às claras como serão as coisas. Ele já citou o ´de acordo´ do Bernnie e tem sido notícia a toda hora. Então, mais cedo ou mais tarde terá que anunciar que pilotos vão pilotar que carro. Por enquanto só mistério. E por falar em mistério, tentei entrar no site da equipe e este também parece ser sigiloso. Não aparece coisa nenhuma.

Não é proibido, mas não é permitido

Isso mesmo. O que não é explícitamente proibido pode não ser permitido, aceito. Mas aqui no Brasil é preciso placa de proibição. Foi assim que passei uma das vergonhas públicas da minha vida.
Como típico cidadão brasileiro que pensa que esporte é apenas futebol e que praia existe só no Brasil, embora os mares banhem as costas de todos os continentes do planeta, eu também já me senti como estranho no ninho na casa dos outros. Olham para você tentando advinhar de que lugar teria vindo esse espécime estranho à comunidade, se você esteve prêso, se é terrorista, ou se você tem grana demais e educação de menos.
Foi num dia em que após o almoço em um desses restaurantes fast em Zurich, acendi um cigarro para dar uma breve continuidade ao papo. Mas não tinha cinzeiro. E olhando em volta não havia um único nas outras mesas. Pensei em chamar o garçon mas eu vi que algo estava muito errado. Acontece que lá, ao menos em 1986, não havia placas de proibido isso ou aquilo. Assim sendo, de forma muito simples e objetiva, onde não há cinzeiros é claro e evidente que não se pode fumar. A não ser que você seja um desses maloqueiros de plantão que jogam a cinza no chão ou por cima do ombro. Portanto não há que se proibir coisas. Elas são como são e pronto. É uma questão de adaptação.

O intuito da estorinha besta e sem importância é apenas lembrar que há outras pessoas, que vivem em outros países. que pensam e agem de forma diferente da nossa. E isso pode tanto ser agradável como também desagradável. Por sinal, o suco de maçã da Suíça é tão bom quanto os queijos.

Por isso recomendo a leitura diária do novo blog do Mestre Joca. Lá ele conta um tanto do que viu morando nos Estados Unidos. As observações são muito interessantes porque ele é um cara muito observador, coisa que se constata fácil pelos textos. Vale a pena. Segue o link.

http://diariosdoautoexilio.blogspot.com/